Clima e Colheita da Soja 2025/2026
O clima favorável tem contribuído para o início da colheita da soja referente à safra 2025/2026. Contudo, algumas regiões do Brasil, como Goiás e Mato Grosso, enfrentaram alguns imprevistos.
Situação em Goiás e Mato Grosso
Segundo Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus Meteorologia, nessas áreas, as chuvas demoraram a chegar e ocorreram de maneira irregular. Embora tenha havido relatos pontuais de necessidade de replantio, isso não foi considerado expressivo. Após o plantio, as lavouras apresentaram um bom desenvolvimento.
Ele destaca que o estado do Maranhão foi o único a registrar um atraso mais considerável no início do plantio, especialmente em áreas com início tardio. "Ainda há regiões por lá um pouco atrasadas, mas, exceto Maranhão, o restante do Matopiba está dentro do esperado. No Centro-Oeste e no Sudeste, em geral, não temos recebido relatos de perdas significativas", explica Nascimento.
O Plantio Após a Colheita
Tradicionalmente, o grande desafio do ciclo agrícola encontra-se na transição entre a colheita da primeira safra e o plantio da segunda. Entretanto, neste ano, esse período deve ser mais tranquilo, já que não há previsão de grandes invernos que causem atrasos relevantes.
Com relação ao clima, Nascimento menciona que o Brasil segue sob a influência de um fenômeno de La Niña, com fraquíssima intensidade, que deve perder força ao longo do primeiro trimestre, possivelmente entre o final de fevereiro e o início de março. Isso é comum, e a continuidade das chuvas favorece a segunda safra, especialmente no cultivo de milho e algodão.
Mesmo os produtores que enfrentaram atrasos no plantio da soja, como em algumas áreas de Mato Grosso e Goiás, devem conseguir implantar a segunda safra dentro de um período aceitável, já que a previsão é de que as chuvas se estendam por mais tempo.
O El Niño Se Aproxima
Modelos do Australian Bureau of Meteorology apontam para uma probabilidade de 90% de formação do fenômeno climático El Niño a partir de junho de 2026. O El Niño provoca o aquecimento das águas na região tropical do Oceano Pacífico, o maior oceano do mundo, e frequentemente altera os padrões de precipitação e temperatura em diversas partes do globo.
Nascimento acredita que ainda é cedo para prever impactos imediatos do El Niño, pois, caso se confirme, sua influência será mais perceptível na próxima safra de verão, em 2026/27. Ele afirma: "É algo para ficar em alerta. Num cenário de mudanças climáticas, qualquer evento ganha intensidade. O El Niño geralmente traz mais chuvas para o Sul. Se já houve uma quantidade significativa de chuvas com a La Niña, isso pode se intensificar ainda mais, especialmente no Rio Grande do Sul."
Outro aspecto que merece atenção são as ondas de calor. Mesmo durante a La Niña, ocorreram episódios de temperaturas extremas no final do ano anterior e no começo de janeiro. Em um ano de El Niño, é esperado que esse tipo de evento se intensifique tanto na primavera quanto no verão. "Esse pode ser o grande desafio da próxima safra, se o fenômeno realmente se consolidar", conclui Nascimento.
Desafios e Expectativas para o Agro
Na avaliação de Nascimento, o clima tem colaborado com o setor agrícola, mas os eventos extremos, como granizo, ventos fortes, acamamento de lavouras e até tornados pontuais, representam desafios significativos.
Para os setores que dependem do armazenamento de água, como o setor elétrico, o cenário é mais complicado. Já são visíveis os impactos na energia, incluindo bandeiras tarifárias e preços elevados no mercado livre. Para os agricultores, 2026 será um ano que exigirá atenção redobrada em relação aos custos. Com as margens de lucro apertadas, qualquer perda pode afetar substancialmente as finanças. No entanto, se o cenário dependesse apenas das condições climáticas, o ano seria potencialmente favorável para a produção agrícola.
Fonte: www.moneytimes.com.br