"Corte é a parte fácil, o que importa é a trajetória": Expectativas para a decisão do Copom.

“Corte é a parte fácil, o que importa é a trajetória”: Expectativas para a decisão do Copom.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Expectativa de Corte na Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está previsto para realizar um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira (16), reduzindo a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano.

Esse movimento é amplamente respaldado por economistas e já está precificado no mercado. Na semana passada, as Opções de Copom negociadas na B3 indicavam cerca de 95% de probabilidade de uma diminuição de 0,25 ponto percentual.

Se a expectativa se concretizar, este será o quinto corte consecutivo da taxa pelo Banco Central. Para as instituições financeiras XP, Itaú e Bank of America, a decisão deve ser unânime.

A questão central, portanto, não reside apenas na ação do Copom nesta quarta-feira, mas nas declarações a respeito dos próximos passos a serem tomados. Enquanto parte do mercado acredita que o Banco Central encerrará o ciclo de cortes em setembro, outras instituições consideram a possibilidade de cortes adicionais até o final deste ano.

Contexto Econômico e Desafios

O cenário econômico nacional contribui para a expectativa do corte. A inflação apresentou resultados abaixo do esperado em agosto, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando deflação de 0,32% no mês, o que representa uma desaceleração da inflação anual, que diminuiu de 4,44% para 4,22%. Em paralelo, indicadores de atividade econômica têm demonstrado uma perda de força.

No entanto, o cenário internacional apresenta complexidades. A intensificação das tensões no Oriente Médio e o aumento nos preços do petróleo têm elevado os riscos inflacionários, enquanto as políticas monetárias adotadas por economias de maior porte permanecem como fontes de incerteza.

Diretrizes do Banco Central

Apesar dos avanços no cenário nacional, a expectativa é que o Banco Central mantenha uma postura cautelosa. A XP aponta que a maior parte do comunicado deve permanecer inalterada em comparação à reunião anterior, mas o Comitê pode ressaltar com mais ênfase as evidências de desaceleração na atividade econômica.

Da mesma forma, o Itaú prevê poucas alterações nas declarações. Para essa instituição, o Copom deve continuar a classificar o balanço de riscos inflacionários como assimétrico, apontando para uma elevação, devido às expectativas de inflação ainda desancoradas e incertezas fora do país.

Segundo a análise do Itaú, um forward guidance explícito, que indicaria as intenções do BC para a próxima reunião, não deve ser esperado. A tendência é que o Copom enfatize que os próximos passos dependerão da evolução dos dados disponíveis.

O Bank of America compartilha de uma visão similar, mas acredita que há espaço para uma leve suavização no comunicado, principalmente em relação à avaliação da atividade e da inflação subjacente. David Beker, chefe de economia e estratégia do BofA no Brasil, afirma que o corte previsto é a parte mais simples do processo e que o que realmente importa é a trajetória a ser seguida.

Projeção de Inflação do Copom

Outro aspecto que deve atrair a atenção na quarta-feira será a projeção de inflação do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, que é o horizonte relevante da política monetária atual. Na reunião anterior, essa estimativa encontrava-se em 3,2%, acima do centro da meta de inflação, que é de 3%.

A XP e o Itaú apresentam opiniões um pouco divergentes sobre o que será comunicado. A XP indica que a projeção deve subir de 3,2% para 3,3%, em decorrência das pressões adicionais oriundas dos preços do petróleo. Por outro lado, o Itaú acredita na estabilidade dessa projeção em 3,2%, considerando que a melhora da inflação atual e a moderação da atividade econômica compensam parte dos riscos existentes.

A diferença entre as estimativas é pequena em termos numéricos, mas pode influenciar a interpretação do mercado sobre o espaço que o Banco Central possui para continuar reduzindo os juros.

Perspectivas para o Futuro dos Juros

As projeções começam a se divergir após a reunião desta quarta-feira. O consenso de mercado ainda se apresenta de forma mais conservadora. No Relatório Focus divulgado na segunda-feira (14), a mediana das previsões manteve a Selic em 13,75% para o final de 2026, o que representa o mesmo patamar esperado após a decisão de setembro. Essa situação sugere que o corte planejado para esta semana pode ser o último do ano, com a taxa projetada para 2027 em 12%.

Por outro lado, a XP e o Bank of America acreditam que o Copom poderá ir além nas futuras reduções.

A XP prevê que a Selic encerre 2026 em 13,25%, com a continuidade do ciclo de ajustes nos próximos meses. Para 2027, a previsão é de juros em 11,50%. De acordo com essa instituição, a magnitude dessas reduções deverá ser majoritariamente influenciada pela política fiscal pós-eleições de outubro e pela evolução dos choques globais de oferta.

O Bank of America compartilha a expectativa de que a Selic se mantenha em 13,25% ao final deste ano, mas apresenta um otimismo ainda maior com relação à diminuição dos juros em um horizonte mais extenso. A instituição projeta cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões até dezembro de 2027, quando a taxa alcançaria 11,25%.

David Beker observa que o mercado pode estar superestimando os riscos associados ao cenário eleitoral e inflacionário e atribuindo uma atenção insuficiente à desaceleração observada nas atividades econômicas e na concessão de crédito. Após um corte para 13,75%, segundo suas análises, o juro real ex-ante continuaria em torno de 8,7%, bastante acima dos 5% que o Banco Central considera como taxa neutra. Na perspectiva do BofA, isso sugere que há espaço para novas reduções sem comprometer a restritividade da política monetária.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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