BYD intensifica produção local no Brasil e busca liderança de mercado

BYD e o Conteúdo Nacional

A montadora chinesa BYD anunciou sua intenção de incluir 50% de conteúdo local na produção de veículos em sua fábrica localizada na Bahia até o final deste ano. A declaração foi feita à Reuters pelo principal executivo da empresa no Brasil, em meio a um contexto de preocupações com a indústria local.

Objetivo da Montadora

O vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, afirmou, em entrevista realizada esta semana na fábrica em Camaçari (BA), que a montadora está trabalhando para estabelecer uma cadeia de fornecimento local o mais rápido possível. O objetivo é tornar-se a maior montadora do Brasil em termos de volume de vendas até 2030.

Durante a conversa, Baldy mencionou que a empresa visa alcançar 50% de conteúdo local em seus veículos produzidos no Brasil até o dia 1º de janeiro de 2027. Ele também destacou que, no mês de janeiro, a BYD figurou na quinta posição entre as marcas com maior número de vendas no Brasil, alcançando uma participação de 6,03% nos emplacamentos de carros e comerciais leves, superando a tradicional Toyota. Em comparação, no ano anterior, a participação da BYD era de 4,12%, com a marca ocupando a nona posição, segundo informações da associação de concessionários, chamada Fenabrave.

“Chegamos aqui em uma velocidade muito rápida, uma velocidade que precisamos manter para alcançar essa meta”, declarou Baldy, enfatizando a importância do mercado brasileiro para a BYD, que é o maior fora da China.

Produção e Importação

Desde o mês de outubro, a BYD já produziu aproximadamente 25.000 veículos na fábrica, que ocupa mais de 4 milhões de metros quadrados em um espaço que anteriormente era utilizado pela Ford, que havia encerrado suas operações no Brasil. Camaçari, por sua vez, rebatizou uma avenida próxima à fábrica, substituindo o nome de Henry Ford pelo de BYD.

Possibilidades de Exportação

Com o aumento do conteúdo local na produção, a montadora chinesa também espera iniciar a exportação a partir deste ano, enviando veículos do Brasil para países vizinhos do Mercosul, conforme afirmou Baldy. Apesar das queixas da indústria local e de grupos trabalhistas a respeito da dependência da BYD em relação a importações e tarifas temporariamente reduzidas, Baldy reforçou que a empresa está acelerando a produção dentro do país, com a promessa de criar aproximadamente 20.000 empregos diretos e indiretos.

Atualmente, a fábrica de Camaçari monta seus veículos a partir de unidades importadas semi-desmontadas (SKD), beneficiando-se de uma isenção de impostos de importação que expirou recentemente. Baldy mencionou que a BYD irá solicitar uma nova cota que permita a extensão dessa isenção até meados deste ano, ressaltando que a abordagem SKD é “um regime transitório”.

“O carro tem que ser fabricado aqui, com componente local, para que seja viável econômica e financeiramente”, disse Baldy. Ele também afirmou que as instalações locais de estamparia, soldagem e pintura estão próximas da conclusão. Essa expansão faz parte da primeira fase do investimento da BYD no Brasil, que totaliza R$5,5 bilhões e visa aumentar a capacidade da fábrica para 300 mil veículos anualmente, a partir dos 150 mil previstos para o final deste ano.

Aspectos Trabalhistas

O complexo de Camaçari atualmente emprega cerca de 5.000 pessoas, das quais aproximadamente 2.300 são funcionários diretos da BYD e 2.500 são trabalhadores de empresas de construção e prestadores de serviços.

A chegada da BYD na Bahia foi marcada, no ano passado, por uma investigação trabalhista relacionada a problemas ocorridos durante a construção da fábrica. Em dezembro de 2025, procuradores informaram que a BYD e as empreiteiras envolvidas chegaram a um acordo, comprometendo-se a pagar R$40 milhões em indenizações.

Baldy destacou que o termo de ajustamento de conduta foi assinado pelas empreiteiras responsáveis pela construção da fábrica, o que demonstra um esforço para resolver as questões trabalhistas surgidas durante o processo de instalação da empresa no Brasil.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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