China adquire soja dos EUA após compromisso com Trump, porém a valores elevados, afirmam comerciantes.

China realiza grandes compras de soja dos EUA

A China adquiriu, na segunda-feira, um total de pelo menos 14 cargas de soja provenientes dos Estados Unidos, conforme informações de dois traders que possuem conhecimento direto sobre as transações. Essa compra representa a maior aquisição registrada desde pelo menos o mês de janeiro e é considerada a mais significativa desde a cúpula entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, ocorrida em outubro do ano anterior.

A decisão da China em comprar soja dos EUA visa honrar os compromissos que foram assumidos em uma cúpula comercial realizada em Busan, na Coreia do Sul. Segundos os traders baseados na Ásia, as cargas adquiridas estão sendo vendidas a preços superiores aos praticados por concorrentes brasileiros, que têm ofertado soja a valores mais baixos.

Um trader de Cingapura comentou que essa nova rodada de compras de soja dos EUA não deve ser encarada como um mero gesto de boa vontade, mas sim como uma manifestação clara do compromisso da China com os termos acordados em Busan.

Detalhes das aquisições

A empresa estatal chinesa de comércio de grãos, Cofco, foi responsável pela compra de pelo menos 840.000 toneladas com previsão de embarque para os meses de dezembro e janeiro, conforme foi relatado à Reuters por dois traders informantes. Destes, oito navios deverão carregar soja em dezembro e janeiro nos terminais localizados na Costa do Golfo dos EUA, enquanto o restante será embarcado nos portos do Noroeste do Pacífico em janeiro. Um dos traders estimou que aproximadamente 75% das vendas foram direcionadas para embarque no Golfo e o restante nos portos do Noroeste do Pacífico.

É importante ressaltar que o volume total de vendas pode aumentar caso mais transações sejam concluídas, segundo os traders. No entanto, a Cofco não respondeu imediatamente a um pedido para esclarecimentos sobre a situação atual.

Todos os quatro traders que forneceram informações sobre as compras preferiram permanecer anônimos, devido à natureza sensível da questão em pauta.

A Casa Branca afirmou que a China teria se comprometido a adquirir 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos durante este ano. Contudo, até o dia da última atualização, apenas um volume reduzido de vendas foi concretizado. No ano anterior, a China importou quase 27 milhões de toneladas de soja originadas dos EUA, conforme dados divulgados pelo governo americano.

Alta nos preços

Traders da região asiática estimaram que a Cofco pagou de US$ 2,35 a US$ 2,40 por bushel, além do contrato de Chicago para embarques nos terminais do Golfo. Já para as cargas provenientes dos portos do Noroeste do Pacífico, o preço variou entre US$ 2,15 e US$ 2,20 por bushel. Esses valores estão significativamente acima dos preços da soja brasileira da nova safra, que se situam em torno de US$ 1,25 por bushel acima dos futuros da Bolsa de Chicago.

Um trader de uma empresa que opera usinas de processamento de soja na China observou que esta é uma manobra de caráter político, uma vez que os preços pagos pela Cofco são consideravelmente mais altos do que os praticados pelos fornecedores brasileiros. Segundo ele, as empresas chinesas estão realizando essas transações como uma forma de demonstrar seu comprometimento em adquirir soja dos Estados Unidos.

Na última sexta-feira, o presidente Trump afirmou que as vendas estariam bem encaminhadas até a chegada da primavera. Jim Sutter, CEO do Conselho de Exportação de Soja dos EUA, expressou otimismo ao destacar que é gratificante ver o esforço dos negociadores comerciais americanos e de seus colegas chineses resultando em acordos benéficos para os produtores e exportadores de soja dos Estados Unidos. Sutter espera que essa situação continue à medida que as rotas comerciais sejam reestabelecidas.

Impacto da guerra comercial

Durante a atual temporada, a China distanciou-se da compra de soja dos Estados Unidos, especialmente devido à intensa guerra comercial com Washington. Como consequência, o país optou por abastecer-se de soja proveniente de concorrentes como o Brasil e a Argentina.

A ausência do seu principal cliente levará os preços da soja nos Estados Unidos a atingirem mínimas históricas durante o verão, agravando a já desafiadora economia agrícola, que está lidando com custos elevados de insumos, como combustíveis, fertilizantes e sementes. Agricultores, juntamente com grupos comerciais, têm se esforçado para explorar novos mercados para a soja americana, mas a tentativa de substituir a demanda chinesa tem se mostrado um desafio complicado.

Na bolsa de Chicago, os futuros da soja dos EUA experimentaram um aumento de quase 3% na segunda-feira, alcançando a maior alta em um período de 17 meses, impulsionados pela renovada esperança em relação ao comércio com a China.

Por fim, os prêmios em dinheiro para a soja que será entregue nos terminais da Costa do Golfo e do Noroeste do Pacífico nos próximos meses e também para exportação aumentaram em pelo menos 10 centavos de dólar por bushel, conforme relatado por traders da área.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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