Com o aumento dos combustíveis, companhias aéreas elevam preços e reduzem rotas.

Aumento dos Preços do Combustível Aéreo

As companhias aéreas globais emitiram um alerta nesta terça-feira, dia 17, sobre o aumento dos preços do combustível de aviação, uma consequência da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Esse cenário está gerando custos adicionais que podem alcançar centenas de milhões de dólares, além de provocar aumento nas tarifas e cortes em algumas rotas.

Impactos nas Companhias Aéreas

Ed Bastian, presidente-executivo da Delta Air Lines, relatou que o aumento significativo nos preços do combustível de aviação elevou os custos da companhia em até US$ 400 milhões somente em março. Durante uma conferência industrial do J.P. Morgan, ele destacou que o setor está atuando rapidamente para repassar essas despesas adicionais por meio de aumentos nas tarifas.

A American Airlines também manifestou preocupação, informando que espera um crescimento de US$ 400 milhões nas despesas do primeiro trimestre devido aos custos elevados com combustível.

Reações no Setor

A SAS AB, maior companhia aérea da Escandinávia, foi uma das primeiras a tomar providências, anunciando cortes em um número limitado de voos devido ao "aumento acentuado e repentino" dos preços dos combustíveis. A empresa declarou em um e-mail que "todo o sistema de aviação europeu está sentindo agora a pressão de um choque repentino de combustível".

A situação se agrava com a guerra, que já está em sua terceira semana e trouxe instabilidade à aviação global. Muitos voos têm sido cancelados, reprogramados ou redirecionados, uma vez que a maior parte do espaço aéreo no Oriente Médio permanece fechada em função de preocupações com possíveis ataques de mísseis e drones.

Desafios no Combustível de Aviação

Os preços do combustível de aviação se tornaram um desafio significativo enfrentado pelo setor, elevando os custos operacionais. Os preços na Europa dobraram, enquanto na Ásia os valores aumentaram quase 80% desde o final de fevereiro, quando começaram os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

Tradicionalmente, o combustível representa a segunda maior despesa do setor aéreo, logo após os custos com mão de obra, e costuma corresponder a aproximadamente 20% a 25% dos custos operacionais. Vale ressaltar que as companhias aéreas dos EUA deixaram de fazer hedge de combustível nas últimas duas décadas. A SAS AB informou que não fez proteção contra os preços do combustível para o consumo projetado nos próximos 12 meses.

Fechamento do Espaço Aéreo

Os Emirados Árabes Unidos interromperam temporariamente seu espaço aéreo nesta terça-feira, dia 17, em resposta a ameaças de mísseis e drones por parte do Irã. Essa interrupção marca o segundo dia consecutivo de tais medidas, que se intensificaram após um drone provocar um incêndio próximo ao aeroporto de Dubai na segunda-feira, dia 16.

Cerca de 86 mil passageiros que transitavam pelo aeroporto de Frankfurt, um dos maiores da Europa, foram afetados por cancelamentos nas duas primeiras semanas da guerra. O presidente-executivo do aeroporto, Stefan Schulte, destacou que atualmente apenas um terço das conexões semanais entre o aeroporto e o Oriente Médio está em operação.

Ondas de Choque do Conflito

Os alertas sobre os crescentes custos demonstram como as repercussões do conflito afetam o setor da aviação de maneira ampla, ultrapassando as fronteiras do Oriente Médio. As companhias aéreas estão enfrentando uma de suas maiores crises desde o auge da pandemia de Covid-19.

Bastian, da Delta, mencionou que a companhia está bem posicionada para lidar com os custos de combustível e pode ajustar sua capacidade caso os altos preços permaneçam. No entanto, ele também ressaltou a necessidade de cautela ao aumentar tarifas em um cenário de confiança do consumidor ainda frágil.

Medidas de Resposta das Companhias

A Air France-KLM anunciou, na semana passada, planos para aumentar os preços das passagens de longa distância como forma de compensar o aumento dos custos com combustível. Algumas companhias também implantaram sobretaxas de combustível, embora esses novos encargos possam impactar negativamente os lucros.

A American Airlines divulgou, nesta terça-feira, que espera um crescimento superior a 10% na receita do primeiro trimestre, superando a previsão anterior de 7% a 10%, devido à demanda que excedeu as expectativas. Contudo, a empresa alertou que seu prejuízo ajustado por ação agora se aproxima do limite inferior da faixa de orientação prévia, que era entre US$ 10 e 50 centavos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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