Confira informações e dados sobre o que pode ser a maior oferta pública inicial da história.

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by Rafael Martins
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O IPO da SpaceX: uma operação histórica

O IPO da SpaceX, que ocorre nesta sexta-feira (12), é esperado para se tornar a maior operação de abertura de capital já registrada na história. Sob a liderança do bilionário Elon Musk, a empresa, inicialmente famosa por seus foguetes espaciais e posteriormente por seu serviço de internet via satélite, a Starlink, entrou na corrida da Inteligência Artificial desde fevereiro, após a fusão com a xAI. A companhia planeja captar US$ 75 bilhões com ações precificadas a US$ 135, o que atribuiria a ela um valor de mercado em torno de US$ 1,75 trilhão.

De acordo com informações da Bloomberg, o interesse dos investidores pela ação da SpaceX já resultou em uma busca superior a US$ 70 bilhões.

Comparativo com grandes IPOs anteriores

Para ilustrar a magnitude deste IPO, é pertinente considerar outras grandes ofertas públicas de ações ocorridas anteriormente. Em 2019, a Saudi Aramco, a maior empresa de petróleo do mundo em reservas e produção, levantou aproximadamente US$ 29 bilhões em sua abertura de capital. Em 2014, o Alibaba, um dos gigantes chineses no setor de tecnologia e comércio eletrônico, arrecadou cerca de US$ 25 bilhões, conforme destaca Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

O que motiva o interesse dos investidores

Especialistas explicam que o entusiasmo por participar do IPO da SpaceX vai além dos lançamentos espaciais. O mercado está considerando uma combinação de ativos estratégicos, incluindo a liderança da empresa em transporte espacial, uma rede global de conectividade proporcionada pela Starlink, infraestrutura de defesa, a potencial integração com inteligência artificial e a habilidade de implementar projetos complexos em escala global. Segundo Celso Brandão, CEO e fundador da AVEX AI LAB, “o investidor não está apenas comprando uma empresa do setor espacial; ele está adquirindo uma participação em uma infraestrutura tecnológica que deve expandir significativamente nas próximas décadas”.

Os pilares estruturais da SpaceX

A fusão com a xAI, ocorrida em fevereiro, foi um movimento estratégico que alterou o posicionamento da SpaceX. Com essa união, a empresa reestruturou seu modelo de negócios em três segmentos principais: Espaço, Conectividade e Inteligência Artificial, que abrange a xAI, o sistema Grok e a plataforma de redes sociais X, segundo João Crapina, analista da Suno Research. Brandão também menciona a inserção estratégica da SpaceX nas áreas de defesa e segurança nacional, que estão se tornando cada vez mais relevantes no cenário geopolítico.

“O grande diferencial da SpaceX reside precisamente na intersecção desses pilares. Poucas empresas ao redor do mundo possuem simultaneamente controle sobre infraestrutura física, conectividade global, capacidade computacional e inteligência artificial, fazendo com que o mercado a veja menos como uma mera companhia aeroespacial e mais como uma plataforma tecnológica integrada”, afirma Brandão.

Receitas e prejuízos na SpaceX

A principal base da rentabilidade da SpaceX se encontra na rede Starlink. Em 2025, esse segmento gerou US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 4,4 bilhões em lucro operacional.

Entretanto, os demais setores enfrentam prejuízos significativos. A divisão de Inteligência Artificial registrou um prejuízo operacional de US$ 6,3 bilhões, enquanto a área de foguetes teve um prejuízo de US$ 657 milhões, fortemente impactado pelos custos de desenvolvimento da Starship, que totalizaram cerca de US$ 3 bilhões.

No resultado consolidado, a SpaceX obteve US$ 18,7 bilhões em receita, mas reportou um prejuízo operacional de US$ 2,6 bilhões. De acordo com Crapina, essa situação ocorre devido ao fato de que uma boa parte do caixa da empresa é reinvestida no próprio negócio. Em 2025, a companhia teve uma geração de caixa operacional de US$ 6,8 bilhões, mas investiu US$ 20,7 bilhões, resultando em um fluxo de caixa livre negativo de US$ 14 bilhões.

