Protestos Anti-Governo no Irã
Em 31 de dezembro de 2025, um grande banner anti-Israel foi fixado na Praça da Palestina, em Teerã. O banner exibia a imagem de um lutador palestino e o lema em persa e hebraico: “Voz de Resistência Infinita”.
Foto: Atta Kenare | Afp | Getty Images
Protestos anti-governo em larga escala têm agitado o Irã há mais de uma semana, levando os líderes do país a considerar opções para conter a agitação, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou a possibilidade de intervenções. Esses descontentamentos, que começaram no bazar de Teerã em 28 de dezembro, são impulsionados pela crescente frustração com uma crise econômica prolongada, e nos últimos dias, a situação tem se tornado cada vez mais violenta. De acordo com a Human Rights Activists News Agency, pelo menos 29 pessoas foram mortas e mais de 1.200 detidas até terça-feira. A organização sem fins lucrativos registrada nos EUA se baseia em uma rede de ativistas dentro do Irã para suas reportagens.
As manifestações contra o regime se espalharam para mais de 250 localidades em 27 das 31 províncias do Irã, conforme relatado pelo grupo.
Na tentativa de controlar os protestos, o líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, declarou no sábado passado que “os desordeiros devem ser colocados em seus devidos lugares”, uma afirmação que foi amplamente interpretada como um sinal para que as forças de segurança encerrassem as manifestações.
Por outro lado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tem adotado um tom mais conciliatório, apelando ao diálogo e prometendo reformas econômicas para tentar apaziguar os manifestantes que exigem mudanças políticas, ações contra a corrupção e alívio da crescente inflação. As promessas incluíam a oferta de um auxílio mensal de 10 milhões de riais (aproximadamente 7 dólares) por pessoa em crédito eletrônico que não pode ser convertido em dinheiro, destinado a uso em supermercados selecionados, conforme reportado pela Reuters, citando a agência de notícias semi-oficial Tasnim. Além disso, os oficiais prometeram reformular o sistema de subsídios cambiais do país, visando apoiar diretamente os consumidores em vez de subsidiar os importadores, que há muito são criticados por serem suscetíveis à corrupção.
No entanto, a agitação pública permaneceu, expandindo-se de queixas econômicas para uma frustração mais ampla com o regime, com alguns manifestantes gritando “Morte ao ditador”, em referência a Khamenei, que detém a autoridade máxima no Estado.
Riscos Crescentes de Intervenção dos EUA
A agitação no país reavivou preocupações sobre uma possível intervenção americana. Em uma postagem nas redes sociais na sexta-feira passada, Trump prometeu que os EUA defenderiam os manifestantes caso fossem atacados, alertando que Washington estava “preparado e pronto para agir” caso as autoridades iranianas usassem violência contra as manifestações pacíficas.
A advertência ganhou peso após as forças dos EUA terem capturado o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no fim de semana e levado o líder a Nova York para enfrentar um julgamento nesta semana.
No domingo, Trump afirmou a repórteres a bordo do Air Force One que as autoridades iranianas seriam “fortemente atingidas” se mais manifestantes fossem mortos. “Estamos observando isso muito de perto. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acredito que serão atingidos de forma muito severa pelos Estados Unidos,” disse Trump.
Analistas da empresa de pesquisa BMI, uma unidade da Fitch Solutions, sugeriram que a liderança do Irã pode agora ser mais cautelosa no uso da força contra os manifestantes, observando que Trump bombardeou as instalações nucleares do Irã em apoio aos ataques israelenses em junho do ano passado.
“Vemos riscos aumentados de ações dos EUA contra o Irã no início de 2026, caso os protestos se intensifiquem,” afirmaram os analistas.
Reuters citou um oficial iraniano não identificado que expressou preocupações de que o Irã pudesse ser “a próxima vítima da agressiva política externa de Trump.”
A economia do Irã tem enfrentado dificuldades desde que Trump retirou os EUA do acordo nuclear iraniano em 2018, um compromisso que havia limitado o programa nuclear do Irã em troca de alívio de sanções. O país também tem sentido o peso das sanções mais rigorosas após uma guerra de 12 dias com Israel, seu rival regional de longa data, apoiado pelos EUA.
O rial, a moeda oficial do Irã, despencou em dezembro, atingindo uma baixa histórica de cerca de 1,45 milhão de riais por dólar americano no final de 2025, enquanto a inflação alcançou 42,5%.
A prolongada crise econômica no Irã pode representar riscos maiores para o regime do que a perspectiva de uma intervenção dos EUA, afirmou David Roche, investidor veterano e estrategista da Quantum Strategy, em entrevista ao CNBC na segunda-feira.
“[O Irã] não vai cair por causa da intervenção dos Estados Unidos,” disse Roche, citando as limitações geográficas e políticas. Em vez disso, ele apontou que protestos sustentados, combinados com condições econômicas domésticas em deterioração, representariam um risco maior.
Ele acrescentou que é provável que o regime sobreviva a essa rodada específica de protestos, mas “não tem ferramentas para resolver os problemas econômicos do Irã.”
— A reportagem contou com a contribuição de Amitoj Singh da CNBC.
Fonte: www.cnbc.com