Carteira do BTG Pactual para Outubro
A carteira 10SIM do BTG Pactual para o mês de outubro permanece sem alterações, atravessando o período das eleições presidenciais sem modificações. De acordo com analistas do banco, como Carlos Sequeira e Leonardo Correa, o foco está em ações que são ligadas a juros de longo prazo e ao câmbio, com a expectativa de retornos em diversos cenários. O BTG antecipa que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode resultar em uma correção do Índice Bovespa (Ibovespa) e na desvalorização do real, ao passo que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia desencadear um período de valorização (rally). A carteira contempla empresas como Petrobras, Itaú e Embraer, entre muitas outras.
Análise da Estratégia
Os analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira, Osni Carfi, Bruno Ferreira, Marcel Zambello e Bruno Carrenho elaboraram sua estratégia com base no entendimento de que os juros de longo prazo e as ações já incorporam um considerável nível de risco fiscal, enquanto o real ainda não reflete essa situação. Dessa forma, o BTG Pactual confirma a manutenção de sua exposição a ações que estão sujeitas a variações de juros e câmbio, acreditando que esses ativos têm potencial para oferecer os melhores retornos tanto em um cenário otimista quanto em um pessimista, considerando a influência das eleições.
Na análise do BTG, a probabilidade de reeleição de Lula está acima das expectativas de queda nos índices. Caso Flávio Bolsonaro, candidato da direita, vença, espera-se que o mercado receba com entusiasmo medidas mais enérgicas para lidar com desequilíbrios fiscais, o que pode provocar uma recuperação acentuada nas ações.
O relatório do BTG destaca que, com um possível retorno às médias históricas de valuation, o potencial de valorização das ações está estimado entre 11% e 20% em reais. Além disso, a valorização pode ser ainda maior, entre 32% e 45%, caso o Ibovespa se desvie do padrão médio considerado.
Expectativas em Caso de Reeleição
Um cenário em que Lula seja reeleito poderá levar a uma correção, com o Ibovespa podendo voltar a 170 mil pontos, o que representa uma queda em torno de 10% em relação ao nível atual. A expectativa é que o real se desvalorize entre 10% e 15%, atingindo valores entre R$ 5,70 e R$ 6,00 por dólar. O relatório observa que essa situação poderia resultar em correções de 20% a 25% em dólares. No entanto, uma diminuição tão significativa nos valores pode ser vista como uma oportunidade de compra, reduzindo o risco de perdas.
Composição da Carteira
A composição atual da carteira do BTG Pactual é dividida da seguinte forma: 50% em ativos de Serviços Básicos, Infraestrutura ou fluxo de caixa de longa duração, representados por Axia (AXIA3), Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3), Motiva (MOTV3) e Rede D’Or (RDOR3); 10% em ações do setor financeiro, com Itaú (ITUB4); 20% em posições ligadas ao câmbio, que incluem Embraer (EMBJ3) e Gerdau (GGBR4); 15% em petróleo, com ações da Petrobras (PETR3 e PETR4); e 5% em ações de dividendos, focadas em construtoras de baixa renda, como Cury (CURY3).
Nesta carteira, a Petrobras PN possui um peso de 15%, e ações como Itaú Unibanco PN, Axia, Sabesp, Rede D’Or, Embraer, Eneva, Gerdau e Motiva têm cada uma um valor igual a 10%, enquanto Cury representa 5% do total.
Considerações sobre as Ações
O BTG Pactual analisa a Petrobras como portadora de fundamentos operacionais sólidos e retorna significativa em caixa, projetando um retorno de fluxo de caixa ao acionista de aproximadamente 14% até 2027, além de um retorno em dividendos de cerca de 11% em um cenário base.
Em relação à Embraer, o banco destaca recentes pedidos de aeronaves e um segundo trimestre com margens superiores ao esperado, prevendo um forte momentum para esse ativo no segundo semestre de 2026.
O relatório descreve Motiva como uma ação defensiva, caracterizada por resultados estáveis e um pipeline de projetos avaliados em mais de R$ 20 bilhões, incluindo uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 11%. Para Axia, o BTG considera a alavancagem abaixo de 3x em 2026, prevendo uma redução para 2,1x em 2027, com um retorno médio de dividendos estimado em 10% entre 2027 e 2029 e uma TIR real de 12,5%. Em Eneva, destaca-se uma visibilidade aprimorada após o Leilão de Capacidade, resultando em uma TIR de 10,5%.
Expectativas para Outros Ativos
No que diz respeito à Sabesp, o BTG Pactual menciona que as pressões sobre os custos devem continuar até 2026, mas mantém a expectativa de crescimento de longa duração, com uma TIR de 9,8%. Quanto à Cury, o banco mantém a recomendação após uma queda em setembro, destacando um ambiente de crédito desafiador no programa Minha Casa Minha Vida e a greve na Caixa Econômica Federal. A estimativa de múltiplo P/L é de 6 vezes para 2027, com um retorno de dividendos de 10%.
O BTG Pactual avalia a Rede D’Or como uma combinação de rentabilidade, com catalisadores de crescimento e uma valorização descontada, negociações em torno de 14 vezes o P/L estimado para 2027. Para o Itaú, o relatório menciona que a instituição está bem posicionada para qualquer resultado nas eleições, com um valuation de 8,2 vezes o P/L estimado para 2027. No caso de Gerdau, o BTG aponta que aproximadamente 75% do EBITDA é exposto aos EUA e que também é dolarizado, com uma previsão de 3,8 vezes o valor da empresa sobre EBITDA para 2027 e um retorno total ao acionista projected em cerca de 10% em um prazo de 12 meses.
Fonte: www.estadao.com.br
