Calor extremo na Europa e suas consequências
Enquanto o fenômeno climático conhecido como El Niño impede que os brasileiros guardem as roupas de frio, na Europa, essa mesma ocorrência está causando calor extremo, o que, por sua vez, está resultando em situações alarmantes, como o afundamento de prédios.
A vivência do verão europeu é um sonho para muitos, mas neste ano, essa experiência se transforma em um verdadeiro pesadelo. Pela primeira vez, a estação está gerando danos significativos nas infraestruturas, como rachaduras nas paredes, portas emperradas e janelas deformadas.
Londres e demais cidades do sudeste da Inglaterra estão enfrentando uma intensa onda de calor, a qual nunca havia sido registrada antes. Como resultado, escolas estão sendo fechadas, trilhos de trem estão se deformando e, até mesmo, residências estão afundando.
Por que casas estão afundando na Europa?
A combinação de calor e seca está levando à ocorrência de um problema conhecido como subsidência do solo. Na prática, isso significa que, à medida que o calor resseca o solo urbano, o terreno passa a deslocar-se e encolher, puxando os edifícios para baixo, o que gera um impacto negativo nas estruturas.
O solo na região do Reino Unido é predominantemente argiloso. Assim, quando se encontra úmido, este solo se comporta como uma esponja, absorvendo água e, consequentemente, se expande.
Porém, ao passar a ficar seco, o solo sofre um processo conhecido como “encolhimento-expansão” (shrink-swell). Isso resulta em uma diminuição desigual do solo sob as fundações das construções, levando ao afundamento dos imóveis, o que gera rachaduras e danos estruturais diversos.
Além de registrar com frequência as maiores temperaturas do país, Londres se torna ainda mais propensa a esse fenômeno devido às características do solo em que foi construída. O solo londrino é composto por minerais expansivos que são extremamente sensíveis às variações de umidade.
Outro fator agravante são as raízes das árvores e plantas. Durante períodos de calor, estas raízes crescem em busca de água, movimentando-se em direção ao solo mais úmido disponível nas proximidades. Essa busca por umidade resulta na secagem ainda maior do terreno ao redor.
A situação é ainda mais preocupante, pois imóveis mais antigos são os mais suscetíveis ao problema de subsidência. Aproximadamente mais da metade das casas na cidade foram erguidas antes de 1945, tornando-se alvos mais vulneráveis a esse fenômeno.
Dados indicam que em várias áreas de Londres, 100% dos imóveis podem estar sujeitos a risco possível ou provável de subsidência até 2030, incluindo regiões centrais como Kensington, City of London e Westminster. Essa informação foi divulgada em uma apuração realizada pela CNN em parceria com a seguradora britânica Aviva.
O impacto no setor imobiliário
A investigação da CNN também conversou com Bob Gibson, especialista em subsidência e diretor da consultoria Building & Structural Consultants. Gibson relata que, ao iniciar suas atividades na área há 40 anos, o problema se limitava a algumas regiões do sudeste da Inglaterra, mas a situação se ampliou com as mudanças climáticas que atualmente afetam diversas outras partes do Reino Unido.
Ele também esclareceu que nos verões quentes e secos, ocorre uma explosão no volume de pedidos de indenização relacionados à subsidência, evidenciando a seriedade da questão. No ano passado, o Reino Unido viveu um verão excepcionalmente quente, resultando em um desembolso recorde de US$ 415 milhões por parte do setor de seguros em indenizações conectadas a esse problema. Esse valor representa um aumento de 10% em comparação com 2024, conforme informações da Associação das Seguradoras Britânicas (ABI).
De acordo com Gibson, as expectativas são de que esses números aumentem ainda mais neste ano. No segundo trimestre de 2026, as seguradoras desembolsaram mais de US$ 97 milhões em indenizações relacionadas à subsidência no Reino Unido.
Os registros indicam que, em média, o valor das reivindicações alcançou um novo recorde de US$ 27 mil, um incremento de mais de US$ 2.700 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a ABI. Somente em Londres, estima-se que mais de 26% dos imóveis poderão ser afetados até 2070, caso o aquecimento global prossiga no ritmo atual, conforme dados do British Geological Survey (BGS).
Com informações da CNN
Sob supervisão de Ricardo Gozzi
Fonte: www.moneytimes.com.br
