Conflito no Irã afeta mercado de fertilizantes; impacto é mais forte nos EUA e na Europa do que no Brasil.

Impactos da Ofensiva dos EUA no Irã no Mercado de Fertilizantes

A ofensiva dos Estados Unidos no Irã já começa a refletir-se no mercado de fertilizantes, gerando incertezas sobre as consequências comerciais do conflito para o agronegócio brasileiro. As apreensões se intensificam especialmente devido ao papel estratégico do Irã no fornecimento de gás natural, que é a principal matéria-prima para a produção de fertilizantes nitrogenados.

Participação do Irã no Mercado de Ureia

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 35% da ureia importada pelo Brasil, com o Irã representando 2,4% deste total. Embora a participação direta do Irã não seja significativa, o país desempenha um papel importante na dinâmica regional de oferta. A produção de ureia no Irã estava paralisada desde dezembro, mas havia previsões de retomada. Segundo Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado, o mercado já estava considerando a ausência do Irã. Contudo, com o agravamento do conflito, o cenário de incertezas aumentou.

Efeitos nos Custos de Produção

Além disso, existem perspectivas de aumento nos preços do petróleo e do gás natural. Isso pode encarecer tanto os custos de produção quanto os custos logísticos envolvidos na operação das indústrias de nitrogenados na região. Essa elevação nos preços já é perceptível em alguns mercados internacionais, com a ureia registrando um aumento de até 13%, passando de US$ 485-490 para US$ 550 por tonelada no Egito, em função das preocupações referentes aos fluxos comerciais no Estreito de Ormuz. Entre os principais fornecedores de ureia para o Brasil estão Omã, Catar e Arábia Saudita, todos com relevância no comércio global e potencialmente vulneráveis a riscos logísticos e de custos.

Monitoramento do Mercado e Logística

O mercado também observa atentamente a cotação do dólar, os preços do petróleo e do gás natural, uma vez que estes fatores impactam diretamente o custo do frete, os seguros marítimos e a precificação final dos fertilizantes. Do ponto de vista logístico, o conflito tem o potencial de elevar prêmios de seguro e dificultar o envio de cargas provenientes do Oriente Médio.

Menor Impacto Imediato para o Brasil

Apesar do cenário de alta, o Brasil não está, no presente momento, em um pico de compras. Sazonalmente, as importações de ureia são reduzidas neste período do ano. Além disso, o sulfato de amônio tem sido utilizado como alternativa desde o ano passado, considerando os preços elevados da ureia. No mercado interno, há uma suspensão temporária das listas de preços até que os impactos sejam adequadamente avaliados.

Fatores Adicionais de Pressão na Ureia

Previamente, a ureia já enfrentava pressão devido a restrições de oferta, especialmente em função das cotas de exportação da China, além das tensões geopolíticas nas regiões da Rússia e Venezuela e da elevada demanda da Índia. A Índia está atualmente realizando grandes licitações, enquanto a Europa e os Estados Unidos estão em plena temporada de compras para o plantio da primavera, o que tende a fazer com que esses países sintam primeiro os efeitos das altas nos preços.

Planejamento para Novas Aquisições

A expectativa é que o Brasil também enfrente reajustes nas próximas semanas, mas o país possui mais tempo para planejar as compras para a safra 2026/27. A principal demanda brasileira é para a segunda safra, cujas aquisições já estão praticamente finalizadas. No curto e médio prazo, não há, entretanto, fatores claros que indiquem uma diminuição nos preços. Como referência, após um ataque de Israel ao Irã em junho do ano passado, a ureia teve um aumento de 18% entre junho e julho, atingindo o máximo anual. Naquele momento, porém, o Brasil estava no auge das compras, o que ampliou o impacto.

Petróleo e Commodities Agrícolas

Dentre as commodities, o petróleo é o ativo que mais diretamente sente os efeitos, em razão da importância do Oriente Médio na oferta global.

Reação do Mercado de Soja

De acordo com Raphael Bulascoschi, analista de mercado da StoneX, algumas commodities agrícolas já estão sendo influenciadas pela alta do petróleo. O óleo de soja, por exemplo, que já estava experimentando uma valorização significativa em 2026 devido a novas diretrizes dos Estados Unidos para biocombustíveis, ganhou um novo elemento que propicia sua valorização em meio ao conflito. O ataque ao Irã também oferece suporte ao óleo de soja, auxiliando na sustentação do preço da soja em grão. Em contrapartida, o farelo de soja apresentou uma queda significativa, uma vez que em tempos de maior aversão ao risco, esse derivado tende a sofrer penalizações, limitando ganhos mais expressivos do complexo.

Comportamento do Milho

No mercado do milho, as flutuações são mais técnicas, com o contrato apresentando uma desvalorização de 0,72% na CBOT por volta das 15h57 desta segunda-feira (2), após uma alta de aproximadamente 2% na semana anterior. Bulascoschi analisa que o impacto sobre o milho tende a ser indireto e até com viés de baixa. O Irã é um significativo importador de milho, especialmente do Brasil, tendo sido o principal destino do milho brasileiro em 2024, com aquisições que ultrapassaram 9 milhões de toneladas. A incerteza sobre os fluxos de exportações para o Irã é preocupante, mas caso essas quantidades não sejam embarcadas, elas provavelmente serão redirecionadas para outros mercados, aumentando a competitividade global da oferta e pressionando os contratos em Chicago.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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