A crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) tem o potencial de aumentar os juros exigidos pelos investidores, diminuição no ingresso de capital no Brasil e a ampliação da insegurança jurídica. Essa análise foi realizada por Gustavo Pessoa, professor de economia e finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), durante uma entrevista ao programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
De acordo com Pessoa, diversos riscos relacionados à inflação, às taxas de juros e ao contexto internacional já estavam sendo considerados pelo mercado. Contudo, a intensificação da crise no STF surge como um novo fator que é mais desafiador de ser avaliado financeiramente.
O professor enfatizou a dificuldade em medir o impacto resultante dessa crise, afirmando que “é muito difícil nós entendermos o tamanho do estrago que foi feito, mas com certeza nós levaremos muitos anos para reconstruir tudo que nós perdemos nessas poucas semanas”.
Ele destacou que a perda de confiança gerada nesse contexto pode interferir nas decisões de investimento de longo prazo, uma vez que estas dependem de um ambiente regulatório estável e de uma previsibilidade jurídica.
STF como Novo Fator de Risco
Gustavo Pessoa também observou que o mercado financeiro está reagindo de maneira mais acentuada ao ambiente institucional, pois ainda não é capaz de avaliar as possíveis repercussões dessa situação. Segundo ele, fatores como inflação, conflitos geopolíticos e taxas de juros elevadas já fazem parte da análise dos agentes econômicos.
Pessoa destacou que “agora as pessoas estão olhando para o STF porque é um fato novo que não tinha sido considerado até então”. Essa incerteza pode levar os agentes econômicos a realizarem ajustes mais significativos enquanto tentam estimar o risco vinculado ao cenário atual.
Ele caracteriza a situação como uma “tempestade perfeita”, resultante da combinação da crise institucional com as eleições que ocorrem no Brasil e as incertezas que permeiam o ambiente externo.
Impacto nos Juros
O professor ressaltou que, mesmo que a tensão diminua após as eleições, o episódio tende a permanecer na percepção de risco associada ao país. “Isso vai ser colocado na conta do investidor, que saberá que a qualquer momento pode surgir uma nova crise”, complementou.
De acordo com sua análise, essa percepção elevada de risco com relação ao Brasil pode resultar em um aumento na remuneração requerida pelos investidores. “Isso é traduzido em juros maiores e, consequentemente, em remunerações mais elevadas”, afirmou.
Pessoa acrescentou que a continuidade desse ambiente marcado pela insegurança jurídica pode manter os custos de financiamento mais altos no Brasil.
Setores Sensíveis à Incerteza: Infraestrutura
Pessoa observou que os investimentos em infraestrutura são particularmente vulneráveis a essa falta de previsibilidade, uma vez que dependem de contratos e legislação de longo prazo. Um exemplo claro disso são as concessões de rodovias, que têm duração que pode chegar a aproximadamente 30 anos e atravessar diferentes ciclos de juros, governos e crises institucionais.
O professor apontou que essa incerteza não acarreta apenas custos financeiros, mas também pode desestimular investidores a aportarem capital no Brasil. Para as empresas internacionais, o desafio se agrava, visto que elas precisam avaliar riscos políticos, jurídicos e econômicos ao longo de períodos extensos.
Recomendações para Investidores de Varejo
Ao final da entrevista, Gustavo Pessoa aconselhou os investidores individuais a adotarem uma abordagem mais conservadora em vista do cenário atual. Ele destacou que os investidores que têm menor acesso a instrumentos de proteção enfrentam um risco maior em períodos de incerteza, e, portanto, devem priorizar a escolha de ativos que sejam considerados mais seguros.
Pessoa sugeriu que o Tesouro Nacional é um exemplo de ativo com risco relativamente baixo no mercado brasileiro. Ele enfatizou a importância da cautela na seleção de instituições financeiras, alertando que o investidor deve ter como prioridade a segurança, principalmente enquanto as incertezas sobre o cenário político, institucional e econômico persistirem.
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Fonte: timesbrasil.com.br
