CFO destaca a importância do ‘valor real da ação’ e estabelece prioridades para 2026

SLC Agrícola e seu Potencial de Valorização

O CFO da SLC Agrícola (SLCE3), Ivo Brum, declarou em entrevista ao Money Times que as ações da empresa estão sendo negociadas abaixo de seu valor real.

Avaliação do Valor das Ações

Brum informou que, ao levar em conta o valor de mercado das terras, conforme estimativas realizadas por laudos independentes, o valor das ações poderia ser em torno de R$ 28. Isso representa uma potencial valorização de 83,85% em comparação ao preço atual da ação, que é de R$ 15,21, segundo informações atualizadas até às 13h54 do dia 21.

Brum ressaltou: “O preço da ação não reflete o valor da companhia. Se você considerar todas as nossas terras a preço de mercado, com base em laudos que contratamos da Deloitte, o valor seria aproximadamente R$ 28 por ação. Se eu liquidasse todos os ativos da SLC e quitasse todas as nossas dívidas, restaria R$ 28 para cada acionista.” Ele também destacou que a valorização atual da empresa parece estar vinculada predominantemente ao fluxo de caixa gerado pela operação agrícola.

Prioridade de Investimentos até 2026

Para o ano de 2026, a principal prioridade da SLC Agrícola é o investimento em irrigação na Bahia, o que já foi anunciado em parceria com fundos de investimento em participações (FIPs), sendo gerenciados pela BTG Pactual Serviços Financeiros nas fazendas Piratini e Paladino. Brum afirmou que os investidores aportaram na companhia um total de R$ 914 milhões e que deverá haver um adicional de R$ 120 milhões no segundo semestre.

O projeto de irrigação abrange uma área de 6.300 hectares, com a expectativa de que a área esteja produtiva até o período de 2026/2027. O custo previsto para a implementação da irrigação é de aproximadamente R$ 25 mil por hectare.

Desafios do Projeto de Irrigação

O CFO também enfatizou que o custo elevado do projeto se deve aos investimentos necessários para sua operacionalização. "É caro porque exige a construção de reservatórios para o armazenamento de água. É fundamental captar água mesmo durante a estação chuvosa para armazená-la e, durante a seca, conduzi-la até as lavouras. Isso requer a estruturação de canais de distribuição", explicou Brum.

Atualmente, apenas 3,6% da área total da SLC é irrigada. Nos próximos quatro a cinco anos, a meta da empresa é alcançar 50 mil hectares com irrigação. Brum complementou que, com a chegada do novo capital, será possível acelerar os projetos de irrigação, aumentando também a área irrigada nas fazendas Paysandu e Palmares, conforme a geração de caixa permitir.

Futuras Aquisições da Companhia

Em 2025, a SLC realizou diversas operações de M&A (fusões e aquisições). No entanto, segundo o CFO, a estratégia para 2026 não contempla grandes aquisições, embora a companhia permaneça atenta a eventuais oportunidades que possam surgir no mercado.

Brum esclareceu que os investidores costumam questionar os altos custos envolvidos na compra de terras. Na Bahia, por exemplo, o preço gira em torno de R$ 50 mil por hectare, o que significaria que uma fazenda com 20 mil hectares teria um custo aproximado de R$ 1 bilhão. Ele observou que, considerando juros de 15%, obter um retorno financeiro torna-se um desafio significativo.

Níveis de Endividamento e Performance Financeira

No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a SLC terminou o período com uma alavancagem de 2,34x na relação entre Dívida Líquida e EBITDA, além de uma dívida líquida ajustada de R$ 6,2 bilhões. A empresa reconhece que esse nível de endividamento é elevado, especialmente em um cenário em que a taxa Selic se encontra a 15%.

Contudo, a capitalização de quase R$ 1 bilhão realizada pelo BTG, que foi concluída após o 3T25, deverá permitir uma redução na alavancagem para cerca de 2x na relação Dívida Líquida/EBITDA, proporcionando maior flexibilidade financeira para a empresa.

O conselho da SLC tem uma posição clara sobre esse assunto: quando a relação Dívida Líquida/EBITDA se encontra abaixo de 2x, a empresa pode continuar seu crescimento. Entretanto, se a relação ultrapassar esse patamar, será necessário desacelerar a expansão da companhia.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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