O aumento do endividamento das famílias desde a primeira versão do programa Desenrola está vinculado às apostas em plataformas de apostas e ao avanço da bancarização no Brasil, conforme afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à CNN Brasil.
Na última segunda-feira, dia 4, o governo lançou uma nova versão do programa, que determina o bloqueio do CPF nas plataformas de apostas para aqueles que se beneficiarem da iniciativa do governo federal durante um período de um ano.
Impacto das Apostas no Endividamento
Ceron destacou que as apostas têm contribuído para o aumento do endividamento das famílias nos últimos tempos. Ele afirma que a implementação conjunta da proibição do uso dessas plataformas auxiliará na prevenção de novos endividamentos, evitando que as famílias comprometam sua renda em apostas ou, em situações extremas, recorram a operações de crédito para esse fim.
O secretário ainda acredita que o nível de endividamento das famílias deve apresentar uma queda com a contrapartida que as instituições financeiras estão assumindo, no sentido de investir na educação financeira da população.
Compromissos dos Bancos
Os bancos que se juntaram ao programa são obrigados a destinar 1% do valor garantido pelo FGO (Fundo de Garantia de Operações) nas operações de renegociação que fazem parte do programa, a projetos firmados com o governo que têm esta finalidade.
Ceron frisou que “é algo que leva tempo, mas precisa ser feito para que as pessoas possam fazer escolhas conscientes”.
Contexto Atual do Endividamento no Brasil
A decisão do governo de incentivar a renegociação das dívidas ocorre em um cenário de juros elevados e significativo endividamento. Além disso, a gestão desse programa acontece em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição.
Dados do Banco Central indicam que houve um novo aumento no indicador de endividamento das famílias, que em fevereiro alcançou 49,9%. Este dado representa o maior índice já registrado desde o início da série histórica em 2005, refletindo a proporção entre o saldo das dívidas e a renda acumulada nos últimos 12 meses.
Ainda segundo a autoridade monetária, o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida também atingiu um recorde, alcançando 29,7% em fevereiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

