O Banco Master e o Will Bank compartilham mais do que apenas a trajetória de fusão e aquisição. Na verdade, ambos chamaram a atenção do Banco Central (BC) devido à sua rentabilidade excepcional.
Em novembro de 2025, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. O processo de encerramento fez com que o Will Bank, que pertence ao banco de Daniel Vorcaro, permanecesse ativo sob o Regime de Administração Especial Temporária (RAET). O objetivo era encontrar um novo comprador para a gestão do banco digital, o que, no entanto, não ocorreu.
Na última quarta-feira (21), a Will Financeira também foi liquidada, resultando na dissolução de todo o grupo econômico Will Bank. Essa decisão, conforme noticiado anteriormente, está diretamente relacionada ao descumprimento do acordo com a bandeira Mastercard, problema detectado na segunda-feira (19).
Antes de ser liquidado, o Banco Central já havia identificado ofertas de rendimento que superavam a capacidade operacional de ambas as instituições. A seguir, será abordado como o Banco Master e o Will Bank atraíam seus clientes.
Os CDBs do Banco Master
Em 2024, surgiram suspeitas a respeito do Banco Master após a divulgação de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que ofereciam rentabilidade de até 140% do CDI. Em geral, rendimentos altos servem como uma estratégia para atrair novos clientes.
Conforme divulgado pelo BC, o Banco Master era uma instituição de pequeno porte, possuindo 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Assim, a grande discrepância entre o tamanho da instituição e a rentabilidade extraordinária dos CDBs levantou bandeiras vermelhas sobre a saúde financeira do banco.
Embora essa situação tenha despertado interesses em diversos investidores, o alto nível de risco associado a tais operações aumentou significativamente. O Banco Master passou a depender dessa captação de recursos de alto rendimento.
Antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, o Banco Central determinou a suspensão dos CDBs da instituição e exigiu um reforço imediato de capital, medida que não foi totalmente cumprida. Com isso, as dificuldades de liquidez se agravaram e a supervisão sobre o banco tornou-se cada vez mais rigorosa, levando ao encerramento definitivo da instituição em novembro de 2025.
Atualmente, a Polícia Federal investiga as atividades da instituição e seus envolvidos, que podem estar relacionados ao maior caso de fraude bancária da história do Brasil.
Os CDBs “Mágicos” do Will Bank
O Will Bank foi estabelecido com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito para as classes C, D e E. Para mitigar o elevado risco de inadimplência, uma parte da estratégia do banco era baseada na construção de uma ampla base de clientes. Por exemplo, um relatório de 2022 do BTG Pactual apontava que o banco contava com 408 mil clientes em 2021 e, em 2024, após a aquisição pelo Master, já possuía 6 milhões de clientes.
Em termos de operações, os CDBs oferecidos pelo Will Bank eram limitados a R$ 1.500 por CPF, com prazos de vencimento de três meses. Nas redes sociais, várias postagens, tanto do próprio banco quanto de influenciadores, incentivavam o público a optar por essa modalidade de investimento.
Agora, com a liquidação do Will Bank, cabe ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a responsabilidade de cobrir todos os valores devidos a credores.
Dessa forma, análises realizadas pelo IFData, do Banco Central, revelam que o Will Bank contava com R$ 6,5 bilhões em CDBs e R$ 7 bilhões em depósitos, incluindo tanto à vista quanto a prazo.
Estima-se que, dos R$ 7 bilhões em depósitos, apenas R$ 5 bilhões estejam cobertos pelo limite de proteção do FGC.
A soma dos prejuízos tanto do Banco Master quanto do Will Bank coloca o FGC sob considerável pressão, sendo necessário um desembolso mínimo de R$ 46 bilhões em ressarcimentos. Mesmo assim, esse montante não será suficiente para cobrir a totalidade dos valores devidos aos clientes.
Fonte: timesbrasil.com.br