China recebe o principal diplomata do Irã poucos dias antes da visita de alto risco de Trump.

China recebe o principal diplomata do Irã poucos dias antes da visita de alto risco de Trump.

by Patrícia Moreira
0 comentários

Encontro Diplomático entre Irã e China

Contexto da Visita

Na quarta-feira, China recebeu o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em uma visita que marca o primeiro encontro desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra Teerã. A visita ocorre poucos dias antes da viagem programada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim.

Detalhes da Reunião

Wang Yi, alto diplomata da China, se reuniu com Araghchi na manhã de quarta-feira, conforme relatado pela Agência de Notícias Xinhua, que é apoiada pelo governo. A mídia estatal chinesa divulgou a visita na noite de terça-feira, mencionando que o convite foi feito por Pequim. Contudo, a comunicação oficial não apresentou uma agenda específica para as discussões.

Temas da Discussão

O ministério das Relações Exteriores do Irã informou que as conversas abrangeriam as relações bilaterais, além de questões regionais e internacionais. Amir Handjani, um membro do conselho do Quincy Institute for Responsible Statecraft, enfatizou que "este encontro é profundamente estratégico". Segundo ele, Teerã e Pequim estão alinhando seus interesses antes da cúpula de Trump com o presidente chinês, Xi Jinping, e o momento da reunião foi intencional.

Interesses Comerciais

O analista Handjani destacou que a China busca estabilidade na região do Golfo Pérsico para proteger o fluxo comercial e energético. "A liderança chinesa deseja que os petroleiros operem normalmente e que o comércio flua do Golfo Pérsico para os mercados asiáticos", disse ele. "A China não tem interesse em um choque inflacionário nem em uma possível recessão que uma prolongada obstrução poderia causar na região."

Comunicações Recentes

Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, Wang e Araghchi já mantiveram pelo menos três conversas telefônicas. Pequim tem repetidamente solicitado um cessar-fogo imediato e a livre circulação de navios comerciais pelo Estreito de Hormuz. No final de abril, o presidente Xi Jinping enfatizou a importância da "passagem normal" através dessa importante via marítima.

Importância do Estreito de Hormuz

Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo transitavam pelo estreito. No entanto, o tráfego comercial diminuiu significativamente nas semanas recentes. A China, sendo o maior comprador global de petróleo e gás do Golfo, conseguiu absorver o impacto da situação, embora os estoques internos e uma matriz energética diversificada tenham oferecido algum tipo de proteção.

Pressão sobre Teerã

Viagem de Trump a Pequim

À medida que se aproxima a esperada visita de Trump a Pequim, marcada para 14 a 15 de maio, os assessores do presidente dos EUA têm solicitado a Pequim que pressione o Irã para restaurar o tráfego comercial. Um diretor de um think tank afiliado a Pequim já havia informado à CNBC que a China carece tanto da capacidade quanto da disposição para pressionar qualquer uma das partes a entrar em negociações, apesar de ter facilitação no cessar-fogo temporário ocorrido no mês passado.

A Resposta de Teerã

Para Teerã, a visita à China representa uma oportunidade de demonstrar aos Estados Unidos que "não está isolado e possui aliados e opções", conforme afirmado por Danny Russel, um respeitado colaborador do Asia Society Policy Institute. O governo iraniano busca fortalecer sua posição nas negociações com Washington e inibir um possível ataque americano renovado.

Expectativas de Acordos

Teerã deve buscar garantias de Pequim sobre o fluxo de petróleo, canais financeiros e apoio diplomático contra novas ações militares dos EUA, segundo Russel. Em contrapartida, espera-se que a China pressione o Irã a não ameaçar a infraestrutura do Golfo e o tráfego comercial, além de propor a reabertura do Estreito de Hormuz.

O Papel de Pequim

Para Xi Jinping, a visita pode oferecer uma oportunidade para posicionar a China como uma potência responsável antes do encontro com Trump, enquanto limita os riscos que o país pode enfrentar, conforme mencionado por Russel.

O Desafio da Cúpula

A cúpula que Trump realizará em Pequim — atrasada por mais de um mês em decorrência da guerra no Irã — representa uma oportunidade crítica para que o presidente dos EUA obtenha compromissos da China na compra de produtos agrícolas americanos, bens industriais e energia, antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Entretanto, uma confrontação relacionada ao Irã pode prejudicar esse planejamento, conforme alertam analistas. Russel ressalta que "mesmo que Trump acredite que os chineses estão apenas fornecendo cobertura diplomática enquanto mantém o Irã economicamente viável, ele se encontra em desvantagem." Ele precisa que Pequim restrinja Teerã, e não que a empodere.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy