Candidatos em 2026 precisarão enfrentar questões ‘delicadas’ com responsabilidade.

Impactos das Eleições de 2026 no Mercado Financeiro

A poucos mais de um ano das eleições de 2026, o economista Alex André analisa que o aspecto crucial para a confiança do mercado não estará apenas relacionado à identidade do próximo presidente, mas sim ao conjunto de compromissos que serão assumidos em relação às contas públicas. Ele argumenta que o Brasil já se aproxima do limite em que uma dívida elevada pode impedir o crescimento de investimentos, a produtividade e a previsibilidade econômica. Isso, por sua vez, tende a ser responsável pela manutenção de juros estruturalmente elevados, que têm consequências diretas sobre o consumo e a economia real.

Austeridade Fiscal e Reformas Necessárias

Segundo a análise do economista, os candidatos à presidência terão que adotar um discurso que, embora desconfortável, será inevitável: um compromisso firme com a austeridade fiscal a partir de 2027 e a implementação de uma agenda que inclua reformas consideradas “difíceis”. Entre essas reformas, destacam-se a administrativa, um novo ajuste nas regras da Previdência, e o enfrentamento de distorções como os supersalários e outras despesas obrigatórias do Estado.

Alex André contesta a ideia de que a solução para “fechar a conta” possa ser exclusivamente através da arrecadação, pois o país já opera com uma carga tributária elevada. Sem ajustes no lado dos gastos, a situação financeira tenderá a se agravar no futuro, resultando em custos ainda mais altos.

Comparação com a Argentina

O economista traça um paralelo entre a situação do Brasil e a da Argentina para enfatizar os riscos associados à procrastinação na resolução de problemas fiscais. Ele afirma que cortes e medidas impopulares podem ser politicamente prejudiciais, mas o adiamento das soluções apenas provoca um aumento no tamanho do déficit e nas dificuldades sociais relacionadas à correção desse desequilíbrio.

Na visão de Alex, o candidato que se mostrar mais adequado para conquistar a confiança do mercado será aquele que apresentar um plano progressivo. Este plano deve ser acompanhado de um estilo de governança que transmita capacidade de lidar com questões espinhosas, pois, ao final, os números precisam ser abordados com seriedade, independentemente das palavras que sejam proferidas.

Fonte: veja.abril.com.br

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