Copom aguarda mais informações antes de reduzir juros, mas já deve reconhecer os avanços da economia, afirma Padovani.

Expectativas do Banco Central sobre a Selic

O Banco Central (BC) deve esperar mais dados antes de iniciar cortes na Selic, mas é provável que reconheça os avanços da economia brasileira no comunicado da reunião programada para esta quarta-feira, dia 10. Esta análise foi feita por Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV e assessor do Ministério da Fazenda no contexto do Plano Real.

Decisões da Taxa de Juros

Conforme afirmou Padovani, a decisão mais esperada é a manutenção da taxa básica de juros. Entretanto, o foco maior do mercado está na comunicacão dos diretores do BC. O economista destacou que “ninguém espera um corte de juros, mas, mais do que a própria taxa básica, todos estão atentos à comunicação que será feita.”

O Comitê de Política Monetária (Copom) tem adotado ajustes graduais em sua comunicação e deve continuar nesse padrão. Essa abordagem é vista como adequada dentro do atual contexto inflacionário. Contudo, a expectativa é de que os membros mantenham um tom rígido para impedir que o mercado antecipe cortes de juros.

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Padovani mencionou que “o BC deve manter a taxa básica e também uma comunicação rigorosa, pois a situação ainda não foi completamente resolvida. Caso a comunicação mude permitindo a expectativa de cortes, os mercados futuros começarão a prever essas mudanças.”

Avanços Econômicos e Inflação

Entre os avanços que Padovani destacou, está a desaceleração da atividade econômica, que vem crescendo de maneira mais próxima à sua capacidade total. “A atividade econômica apresenta uma desaceleração, e está crescendo de forma mais próxima dos limites sustentáveis”, afirmou ele. Além disso, ele apontou que esta desaceleração já influencia os preços, com a inflação apresentando um crescimento mais lento. “A inflação começou a desacelerar e está subindo em um ritmo menor, o que indica que o cenário está se aprimorando.”

No entanto, o economista observa que esses progressos ocorrem em um ritmo mais lento do que o desejado. “Esses processos estão se desenvolvendo na direção correta de acordo com os objetivos do Banco Central, mas de forma lenta”, disse Padovani.

Em função desse cenário, o Banco BV prevê que o início do ciclo de cortes de juros ocorrerá apenas em março, considerando os padrões da inflação e as expectativas em torno dela. “Observamos uma redução moderada na inflação atual, e as expectativas de inflação ainda não estão se alinhando em direção à meta de 3%.”

Para que o BC se sinta apto a iniciar a flexibilização da política monetária, Padovani indica que a convergência das expectativas de inflação é a condição principal. “O sinal mais claro de que o BC pode começar a reduzir juros será a confirmação de que as expectativas de inflação estão convergindo efetivamente.”

Expectativas de Longo Prazo

Padovani destaca a importância de não limitar a análise a um único horizonte temporal. “As expectativas de inflação devem ser monitoradas não apenas para 2026, mas também para os anos de 2027 e 2028.” Ele ressalta que a preocupação não está apenas em cortes pontuais de juros, mas na continuidade desse processo. “É necessário ter certeza de que essa convergência das expectativas acontecerá de forma sustentada em direção à meta de 3%.”

Ainda segundo Padovani, o BC deve manter condições financeiras rígidas por um período mais prolongado para evitar reações precipitadas por parte dos mercados. “O Banco Central precisa de mais informações antes de comunicar uma estratégia mais clara de possíveis cortes na taxa de juros”, declarou ele.

Quando o ciclo de cortes se iniciar, a previsão do Banco BV é de que os ajustes serão lentos e cautelosos, com reduções de 0,25 ponto percentual. O ritmo desses cortes dependerá da segurança em relação às projeções futuras. O banco prevê que a Selic atinja 12% ao final de 2026.

Impactos das Eleições sobre a Selic

De acordo com o economista do BV, a eleição de 2026 não será o maior desafio enfrentado pelo Banco Central; ao contrário, a incerteza em relação ao ambiente econômico será um fator mais desafiador. “O principal obstáculo para o Banco Central é a imprevisibilidade das circunstâncias econômicas”, ressaltou Padovani.

Ele mencionou questões importantes que envolvem a economia internacional, o desempenho dos mercados financeiros e a influência da política fiscal nacional.

Projeções para uma Selic em um Dígito

Padovani também informou que o BV projeta que a Selic voltará a ser de um dígito, mas isso ocorrerá mais adiante, especificamente no final de 2027. Para ele, essa transição dependerá de um processo prolongado de ajuste e consolidação das condições macroeconômicas.

Segundo o economista, esse percurso requer que o governo que suceder o atual realize um ajuste fiscal eficiente, seja por convicção ou por necessidade política. “Podemos enfrentar um governo que acredita na importância desse ajuste, ou um que realize essa mudança por conta de demandas de sustentabilidade política”, explicou.

Padovani também adverte que uma trajetória oposta, marcada pela expansão contínua dos gastos públicos, poderia afetar negativamente a dívida pública do país. Isso tornaria a nação mais suscetível a choques externos, intensificaria a desconfiança dos investidores e prejudicaria o desempenho de ativos locais. “Como resultado, o dólar poderia valorizar, aumentando os custos para as empresas e elevando a inflação, forçando o Banco Central a aumentar as taxas de juros,” destacou.

Na perspectiva de Padovani, a implementação desse ajuste fiscal proporcionaria um ambiente propício para a convergência das expectativas de inflação e, por conseguinte, para uma redução mais consistente das taxas de juros.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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