Eleições de Meio de Mandato na Argentina
As eleições de meio de mandato na Argentina foram consideradas um indicador significativo para a governabilidade do presidente, Javier Milei. Na segunda-feira, dia 27, com a realização da apuração das urnas, o resultado surpreendeu até mesmo os mais otimistas a respeito do ultraliberalismo.
Resultados das Eleições
O partido de Milei, denominado La Libertad Avanza (LLA), tinha como objetivo reunir ao menos um terço dos votos, ou seja, cerca de 33%, para estabelecer um bloco mais coeso na Câmara dos Deputados e no Senado. Entretanto, o resultado superou as expectativas, com o LLA obtendo quase 41% do total de votos, em comparação aos pouco mais de 31% conseguido pela coalizão kirchnerista, composta pelo Fuerza Patria e seus aliados.
Com esse resultado, Javier Milei ganha um novo impulso para o final de seu mandato. De acordo com instituições financeiras como BTG Pactual, UBS, Goldman Sachs e Itaú BBA, as propostas de caráter liberalizante do presidente argentino devem ganhar maior apoio nas Casas Legislativas a partir deste momento.
Conforme esperado, a bolsa argentina apresentou um crescimento acentuado e o dólar teve uma queda significativa, refletindo a euforia que seguiu as eleições.
Perspectivas do Setor Bancário
Apesar do otimismo que permeia os resultados, um setor específico se destaca, sendo considerado mais promissor pelos analistas: o setor bancário. Quando se menciona a Argentina, é comum associá-la à instabilidade econômica, mas Milei tem alcançado um certo sucesso em reverter essa situação.
Os analistas do Itaú BBA argumentam que as melhorias nos resultados fiscais contribuem para a contenção da inflação e a gestão das taxas de juros, o que, por sua vez, favorece as perspectivas do setor de crédito bancário e seus múltiplos de avaliação. “Estamos prevendo uma aceleração do crescimento da carteira de crédito de 30% em comparação anual e um aumento no lucro superior a 50% nas previsões para 2026”, afirmam os analistas.
Nesse contexto, as recomendações de outperform (equivalente a comprar) são direcionadas para o Banco Galícia, Banco Macro e BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria).
Tabela de Análise do Setor Bancário
| Métrica | Galicia (GGAL) | BBVA (BBAR) | Macro (BMA) |
| Rating | Outperform | Outperform | Outperform |
| Target Price (YE26) | US$ 35,43 | US$ 15 | US$ 78 |
| Preço Atual (USD) | US$ 22,86 (calculado com Upside) | US$ 10,20 (calculado com Upside) | US$ 57,70 (calculado com Upside) |
| Alta potencial | 55% | 47% | 35% |
| Lucro esperado 2025 (em milhões de dólares) | US$ 1,046 | US$ 394 | US$ 771 |
| Lucro esperado 2026 (em milhões de dólares) | US$ 1,333 | US$ 429 | US$ 920 |
| ROEs (%) 2025E | 7% | 7% | 10% |
| ROEs (%) 2026E | 17% | 14% | 18% |
| P/E 2025E | 5,4x | 5,2x | 4,8x |
| P/E 2026E | 4,3x | 4,8x | 4,0x |
Fonte: Relatório Itaú BBA – Back on Track; Upgrading Argentina Banks to OP.
Desafios da Política Econômica
Com o novo cenário político, os analistas preveem que o governo argentino terá duas bases fundamentais de sustentação, especialmente em relação às políticas econômicas: a acumulação de reservas em dólares e a construção de um consenso para implementar reformas estruturais.
O primeiro aspecto toma contornos mais definidos à medida que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou dois empréstimos à Argentina — um através de swap cambial e outro voltado para a compra de dívida — totalizando US$ 40 bilhões, que servirão para reforçar as reservas argentinas.
No entanto, o segundo desafio é considerado mais complexo. Embora as reformas estruturais sejam vistas como benéficas a longo prazo, seus resultados imediatos tendem a ser impopulares. Ademais, Milei ainda enfrenta mais dois anos de mandato sem uma maioria absoluta no Congresso.
Os resultados da mais recente eleição, realizada no domingo, dia 26, proporcionaram ao governo uma minoria de um terço das cadeiras em ambas as Casas Legislativas, o que é crucial para garantir a sustentação de vetos presidenciais e evitar um eventual impeachment do presidente.
O LLA obteve um total de 92 assentos na Câmara e 19 no Senado, totalizando 257 e 72 cadeiras, respectivamente. No entanto, será necessário estabelecer acordos sólidos para que as propostas sejam aprovadas de maneira relativamente tranquila no Congresso.
Por último, a construção de parcerias não deve apresentar grandes dificuldades, visto que o peronismo — a principal oposição a Milei — estagnou como a terceira maior força na disputa eleitoral, sendo superado por correntes de centro-direita.
Fonte: www.moneytimes.com.br