Redução da Taxa Selic em 2026
(16/09/2026): O Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, marcando a quinta diminuição consecutiva. Com esta decisão, a taxa passou para 13,75% ao ano. Esta medida foi adotada em um contexto de diminuição da inflação, que possibilitou um espaço para a continuação do ciclo de flexibilização monetária, embora as opções ainda sejam limitadas.
A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e se alinha com as expectativas do mercado. Com este novo corte, a autoridade monetária mantém a trajetória de redução das taxas de juros que foi iniciada anteriormente, ao mesmo tempo em que monitora de perto a evolução da inflação e as condições econômicas gerais.
A taxa básica de juros é considerada o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados, por sua vez, tendem a desacelerar a atividade econômica, aumentando o custo do crédito e, consequentemente, elevando os gastos do governo com o pagamento dos juros da dívida pública.
Reuniões do Copom em 2026
Estão programadas oito reuniões do Comitê durante o ano de 2026, nas seguintes datas:
- 27 e 28 de janeiro
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 de junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro
Comunicado do Copom
O ambiente externo continua incerto, particularmente em função das incertezas relacionadas a conflitos armados no Oriente Médio e à política monetária em algumas economias desenvolvidas. Essa situação exige cautela por parte dos países emergentes, que estão vivendo um contexto marcado pela volatilidade dos preços de ativos e commodities. Em termos domésticos, os indicadores divulgados desde a última reunião indicam uma moderação gradual na atividade econômica, especialmente em setores mais cíclicos, embora o nível atual ainda seja considerado resiliente, e o mercado de trabalho permanece aquecido. Nos dados mais recentes, tanto a inflação cheia quanto a média das medidas subjacentes mostraram desaceleração, posicionando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta estipulada.
As expectativas de inflação para os anos de 2026 e 2027, conforme apurado pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, alocando-se em 4,9% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, que é o horizonte relevante atual para a política monetária, é de 3,2% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos relacionados à inflação, tanto para altas quanto para baixas, continuam sendo mais elevados do que o habitual, com uma assimetria que favorece as altas. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas, destacam-se os seguintes pontos: (i) uma desancoragem das expectativas de inflação que se prolongue por mais tempo, onde horizontes mais longos possam incluir impactos potenciais de segunda ordem decorrentes de choques de oferta, especialmente relacionados ao petróleo e seus derivados; (ii) a possibilidade de uma inflação de serviços que resista mais do que o previsto, devido a um hiato do produto positivo; (iii) uma combinação de políticas econômicas, internas e externas, que possam ter um impacto inflacionário superior ao esperado, particularmente em virtude de um câmbio que se mantenha depreciado; e (iv) estímulos à demanda agregada, especialmente ao consumo, que possam impulsionar a atividade econômica além do potencial, afetando canais tradicionais de transmissão da política monetária. Por outro lado, os riscos de baixa incluem: (i) uma possível desaceleração da atividade econômica interna mais acentuada do que a projetada, impactando o cenário inflacionário; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada devido a choques comerciais e nos preços do petróleo, além de um aumento na incerteza; e (iii) uma queda nos preços de commodities que poderia gerar efeitos desinflacionários.
O Comitê monitora também os impactos da política fiscal interna sobre a política monetária e os ativos financeiros, mantendo a cautela em um ambiente de incerteza ampliada. Os indicadores atuais de atividade continuam a sugerir uma trajetória de desaceleração para o acumulado de 2026. O Comitê mantém vigilância sobre qualquer desancoragem nas expectativas de inflação para prazos mais longos, pois isso pode afetar a formação de preços, além de implicar um maior custo de desinflação.
Frente à dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de ajustes será determinada com base em novas informações, visando garantir a convergência da inflação para a meta.
O Copom decidiu, portanto, reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, considerando que esta ação é compatível com a estratégia de convergência da inflação para níveis próximos à meta durante o horizonte relevante. Além de seu objetivo central de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também visa atenuar as flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego.
O atual cenário, caracterizado por um aumento expressivo na incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em relação ao cenário base, requer uma abordagem cautelosa e serena na implementação da política monetária. O Comitê continuará a acompanhar a evolução desses fatores de forma a manter a restrição necessária para garantir a convergência da inflação em direção à meta.
Os membros do Comitê que votaram a favor da decisão foram: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Tabela 1
Projeções de inflação no cenário de referência
Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)
| Índice de preços | 2026 | 2027 | 1º tri 2028 |
| IPCA | 5,2 | 3,9 | 3,2 |
| IPCA livres | 5,2 | 4,1 | 3,2 |
| IPCA administrados | 5,3 | 3,5 | 3,2 |
No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,15/US$, evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo é projetado para seguir aproximadamente a curva futura nos próximos seis meses, aumentando em 2% ao ano posteriormente. Também se considera a hipótese de bandeira tarifária “amarela” para dezembro de 2026 e 2027. O valor para a taxa de câmbio foi obtido por meio de procedimento padrão.
Fonte: br.advfn.com
