Liquidação Extrajudicial de Instituições do Conglomerado Master
O Banco Central declarou, nesta terça-feira, 18, a liquidação extrajudicial de quatro instituições pertencentes ao Conglomerado Master. Essas instituições incluem o Banco Master S/A, o Banco Master de Investimento S/A, o Letsbank S/A e a Master Corretora. Além disso, o Banco Master Múltiplo foi colocado sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Essa medida foi necessária devido à forte deterioração financeira enfrentada pelo conglomerado, que possuía mais de 60 bilhões em depósitos, bem como a violação de normas do sistema bancário e um “comprometimento significativo” da situação econômico-financeira do grupo, conforme apontado em comunicado oficial da autoridade monetária.
Classificação e Atuação do Conglomerado
O Banco Master se enquadrava no segmento S3 da regulação prudencial, o que o caracteriza como um conglomerado de crédito diversificado e de pequeno porte. Essa classificação indicava que ele respondia por cerca de 0,57% dos ativos e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Apesar de seu tamanho relativamente modesto, a atuação do conglomerado era ampla, abrangendo diversas frentes de crédito, investimentos e serviços.
Irregularidades e Medidas
De acordo com informações do Banco Central, além da deterioração financeira, foram identificadas sérias violações às normas que regem a atividade das instituições que compõem o conglomerado. Essas irregularidades, combinadas com a incapacidade do grupo em honrar compromissos e manter a liquidez mínima necessária, motivaram a adoção dos regimes especiais previstos na legislação bancária.
No que diz respeito ao Banco Master Múltiplo S/A, a decisão de optar pelo RAET, ao invés da liquidação imediata, foi feita para permitir a continuidade operacional da Will Financeira, uma controlada do grupo. A proteção oferecida pela administração temporária poderia ser crucial para a preservação da operação dessa instituição.
Ações Futuros do Banco Central
O Banco Central também declarou que tomará todas as medidas necessárias para apurar responsabilidades relacionadas ao conglomerado. O resultado das investigações poderá resultar na aplicação de sanções administrativas e no encaminhamento de comunicações a outras autoridades competentes. Como parte do processo, a partir da decretação dos regimes especiais, os bens dos controladores e ex-administradores do conglomerado ficam indisponíveis, conforme estipulado pela legislação em vigor.
Intervenção Bancária Nacional
A liquidação do Conglomerado Master representa uma das maiores intervenções bancárias ocorridas nas últimas décadas no Brasil. Este episódio deverá ativar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que se encarregará do ressarcimento dos clientes com depósitos abrangidos, limitados a 250 mil reais por CPF ou CNPJ. Essa proteção visa garantir a segurança dos depósitos, minimizando o impacto negativo para os clientes afetados pela situação financeira do Conglomerado Master.
Fonte: veja.abril.com.br