Copom reduz Selic em 0,25 ponto; saiba como isso afeta suas finanças.

Decisão do Copom sobre a Taxa Selic

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, nesta quarta-feira (18), realizar um corte na taxa Selic de 0,25 pontos percentuais. Esta é a primeira redução na taxa básica de juros do Brasil desde o mês de maio de 2024.

O Banco Central (BC) expressou a necessidade de cautela na gestão da política monetária, levando em consideração os impactos gerados pela guerra no Oriente Médio.

Antes do início do conflito, o mercado esperava uma redução de 0,50 pontos percentuais. No entanto, as incertezas globais e a pressão inflacionária, especialmente relacionadas ao aumento nos preços do petróleo, alteraram essas expectativas.

O comunicado do Copom ressalta: “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Os apresentadores do programa Resenha do Dinheiro comentaram sobre os efeitos da Selic em 14,75% nas finanças pessoais e nos investimentos. Questões relativas a este tema serão discutidas no programa e na newsletter News da Resenha, que visa manter os investidores informados e auxiliar na tomada de decisões no mercado.

Análise da Comunicação do Copom

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, considera a comunicação do Copom “neutra para dove” (indulgente) e observa que o BC está se mostrando menos austero. Ela menciona: “Se ele vai ajustar o ritmo de calibração, me pareceu que ele quer dizer que na próxima é ou 25 pontos-base, ou 50 pontos-base. Ou seja, aos olhos de hoje, é uma comunicação que sugere que, se tudo voltar ao normal e a guerra cessar, o preço do petróleo estabilizará e tudo se revertirá ao padrão, a próxima ação pode ser um corte de 50 pontos-base. Porém, se a guerra persistir e os efeitos sobre a inflação continuarem, a próxima poderá ser de 25 pontos-base”.

Perspectivas para a Renda Fixa

Para investidores conservadores, Marilia Fontes identifica que os títulos atrelados à taxa Selic ainda são uma opção atrativa. Ela afirma que esses títulos “continuarão rendendo bem” mesmo com a expectativa de cortes menores do que o mercado havia previsto.

No entanto, ela também observa que, com a diminuição da Selic, os investidores estão começando a buscar títulos prefixados e atrelados ao IPCA. Ela explica: “Quando a taxa de juros cai, esses títulos proporcionam ganhos de marcação a mercado. Um título com taxa de 14% pode oferecer um retorno entre 20%, 30% ou até 40% em um ano se houver um ciclo relevante de queda dos juros”.

Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, recomenda que os investidores fiquem atentos aos títulos que não estão ligados à taxa de juros diante do início do afrouxamento monetário. Ele aponta que “com o início do ciclo de queda, a renda fixa pós-fixada começa a perder um pouco de atratividade. Quem possui investimentos no Tesouro Selic ou no CDB DI ainda está bem, mas é hora de considerar opções prefixadas e atreladas à inflação, que tendem a se valorizar à medida que os juros diminuem”.

Impactos sobre Finanças Pessoais

Thiago Godoy também analisa os impactos do corte da Selic nas finanças de famílias endividadas, uma realidade que afeta uma parte considerável da população brasileira. Ele afirma que “o corte de hoje é uma notícia positiva, mas é necessário colocar as coisas em perspectiva. A Selic a 14,75% continua sendo um juro extremamente elevado, um dos mais altos do mundo. Para aqueles que estão no cheque especial, no crédito rotativo do cartão ou no crédito pessoal, as contas continuam caras. O alívio será gradual”.

A expectativa é de novos cortes pelo Copom ao longo de 2026, e Godoy sugere estratégias financeiras menos prejudiciais para as pessoas. Ele diz: “O início da queda funciona como um sinal de que o crédito poderá se tornar mais acessível nos próximos meses, embora de maneira gradual. Nesse cenário, a renegociação de dívidas pode ganhar força, já que os credores costumam ficar mais dispostos a oferecer condições melhores. Quem se antecipa tende a conseguir negociar de forma mais favorável”.

Reflexos sobre o Bitcoin

No mesmo dia, o Federal Reserve dos Estados Unidos anunciou sua decisão sobre a política monetária norte-americana, optando por manter os juros entre 3,50% e 3,75%, o que gera repercussões nos mercados globais.

Bernardo Pascowitch, CEO da Yubb, destaca a relação entre a instabilidade econômica nos EUA e o preço do bitcoin. Ele menciona: “Neste momento, não há liquidez global para o Bitcoin e criptomoedas. Os investidores demonstram preocupação com a situação econômica americana e com a dívida pública dos EUA. Isso enfraquece a confiança no dólar, especialmente devido à alta do petróleo e ao risco de recessão global. Em épocas assim, os investidores tendem a se afastar de ativos de risco e a procurar alternativas mais seguras”.

Pascowitch reconhece que há impactos em outros investimentos de risco, como ações de tecnologia nas bolsas dos Estados Unidos, mas reitera suas previsões negativas para o bitcoin. Ele afirma: “Sim, a tendência principal ainda é uma queda do bitcoin”.

Sobre o Programa Resenha do Dinheiro

O programa Resenha do Dinheiro é uma iniciativa em colaboração com a B3 e a gestora de investimentos BlackRock. É apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. O programa busca oferecer uma abordagem leve e acessível sobre temas relacionados à educação financeira e investimentos.

A cada semana, o programa aborda as principais notícias e os movimentos da economia, apresentando a informação de maneira descomplicada, semelhante a uma conversa informal entre amigos. Não se perde, no entanto, a análise e a profundidade do conteúdo discutido.

O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal CNN Money no YouTube.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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