A maior parte desses investimentos foi direcionada para as áreas de IA e foguetes. Dos US$ 20,7 bilhões gastos, US$ 12,7 bilhões foram destinados ao segmento de IA, enquanto US$ 4,2 bilhões foram direcionados para Conectividade e US$ 3,8 bilhões para Espaço, conforme aponta Crapina.

“Se desconsiderarmos os investimentos em IA e no desenvolvimento de foguetes, a empresa atualmente teria um fluxo de caixa livre positivo. O próprio IPO, em parte, tem como objetivo recompor a liquidez e manter o ritmo de investimentos nessas áreas, especialmente em IA”, analisa Crapina.

Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio fundador da Stratton Capital, também acredita que a estratégia de reinvestir os lucros faz sentido, dado que a empresa investe em áreas de alto potencial, mas que apresentam riscos financeiros elevados. Ele observa que no primeiro trimestre de 2026, por exemplo, a empresa desembolsou US$ 16,7 bilhões em investimentos, com uma geração de apenas US$ 1 bilhão em caixa operacional. Esse déficit foi parcialmente compensado por captações no mercado.

Considerações sobre o investimento no IPO da SpaceX

Mais do que a avaliação da qualidade do negócio em si, os investidores devem estar atentos ao valuation, conforme mencionado por Praça. Isso envolve analisar se o preço das ações está compatível com as expectativas de geração de caixa futura da empresa.

“Aqueles que participarem do IPO estarão apostando que a companhia continuará a expandir suas receitas, lucros e participação de mercado nos próximos anos. O potencial de crescimento a longo prazo é enorme, mas as expectativas também são extremamente altas, o que eleva o risco de volatilidade no caso de os resultados não corresponderem ao entusiasmo do mercado”, diz Praça.

Para avaliar a entrega dos resultados, é necessário levar em conta os riscos envolvidos. Crapina observa que muitos dos projetos da SpaceX ainda não têm comprovação de viabilidade.

“Historicamente, investir em IPO não tem se mostrado uma boa estratégia. Muitas empresas optam por abrir seu capital em momentos favoráveis de mercado, com valuations elevados, a fim de captar ao máximo de recursos. Mesmo que a empresa tenha qualidade, pagar um preço alto pode não valer a pena. O preço é um fator crucial e, por isso, não vemos sentido em participar dessa oferta”, afirma Crapina.

Cabral também destaca que empresas como Apple, Google, Amazon e Microsoft estão negociando em múltiplos significativamente mais baixos. “Elas são altamente rentáveis, apresentam baixo endividamento e dominam segmentos de mercado atraentes”, comenta.

Brandão ressalta a importância de o investidor focar menos nos lucros de curto prazo e mais na capacidade da empresa de desenvolver ativos estratégicos para o longo prazo. “Iniciativas como redes de satélites, data centers e infraestrutura computacional exigem investimentos bilionários, mas criam barreiras quase insuperáveis para a entrada de concorrentes”, explica. “O desafio consiste em encontrar um equilíbrio entre um crescimento acelerado e a geração sustentável de caixa nos anos futuros”, conclui.

Formas de investimento na SpaceX

No Brasil, os investidores poderão participar do IPO diretamente por meio do BDR da SpaceX, que será lançado pela B3 na mesma data do IPO. O investimento pode ser realizado através do broker da corretora utilizando o código SPCX34.

A B3 informou que não será necessário investir US$ 135 por ação — equivalente a R$ 675 — uma vez que a estrutura do BDR terá uma paridade de 1:15. Isso significa que cada ação da SpaceX será fracionada em 15 partes, resultando na negociação de 15 BDRs na B3. Assim, a expectativa é que o preço de abertura fique entre R$ 50 e R$ 70.

Os BDRs representam ações de empresas estrangeiras e possuem a sigla Brazilian Depositary Receipt. Já estão disponíveis para empresas como Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia, Tesla, Netflix, Disney, Coca-Cola e McDonald’s, de acordo com informações da B3. Até o final de abril, mais de 1 milhão de pessoas possuíam BDRs em suas carteiras de investimento.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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