Liquidação da 11ª Emissão de Debêntures
A liquidação da 11ª emissão de debêntures fortalece a estrutura financeira do Grupo Casas Bahia (BHIA3), melhora seu perfil de crédito e reposiciona a companhia na bolsa de valores brasileira.
O Grupo Casas Bahia S.A. (BOV:BHIA3) anunciou a finalização de seu plano de transformação da estrutura de capital, culminando na liquidação financeira da 11ª emissão de debêntures, que totalizou R$ 2,4 bilhões. Esta operação constitui um passo significativo no processo de desalavancagem da empresa e resulta em uma redução aproximada de R$ 3 bilhões no endividamento bruto.
Impactos Financeiros
Conforme informado pela companhia, a reestruturação deverá proporcionar uma economia estimada de R$ 4,7 bilhões em despesas financeiras e amortizações de principal entre os anos de 2026 e 2030. Esses resultados aliviarão de maneira considerável o fluxo de caixa, criando um ambiente de maior previsibilidade financeira para os próximos anos.
De uma perspectiva estratégica, essa ação melhora de forma substancial o perfil de risco de crédito da Casas Bahia. Isso tende a impactar positivamente as relações com fornecedores, seguradoras e potenciais credores, além de abrir espaço para a futura redução do custo médio da dívida. Em um setor extremamente competitivo como o varejo, a reorganização financeira se destaca como um pilar crucial para garantir a operação e a estratégia comercial da companhia.
Alterações na Estrutura Acionária
Com a conversão das debêntures, houve mudanças na estrutura acionária do grupo. Os acionistas atuais passaram a deter 44,3% do capital social, enquanto os debenturistas das séries conversíveis da 11ª emissão agora controlam 55,7% das ações. Esse aspecto reflete o impacto direto da reestruturação sobre a governança e o controle societário da empresa.
Em um fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destacou que a oferta atraiu a adesão de 90,5% dos titulares das debêntures da 10ª emissão, totalizando os mesmos R$ 2,4 bilhões. Assim, a liquidação da 11ª emissão tornou-se a última condição suspensiva para que as deliberações aprovada nas assembleias gerais de debenturistas da 10ª emissão passassem a produzir efeitos plenos.
Principais Mudanças Aprovadas
Entre as mais importantes mudanças que foram aprovadas estão:
- prorrogação do vencimento das debêntures da 1ª e da 3ª séries da 10ª emissão para 28 de novembro de 2050;
- alteração da remuneração para 100% da Taxa DI, com pagamento em parcela única no vencimento;
- exclusão de eventos de resgate antecipado;
- retirada das garantias reais associadas às debêntures da 10ª emissão.
Assessoria da Operação
A operação contou com a assessoria financeira da One Partners, além do apoio jurídico dos escritórios Spinelli Advogados e Pinheiro Neto Advogados.
Desempenho das Ações
As ações do Grupo Casas Bahia (BOV:BHIA3) fecharam o pregão de sexta-feira (02/01) estáveis, sendo cotadas a R$ 3,10, sem alteração em relação ao fechamento anterior. O papel continua distante da máxima registrada nos últimos 52 semanas, que foi de R$ 11,21, refletindo ainda a cautela do mercado em relação a empresas com elevado nível de alavancagem no setor de varejo. Com a nova configuração financeira, os investidores devem observar se a reestruturação será eficaz na geração de valor médio e a longo prazo.
Informações sobre a Companhia
O Grupo Casas Bahia S.A. é uma das maiores empresas de varejo do Brasil, com uma forte presença na venda de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis e serviços financeiros, tanto no ambiente físico como no digital. A companhia concorre diretamente com outros players significativos, como Magazine Luiza (BOV:MGLU3), Via (BOV:VIIA3) e Amazon (NASDAQ:AMZN) em um setor caracterizado por margens de lucro reduzidas, alto volume de vendas e alta sensibilidade ao crédito.
A finalização do processo de reestruturação de capital representa um momento decisivo para a Casas Bahia (BHIA3). A diminuição significativa da dívida e a melhora no perfil financeiro podem alterar a percepção de risco da empresa na bolsa de valores brasileira. Para o investidor, é um momento de atenção redobrada aos próximos balanços financeiros, assim como à capacidade da empresa de transformar o alívio financeiro em resultados operacionais consistentes.
Fonte: br.-.com