O Caso Master e a Relevância no Sistema Financeiro
O tema do caso Master voltou a ser discutido nas recentes conferências de resultados do Itaú (ITUB4). Em um confronto com os jornalistas, o CEO Milton Maluhy ressaltou que o Itaú nunca distribuiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, o qual foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano anterior, por convicção.
Impacto Financeiro do Caso
Maluhy classificou o evento como de magnitude relevante, destacando-o entre os maiores já observados no sistema financeiro do Brasil. O caso Master, juntamente com o Will Bank, pode provocar uma drenagem superior a R$ 55 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que representa quase metade do total do fundo. Para recompor esse montante perdido, os bancos precisarão arcar com custos adicionais, o que poderá resultar em tarifas e spreads mais altos para os consumidores. A grande questão a ser debatida é a forma como essa recomposição será realizada.
Necessidade de Aporte e Minimização de Custos
“O aporte será feito, não há dúvida quanto a isso. A questão é como minimizar o custo, porque um evento dessa magnitude acaba, no fim do dia, gerando um impacto para a sociedade — seja no custo de captação de crédito, seja no aumento do preço dos investimentos”, enfatizou o CEO. Ele defende que mecanismos inteligentes devem ser encontrados, muitos dos quais já foram utilizados em situações de crise anteriores, para garantir a recapitalização do fundo de forma que o impacto negativo seja reduzido ao máximo, primeiramente para os bancos e, consequentemente, para a sociedade.
Histórico do FGC
Maluhy também lembrou que o FGC foi criado no final da década de 1990, como resposta às grandes liquidações bancárias, com a finalidade de proteger os investidores em casos de falência de instituições financeiras. “Esse sempre foi o seu propósito. O fundo nunca teve outro objetivo. A responsabilidade é de todos nós. Mas é evidente que, ao longo do tempo, alguns modelos passaram a utilizar o FGC como um instrumento de alavancagem do negócio, viabilizando estruturas que não eram sustentáveis”, afirmou.
Interesses e Sustentabilidade
De acordo com Maluhy, interesses pessoais foram priorizados em detrimento do bem-estar do sistema financeiro como um todo. “Quando se observa o valor gerado por plataformas que distribuíram esses produtos de forma relevante, estamos falando de bilhões de reais por ano em receitas acumuladas dentro desses ecossistemas”, ressaltou.
Papel do Banco Central
O executivo acredita que o Banco Central possui dados, capacidade técnica e instrumentos para realizar backtests — um processo de avaliação de modelos — e identificar quais regras poderiam ser modificadas para prevenir que casos similares ocorram no futuro. Ele informou que já existem consultas públicas em andamento a respeito de requerimentos de capital, alavancagem e outros aspectos, além de normas internacionais que podem servir como referência.
Reação de Outros Executivos
Na última quarta-feira, o CEO do Santander também abordou a situação do Banco Master, afirmando que o Brasil não pode permitir que o caso se repita.
Fonte: www.moneytimes.com.br