Trégua em Gaza em Momento Crítico
As negociações para consolidar a trégua apoiada pelos Estados Unidos na guerra em Gaza atravessam um momento considerado “crítico”, conforme declarado pelo primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, em um painel de discussão na conferência do Fórum de Doha, realizada no Catar, neste sábado, 6 de outubro.
Segundo al-Thani, os mediadores estão se esforçando para avançar para a próxima fase do cessar-fogo. Embora a violência tenha diminuído, ela não cessou por completo desde que a trégua foi implementada em 10 de outubro, resultando na morte de pelo menos sete pessoas neste sábado.
“Estamos em um momento crítico. Ainda não chegamos lá. O que acabamos de alcançar deve ser visto apenas como uma pausa”, enfatizou al-Thani. “Neste estágio, não podemos considerar ainda um cessar-fogo. Um cessar-fogo só pode ser oficialmente estabelecido após a retirada total das forças israelenses. Até que haja estabilidade em Gaza, com a possibilidade de movimentação livre das pessoas, a situação atual não pode ser considerada segura.”
Negociações sobre Segurança Internacional
As conversas sobre os próximos passos do plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra de dois anos no enclave palestino seguem em andamento. Na última quinta-feira, uma delegação israelense se reuniu no Cairo com mediadores para discutir o retorno do último refém ainda mantido em Gaza, um passo que completaria uma fase inicial do plano de Trump.
Desde o início da trégua, o grupo Hamas devolveu todos os 20 reféns vivos e 27 corpos, enquanto Israel, em troca, liberou cerca de 2.000 detidos palestinos e prisioneiros condenados.
Israel anunciou que abriria a passagem de Rafah para a saída de pessoas pelo Egito em breve e que permitiria o ingresso de suprimentos e pessoas em Gaza por essa mesma passagem, assim que o último refém que perdeu a vida fosse devolvido.
Plano de Governo e Desafios
O plano de Trump propõe a criação de um governo palestino tecnocrático interino em Gaza, que seria supervisionado por um “conselho de paz” internacional e apoiado por uma força de segurança internacional. No entanto, chegar a um consenso sobre a composição e as funções dessa força tem se mostrado um desafio significativo.
Apesar da redução das hostilidades, Israel mantém suas operações militares em Gaza, focando na destruição do que considera a infraestrutura do Hamas. Tanto o Hamas quanto Israel têm se acusado mutuamente pelas violações ocorridas.
Autoridades de saúde palestinas relataram que o fogo israelense resultou na morte de sete pessoas em localidades como Beit Lahiya, Jabalia e Zeitoun, localizadas no norte de Gaza, neste sábado. Entre as vítimas, estava uma mulher de 70 anos, que faleceu em decorrência de um ataque realizado por um drone.
Por outro lado, o exército israelense afirmou que em dois incidentes distintos ocorridos neste sábado, suas forças, posicionadas ao norte de Gaza e além da linha amarela de retirada estabelecida no cessar-fogo, dispararam contra militantes palestinos que haviam ultrapassado essa linha, resultando na morte de três indivíduos.
Um porta-voz do exército israelense declarou não ter conhecimento de qualquer ataque realizado por drone.
Fonte: www.moneytimes.com.br