
Jorge Cury, presidente da Secovi-SP, destacou nesta quarta-feira (26) que os principais desafios enfrentados pelo setor imobiliário incluem a elevada taxa de juros e a atual situação fiscal, que continuam a exercer pressão sobre o mercado e o consumo no Brasil.
Após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a taxa de juros real do Brasil se estabeleceu em 9,33%, colocando o país em segundo lugar no ranking global, apenas atrás da Rússia, que tem uma taxa de 9,67%, conforme informações divulgadas pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, em agosto deste ano.
Cury comentou que “esse nível de taxa sufoca a capacidade de investimento do setor produtivo e restringe de forma drástica o acesso da população ao crédito imobiliário de longo prazo”, em sua declaração durante a Convenção Secovi-SP de 2026.
Ele ainda afirmou que, apesar dos desafios que essa situação impõe ao setor, encontrar uma solução para o cenário atual também é um dos grandes desafios que o mercado enfrenta.
Preocupações Fiscais
Mesmo com as recentes quedas na taxa Selic, que atualmente se encontra em 14%, o setor produtivo brasileiro tem exigido uma maior responsabilidade fiscal para o ano de 2027.
Conforme Cury, essa responsabilidade fiscal é fundamental para que as quedas nas taxas de juros se tornem mais consistentes. “Isso é tão importante quanto a segurança jurídica. A reforma tributária, tal como está, é inaplicável”, afirmou.
Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics, corroborou a análise de Cury durante sua participação no primeiro painel do dia, fazendo uma comparação entre a situação interna e as políticas tributárias de países mais desenvolvidos.
Segundo ele, “nos Estados Unidos, por exemplo, o país está vivendo um processo de desregulamentação, desburocratização e cortes de impostos. Além disso, a carga tributária, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), está diminuindo nos EUA, diferentemente do que ocorre no Brasil”.
Em agosto deste ano, a carga tributária no Brasil atingiu um recorde de 32,4% do PIB, conforme dados revisados e divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Troyjo alertou que essa elevada carga pode se tornar um fator limitante para os investimentos no país. A redução das atividades comerciais na China poderá direcionar o capital que lá está aplicado para outras nações, como o Brasil.
Entretanto, ele ressaltou que a questão fiscal e a elevada burocracia poderiam desviar esses investimentos para países que já oferecem um ambiente mais favorável aos novos investidores, como os Estados Unidos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
