Concorrência dos EUA diminuirá exportações de soja do Brasil para a China em 2026, alerta Anec.

Exportação de Soja Brasileira para a China

A exportação de soja brasileira para a China deve registrar uma queda de aproximadamente 10 milhões de toneladas em 2026, quando comparada a 2025. Essa diminuição é atribuída à concorrência com os Estados Unidos, que enfrentaram dificuldades para vender o produto para os chineses no ano anterior, em decorrência da disputa tarifária. A avaliação foi feita nesta quarta-feira pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Projeções de Embarques

Em entrevista à Reuters, o diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes, revelou que a entidade, que representa as principais tradings do setor, prevê embarques de 77 milhões de toneladas de soja brasileira para a China em 2026, em contraste com os 87 milhões de toneladas projetados para 2025. Durante este último ano, a participação da China nas exportações brasileiras atingiu níveis históricos, favorecida pela disputa tarifária iniciada pelo ex-presidente Donald Trump.

Mendes também destacou que as vendas de soja dos Estados Unidos para a China, que aumentaram após uma trégua nas tensões comerciais entre Pequim e Washington, devem reduzir a demanda pelo produto brasileiro, que é o maior importador global da oleaginosa.

Expectativas de Fornecimento

“Levando em consideração o retorno do fornecimento de soja pelos Estados Unidos, o Brasil deverá manter os volumes de exportação observados nas últimas temporadas, com pelo menos 70% desse total destinado à China. Em números absolutos, isso representa um volume estimado de no mínimo 77 milhões de toneladas”, afirmou Mendes.

Ele reiterou que 2025 configurou-se como um ano atípico, decorrente das tarifas impostas pelos Estados Unidos e da consequente reorganização da demanda global. Esse cenário continua sendo uma preocupação, uma vez que as tensões geopolíticas permanecem latentes.

Qualidade e Competitividade do Produto

Mendes ponderou, porém, que a maior disponibilidade de soja esperada para este ano no Brasil, além da competitividade e da qualidade do produto brasileiro, tende a aumentar a capacidade do país de conquistar mercado na China em comparação a outros fornecedores.

Colheita e Safra

O Brasil está iniciando a colheita de soja em 2026, com previsões indicando um novo recorde, com a safra estimada em cerca de 177 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um crescimento superior a 3% em relação ao ciclo anterior.

Exportações Totais de Soja

Apesar da expectativa de queda nas exportações para a China, as projeções indicam que os embarques totais de soja brasileira devem atingir um novo recorde de 112 milhões de toneladas em 2026. Essa cifra se compara a um recorde de aproximadamente 109 milhões de toneladas registrado em 2025, segundo dados preliminares da Anec.

A exportação total crescerá, mesmo com a diminuição dos embarques para os chineses, pois o Brasil está ampliando suas vendas para outros mercados importantes localizados na Ásia e na Europa, conforme mencionado por Mendes.

Mercados Alternativos

Entre os principais destinos destacados, estão a Espanha, Tailândia, Turquia, Irã, Paquistão, Vietnã, Taiwan e Holanda, entre outros mercados significativos. Mendes também comentou que as exportações de soja brasileira em 2025 ficaram levemente abaixo da previsão de 110 milhões de toneladas, devido a condições climáticas que impactaram os embarques de dezembro. Contudo, o volume não exportado no mês anterior será contabilizado para janeiro.

Exportações de Farelo de Soja e Milho

A Anec também projetou um crescimento nas exportações de farelo de soja e milho do Brasil para o novo ano. Para o farelo de soja, as exportações devem totalizar 24 milhões de toneladas em 2026, em comparação com cerca de 23 milhões de toneladas em 2025. Por sua vez, a exportação de milho deve atingir 44 milhões de toneladas em 2026, conforme Mendes, um aumento em relação aos aproximadamente 42 milhões de toneladas previstos para 2025. Vale ressaltar que o Brasil é um dos maiores exportadores tanto de milho quanto de farelo de soja.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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