Comércio de energia no Brasil cai devido a mudanças e limitações de crédito

Volume de energia no mercado livre no Brasil

O volume de energia negociada em contratos no mercado livre no Brasil registrou uma queda significativa de quase 40% neste ano. Essa diminuição é atribuída, entre outros fatores, a restrições de crédito e à adaptação dos negociantes às mudanças estruturais na matriz elétrica do país, em particular a crescente inserção da geração solar, que tem gerado alta volatilidade nas cotações diárias.

Análise do BBCE

A análise foi realizada pelo Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), uma plataforma eletrônica responsável pela transação de ativos de energia no Brasil. Esta plataforma é considerada uma das principais fontes de informação sobre as operações de energia no país.

Segundo dados da BBCE divulgados antecipadamente à agência de notícias Reuters, entre janeiro e setembro deste ano, o trading de energia caiu 37,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 307,341 terawatts-hora (TWh). Em termos financeiros, essa redução foi de 3%, com um total de R$ 70,1 bilhões, valor que foi sustentado por preços mais elevados.

Volatilidade dos preços de energia

Os preços da energia no mercado spot têm apresentado volatilidade acentuada neste ano. Essa situação é resultado de uma mudança promovida pelo governo em modelos computacionais de precificação, o que, em teoria, deveria favorecer as negociações. No entanto, o mercado tem adotado uma postura de cautela devido a uma série de fatores.

Um dos principais desafios é o processo de aprendizado sobre como operar estratégias de comercialização em um cenário de modificações na matriz elétrica brasileira, que afetam diretamente os preços de energia no curto prazo. A maior penetração da fonte solar é uma das causas dessa nova dinâmica.

Fatores que impactam o preço da energia

Eduardo Rossetti, diretor-executivo Comercial, de Produtos, Comunicação Externa e Marketing da BBCE, destaca que a volatilidade dos preços de energia sempre esteve associada ao regime de chuvas. Esse regime é crucial para a produção das hidrelétricas, que dependem da água armazenada em seus reservatórios e que influenciam os custos de geração no Brasil.

Nos últimos anos, a energia solar tornou-se uma fonte significativa na matriz elétrica, atualmente ocupando a segunda posição, o que tem refletido diretamente no preço horário da energia. É comum observar que o preço spot caia ao piso regulatório de R$ 58,6 por megawatt-hora (MWh) no meio do dia, durante o pico de geração solar, enquanto em outros momentos, pode ultrapassar R$ 250.

“O mercado está habituado a lidar com o risco hidrológico, mas a complexidade da matriz está aumentando. Agora, os fatores de volatilidade são muito variados”, observa Rossetti. Ele enfatiza que os operadores precisam se adaptar às novas realidades do mercado, abandonando conceitos antigos sobre a matriz energética.

Restrição de crédito e impacto no mercado

Outras questões, como as restrições de crédito impostas desde o final do ano passado, também têm contribuído para a cautela dos agentes no mercado. A insolvência da comercializadora Gold Energia afetou a confiança no setor, dependendo da situação financeira das empresas do setor para a realização de transações.

Segundo Rossetti, é essencial para os participantes do mercado entender a natureza da volatilidade dos preços e a capacidade de antecipar essas mudanças. Além disso, a pergunta sobre se existe liquidez suficiente para entrar e sair das posições também é crucial.

O diretor da BBCE ressalta que a queda nos contratos neste ano se deve em parte a uma base comparativa forte em 2024. No ano anterior, o mercado viu valores recordes na negociação de energia, impulsionados por uma seca severa e por aumentos de demanda que intensificaram a volatilidade e incentivaram os negócios entre comercializadoras, geradoras e consumidores.

A liberalização do mercado para consumidores de menor porte no ano passado também teve um impacto significativo. Isso levou os agentes a buscar lastros para suas vendas de energia no chamado “varejo” elétrico.

Mudança de tendência e expectativas futuras

As negociações de energia começaram a mostrar sinais de recuperação em outubro, com a chegada das chuvas no mês, sinalizando uma possível mudança na tendência de preços. De acordo com a análise da BBCE, os preços caíram abaixo do nível de R$ 300/MWh durante este período.

“Observamos que os mapas de precipitação estão indicando níveis de chuva acima das expectativas. Além disso, presenciamos um aumento nas transações nos primeiros dias de outubro”, afirma o diretor.

A expectativa de Rossetti é que o quarto trimestre de 2023 apresente resultados mais positivos em termos de transações em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o mercado praticamente estagnou devido às incertezas relacionadas a um possível default da comercializadora Gold. Essa empresa tinha contratos com diversos grandes agentes do setor elétrico brasileiro.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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