A Petrobras anunciou, na noite de quarta-feira, 9 de outubro, um aumento de R$ 0,19 por litro na gasolina vendida às distribuidoras, além do cancelamento de um desconto de R$ 0,44. Contudo, horas depois, já na madrugada de quinta-feira, 10 de outubro, a empresa divulgou uma correção, esclarecendo que a mudança se referia apenas à suspensão do desconto, sem qualquer reajuste conforme inicialmente anunciado. A analista e editora de Economia da CNN, Lucinda Pinto, comentou sobre o assunto durante o programa CNN Prime Time.
O recuo nas declarações gerou desconfiança no mercado financeiro. Segundo Lucinda, a Petrobras não forneceu explicações satisfatórias para essa mudança de posição, levando assim analistas e investidores a interpretarem o episódio como uma possível intervenção do governo.
## Impacto sobre a governança da Petrobras
Os relatórios elaborados por analistas após o ocorrido ressaltaram o que eles denominam de “arranhão de governança” e suscitaram dúvidas sobre a capacidade da empresa de realizar decisões de maneira independente.
“Esse vai e vem soou para o mercado, para os analistas, como uma certa intervenção por parte do governo”, afirmou Lucinda Pinto. A analista enfatizou que, embora não tenha havido uma declaração oficial nesse sentido, ficou a impressão de que a empresa estaria “dando uma ajudinha para o governo”.
Lucinda Pinto também destacou que, apesar de a Petrobras ser controlada pelo governo, ela é uma empresa de capital misto, com uma significativa porção de suas ações detidas por investidores privados.
Dessa forma, o episódio acaba gerando um impacto negativo sobre a confiança destes investidores em relação à política de preços adotada pela estatal.
## Benefício para o consumidor, mas com ressalvas
Na prática, com a suspensão do reajuste e a diminuição de tributos promovida pelo governo, o preço da gasolina para o consumidor final estará reduzido em R$ 0,19 por litro.
“É uma boa notícia para as pessoas, é claro, mas do ponto de vista de governança e da confiança na política de preços da Petrobras, isso representa um arranhão significativo”, avaliou Lucinda Pinto.
A analista ainda alertou que este tipo de benefício tende a ser cobrado posteriormente. “Não existe almoço grátis”, advertiu, sugerindo que o desconto atual pode ter repercussões futuras para a companhia.
O cenário é ainda mais complexo devido ao recente aumento no preço do petróleo tipo Brent, que alcançou novamente valores próximos a US$ 108 o barril, pressionando ainda mais as finanças da Petrobras.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
