Destaques da Semana no Money Picks
A primeira semana de março foi caracterizada por intensa volatilidade nos mercados. O anúncio de novas tarifas pelo governo de Donald Trump, junto ao agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, resultou em um aumento substancial no preço do petróleo, provocando incertezas em todo o cenário financeiro global.
Cenário do Mercado
As bolsas de valores ao redor do mundo experimentaram um período de instabilidade, o que levou analistas a formularem recomendações de investimentos que podem ser lucrativas durante esses períodos incertos.
1 – Petrobras (PETR4) ou Prio (PRIO3)?
O tensionamento das relações entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo, sob o olhar atento dos investidores. Aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido globalmente transita por essa área. Recentemente, as restrições de navegação impostas pelo Irã resultaram em um congelamento quase total do tráfego de navios, fazendo com que o preço do petróleo subisse mais de 23% em menos de 48 horas, com o valor do Brent ultrapassando a marca de US$ 80 por barril.
Diante desse cenário, as petroleiras ganharam destaque nas análises de mercado. O banco BTG Pactual destacou que a PRIO pode ser uma das empresas mais favorecidas pela expectativa de continuidade na alta do preço do petróleo, devido à sua significativa exposição ao Brent. Além disso, a operação do campo de Wahoo, que começará em breve, pode melhorar consideravelmente os resultados financeiros da companhia nos trimestres futuros.
Por outro lado, a Petrobras também deve se beneficiar do aumento nos preços do petróleo, posicionando-se como um dos destaques do Ibovespa (Ibov), com ações negociando próximas às suas máximas históricas. Entretanto, analistas alertam que uma parte significativa da produção da estatal é destinada a abastecer suas próprias refinarias, o que pode atenuar o impacto direto da alta nos resultados financeiros.
Outros ativos que foram mencionados incluem PetroReconcavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3). Contudo, o Bradesco BBI advertiu que apostar no setor apenas devido ao conflito pode ser uma estratégia arriscada, dadas as flutuações do mercado.
2 – Moura Dubeux (MDNE3)
O Bradesco BBI aumentou a estimativa do preço-alvo para as ações da Moura Dubeux, agora fixado em R$ 47, um aumento em relação aos R$ 40 anteriores. Essa correção indica um potencial de valorização que pode atingir até 50%, dependendo do momento da compra. A revisão ocorreu após a companhia ter realizado uma oferta pública de ações que arrecadou quase R$ 500 milhões.
De acordo com os analistas, essa operação quase dobrou a liquidez das ações da companhia, que passaram de cerca de R$ 10 milhões para aproximadamente R$ 40 milhões em volume de negociação diária. Os recursos obtidos devem contribuir para a saúde financeira da empresa, facilitar lançamentos sob a marca Única—que atua no programa Minha Casa, Minha Vida—e permitir a geração de dividendos maiores.
Atualmente, a Moura Dubeux possui cerca de R$ 2 bilhões em projetos e mantém uma parceria com a Direcional (DIRR3) para o desenvolvimento de parte de seus empreendimentos. As projeções indicam um crescimento considerável nos próximos anos, com lançamentos que podem atingir R$ 5 bilhões anuais a partir de 2027, unindo expansão operacional e retorno potencial aos acionistas.
3 – Copel (CPLE3)
A Copel também é mencionada entre as empresas que podem oferecer uma combinação atrativa de crescimento e pagamento de dividendos. Analistas elevaram o preço-alvo das ações para R$ 17, enfatizando que a empresa está bem posicionada para se beneficiar da tendência de alta nos preços da energia.
Outro fator que pode contribuir de maneira significativa para o desempenho da empresa é o próximo leilão de capacidade de reserva, o qual pode expandir as fontes de receita e o fluxo de caixa da companhia nos anos seguintes. Esse movimento pode ainda fortalecer a posição da Copel no setor elétrico.
Avaliações realizadas pelo banco Safra indicam que as ações da Copel ainda estão sendo negociadas a múltiplos considerados vantajosos, o que sugere uma taxa interna de retorno promissora. Além disso, a previsão é de um dividend yield mínimo de 7,2%, com a possibilidade de crescimento adicional caso novas oportunidades de expansão sejam concretizadas.
4 – Bônus: Cyrela (CYRE3)
Com a chegada do mês de março, o mercado está cada vez mais otimista com a possibilidade de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes na taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar das tensões geopolíticas no cenário internacional, alguns investidores estão precificando a possibilidade de redução da taxa de juros ainda este mês.
Nesse contexto, algumas empresas devem se beneficiar diretamente de juros mais baixos. Os analistas da Empiricus destacam a Cyrela como uma das companhias que podem se beneficiar positivamente de um eventual ciclo de queda da Selic. Isso se deve ao fato de a incorporadora ter uma forte presença no segmento de média renda, que normalmente reage de forma rápida à diminuição dos custos de crédito. Além disso, a Cyrela apresenta uma estrutura de capital defensiva, disciplina financeira e múltiplos considerados descontados, atualmente cotando a aproximadamente 5,6 vezes o lucro projetado para 2026.
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Fonte: www.moneytimes.com.br