Caminhoneiros anunciam greve devido ao aumento do diesel e pressão sobre fretes; paralisação pode iniciar nesta quinta-feira.

A Potencial Greve Nacional dos Caminhoneiros

A recente escalada do preço do diesel e a discrepância em relação aos valores de frete estão estimulando os caminhoneiros a planejar uma greve nacional, que pode ter início ainda nesta semana. A articulação da mobilização ganhou impulso após assembleias realizadas recentemente e já conta com o apoio de líderes de diversas regiões do Brasil.

Confirmação das Lideranças

Em entrevista ao Money Times, o presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci, afirmou que a previsão é de que a greve se inicie na próxima quinta-feira (19). “Estamos aguardando a confirmação de outros estados. Já temos a confirmação de Santa Catarina, São Paulo e Bahia”, afirmou Stringasci.

Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), indicou que a paralisação é uma possibilidade até o fim de semana. “Pode acontecer até o fim de semana”, disse ao Broadcast.

Articulação com Representantes Estaduais

De acordo com Chorão, a entidade intensificou os esforços de articulação com representantes estaduais, com o objetivo de definir uma data única para o início do movimento. A decisão pela greve foi tomada após uma assembleia realizada na segunda-feira (16) no Porto de Santos (SP), que deliberou pela paralisação e reuniu líderes nacionais do setor.

A estratégia inicial, segundo a Abrava, é realizar uma paralisação voluntária, onde os caminhoneiros não aceitarão novas cargas. “A ideia é conscientizar o transportador rodoviário para que fique em casa, não carregue”, explicou Chorão.

A Alta do Diesel Como Motivo

O contexto que motiva a greve é a significativa alta no preço do diesel nas últimas semanas, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional em decorrência do conflito no Oriente Médio. Dados do setor indicam que o preço do diesel S-10 subiu mais de 7% no início de março e continuou a aumentar, alcançando uma média nacional de aproximadamente R$ 6,90 por litro, conforme informações da ANP.

Na prática, essa elevação já está impactando as operações dos transportadores. Relatos de caminhoneiros apontam para uma redução nas atividades e até recusa de novas cargas. O caminhoneiro Wanderlei Alves, também conhecido como Dedeco, que foi uma das lideranças da greve em 2018, mencionou que, em uma rota entre Paraná e Minas Gerais, o custo do diesel aumentou R$ 890 em apenas uma semana, sem que o frete tivesse sido reajustado. “Não vale a pena rodar no prejuízo. Já caiu muito o movimento de caminhões na estrada”, afirmou.

Alves relatou a rejeição de 15 cargas apenas nesta semana, destacando a volatilidade nos preços do combustível. “De manhã um preço, de tarde outro, de noite outro”, descreveu. Ele acredita que a tendência será uma paralisação descentralizada, onde motoristas decidirão parar individualmente. “Vai acabar parando o caminhão na empresa, porque não vale a pena.”

Apoio de Entidades Representativas

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), uma das principais entidades que representam os caminhoneiros no Brasil, já anunciou apoio à mobilização da categoria para uma paralisação nacional nos próximos dias.

“A mobilização é motivada pelos aumentos quase diários nos postos de combustíveis, o que levou os caminhoneiros a se organizarem”, declarou a CNTTL em comunicado à imprensa. A entidade relacionou algumas pautas prioritárias, que incluem o encerramento da prática de emissão de fretes abaixo do piso mínimo, o retorno da aposentadoria especial com 25 anos de contribuição ao INSS, a reabertura da distribuição de combustíveis pela Petrobras, além da aplicação de multas e possível cancelamento de registro para empresas que não cumprirem o piso mínimo do frete.

Descompasso Entre Custos e Receitas

O descompasso existente entre os custos operacionais e as receitas do setor também é um ponto de preocupação identificado por diversas entidades. A Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (ANTC) estima que o reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras nas refinarias deve ocasionar um aumento nos fretes de 10% a 12%. Contudo, transportadores afirmam que esses repasses não ocorrem na mesma velocidade, resultando em suspensão de operações.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou, na última sexta-feira (13), a tabela de pisos mínimos de frete, com reajustes de até 7%, em resposta ao aumento do diesel, conforme previsto na Lei nº 13.703/2018. Líderes da categoria, no entanto, consideram que essa medida tem efeito limitado, principalmente pela falta de fiscalização efetiva. “Saiu o gatilho, mas não tem fiscalização”, enfatizou Chorão.

Outras Reivindicações

Além da necessidade de recomposição dos fretes, os caminhoneiros têm outras reivindicações, como a isenção de pedágio para veículos vazios e a criação de mecanismos que garantam o cumprimento do custo mínimo operacional. De acordo com a Abrava, estas medidas são consideradas cruciais diante da deterioração das margens de lucro dos transportadores.

Embora haja um diálogo com o governo federal — incluindo um contato recente da Casa Civil —, a categoria acredita que ainda não houve progresso significativo. “A gente precisa sair do diálogo e ir para a efetivação”, concluiu Chorão.

Diante deste cenário, a possibilidade de uma paralisação nacional se torna mais concreta em um momento delicado para a logística do Brasil, especialmente em um período de escoamento da safra agrícola. Dependendo da adesão, o movimento pode comprometer a oferta de transporte, pressionar ainda mais os fretes e afetar cadeias produtivas em todo o país.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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