China renuncia a benefícios em negociações da OMC
A China anunciou que abrirá mão dos benefícios do Tratamento Especial e Diferenciado (SDT) em futuras negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão foi comunicada na terça-feira pelo primeiro-ministro Li Qiang, durante um encontro paralelo à Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, segundo informações da agência Xinhua.
A medida recebeu a aprovação da OMC e foi considerada pela diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala um passo relevante para tornar o sistema comercial global mais justo e equilibrado. Embora a China mantenha seu status formal de país em desenvolvimento, a renúncia aos privilégios associados ao SDT sinaliza que o país já compete em um nível diferente no cenário internacional.
O que muda para a China
Pequim não irá abrir mão de seu status formal de país em desenvolvimento, considerado “inegociável”, mas renuncia a certos direitos que beneficiam o uso dos privilégios do SDT. Entre esses benefícios, estão:
- Maior liberdade para adotar tarifas ou subsídios para proteção da indústria nacional;
- Prazos estendidos para cumprimento de regras comerciais;
- Flexibilidade regulatória na implementação dos compromissos;
- Assistência técnica para processos de modernização econômica.
Em Genebra, o diplomata Li Yihong sublinhou que a decisão reafirma o compromisso da China com o sistema multilateral de comércio, sem alterar sua classificação oficial.
A decisão também atende a uma antiga reivindicação dos Estados Unidos, que consideravam injusto que a segunda maior economia do mundo mantivesse privilégios reservados a países em desenvolvimento. Washington argumenta que uma reforma da OMC seria inviável enquanto grandes potências continuassem a usufruir de tais benefícios.
“Este é um momento crucial para a OMC. A decisão da China mostra comprometimento com um sistema comercial global mais equilibrado e justo”, afirmou Ngozi Okonjo-Iweala. Para Keith Rockwell, analista da Fundação Hinrich e ex-diretor de comunicação da OMC, a medida pode contribuir para aliviar as tensões comerciais recentes entre Washington e Pequim.
Fonte: www.moneytimes.com.br