Escassez no Mercado de Petróleo
O mercado de petróleo enfrenta uma escassez que pode chegar a quase um bilhão de barris, e essa situação tende a piorar a cada dia em que o conflito no Oriente Médio continuar, afirmou Wael Sawan, CEO da Shell, em um pronunciamento a investidores na quinta-feira.
“Os fatos são duros: estamos enfrentando um déficit de cerca de um bilhão de barris de petróleo no momento, seja por barris retidos ou não produzidos”, disse Sawan durante a chamada de resultados do primeiro trimestre do produtor de petróleo com sede em Londres.
“E, claro, esse buraco está se aprofundando a cada dia, então a jornada de volta será longa”, acrescentou.
Contexto da Escassez
Para oferecer um contexto sobre esse número, o mundo consome aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo diariamente, segundo dados da OPEC.
A Halliburton, por sua vez, também estima que a produção de petróleo perdida devido à guerra está se aproximando de um bilhão de barris, conforme relatado pelo CEO Jeffrey Miller durante a chamada de resultados da empresa no dia 21 de abril.
“A recuperação da produção de petróleo e gás, assim como dos estoques, não será um processo rápido ou simples”, ressaltou Miller.
Pequena Queda no Consumo
Quanto à demanda, a destruição de consumo devido à perda de suprimentos de petróleo tem sido modesta até o momento, disse Sawan. O consumo de querosene na indústria aeronáutica foi reduzido em cerca de 5%, informou o CEO da Shell.
“O que estamos vendo, em essência, são as duras realidades de retirar 12% do petróleo bruto do mercado e é necessário compensar isso”, declarou Sawan durante a entrevista ao programa “Money Movers” da CNBC.
Maior Interrupção de Suprimento na História
O mercado de petróleo enfrenta a maior interrupção de suprimentos da história, de acordo com a Agência Internacional de Energia. O Irã efetivamente bloqueou o Estreito de Hormuz, o estreito marinho onde cerca de 20% do fornecimento global de petróleo passava antes que os EUA e Israel atacassem em 28 de fevereiro.
Os preços do petróleo caíram mais de 10% desde terça-feira, impulsionados por novas esperanças de que os EUA e o Irã cheguem a um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estreito.
No entanto, é provável que a normalização das exportações de petróleo pelo Estreito de Hormuz leve meses após o término do conflito, afirmou Mike Wirth, CEO da Chevron, durante uma conversa com a CNBC na segunda-feira no Milken Institute Global Conference.
Reabertura do Estreito de Hormuz
Wirth enfatizou que a verificação do estreito para detectar minas será um processo moroso. Além disso, existem centenas de navios presos no Golfo Pérsico que precisam ser redeployados ao redor do mundo para normalizar as cadeias de suprimento.
Darren Woods, CEO da Exxon Mobil, afirmou na sexta-feira que pode levar até dois meses para que o fluxo de petróleo se normalize uma vez que o Estreito de Hormuz seja reaberto.
Período de Graça para o Mercado
O mercado de petróleo desfrutou de um período de graça em março e abril, já que os petroleiros que partiram do Golfo Pérsico antes do início da guerra ainda estavam a caminho de seus destinos, relatou Andrew O’Brien, CFO da ConocoPhillips, em conversa com investidores no dia 30 de abril.
No entanto, esses navios já chegaram a seus destinos, conforme O’Brien. O impacto da perda de suprimentos de petróleo do Oriente Médio começará a se tornar mais evidente, e algumas nações poderão enfrentar escassez de combustível neste verão, alertou o executivo.
“Apesar das iniciativas que estão em andamento para gerenciar a demanda, começaremos a ver alguns países dependentes de importações enfrentarem possivelmente sérias dificuldades à medida que avançarmos para os meses de junho e julho”, concluiu o executivo da ConocoPhillips.
Fonte: www.cnbc.com


