Incidente de Conflito em Águas Cubanas
Forças cubanas mataram quatro exilados e feriram seis outros que invadiram as águas cubanas a bordo de um barco rápido registrado na Flórida, na quarta-feira. O grupo abriu fogo contra uma patrulha cubana, conforme declarou o governo cubano em um momento de tensões elevadas com os Estados Unidos.
Detalhes do Acontecimento
O Ministério do Interior cubano informou que o grupo era formado por cubanos anti-governamentais, alguns dos quais já eram procurados por planejar ataques. Segundo Cuba, eles vieram dos Estados Unidos, vestidos com uniformes de camuflagem e armados com fuzis de assalto, pistolas, explosivos caseiros, coletes balísticos e miras telescópicas.
Além disso, um suspeito cubano foi detido dentro do território cubano em conexão com o plano, conforme afirmou a declaração.
Intenções dos Detainees
"De acordo com declarações preliminares dos detidos, eles pretendiam realizar uma infiltração para fins terroristas", ressaltou o Ministério do Interior em um comunicado oficial.
Os feridos foram evacuados e estão recebendo atendimento médico. O comandante da patrulha cubana também foi ferido, conforme destacou o ministério.
Posicionamento dos Estados Unidos
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou à imprensa que não se tratou de uma operação americana e que nenhum funcionário do governo dos Estados Unidos estava envolvido. As autoridades cubanas informaram os EUA sobre o incidente, mas a embaixada dos EUA em Havana tentará verificar de forma independente o que ocorreu, disse Rubio.
"Vamos ter nossas próprias informações sobre isso, vamos descobrir exatamente o que aconteceu, e há várias coisas que poderiam ter acontecido aqui", afirmou Rubio. "É importante dizer que é altamente incomum ver tiroteios em alto-mar desta forma", acrescentou.
Contexto das Relações Cuba-EUA
O incidente aconteceu em um momento em que os Estados Unidos bloquearam virtualmente todos os envios de petróleo para a ilha, aumentando a pressão sobre o governo comunista. Forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas no dia 3 de janeiro, removendo um aliado cubano-chave do poder. Rubio reiterou sua crítica ao governo cubano, afirmando que a situação atual é insustentável e que Cuba precisa mudar "dramaticamente".
A História dos Exilados Cubanos
Os exilados cubanos, em sua maioria concentrados em Miami, nutriram por muito tempo o sonho de derrubar o governo cubano ou de assistirem a sua queda. No passado, eles tramaram contra o governo estabelecido pelo falecido líder revolucionário Fidel Castro, que faleceu em 2016, aos 90 anos.
Exilados cubanos, com apoio e financiamento da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, realizaram a fracassada invasão da Baía dos Porcos em 1961. Esse evento fortaleceu Castro e o aproximou de seus aliados na União Soviética. Outros paramilitares cubanos tentaram ou realizaram atos de sabotagem ao longo das décadas.
Mudanças Recentes e Ações da Policia Cubana
Embora tais tramas tenham se tornado menos comuns nos últimos anos, opositores do governo comunista cubano podem ter se sentido encorajados por eventos recentes que promoveram uma imagem de fraqueza para os governantes do país. O bloqueio de petróleo dos EUA exacerbou as graves faltas de energia.
Cuba informou que identificou os seis detidos do barco, sendo que dois deles, Amijail Sanchez Gonzalez e Leordan Enrique Cruz Gomez, já eram procurados no país sob suspeita de planejar atos terroristas. Os outros quatro foram identificados como Conrado Galindo Sariol, Jose Manuel Rodriguez Castello, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra.
Além disso, Cuba mencionou a detenção de outro cubano, Duniel Hernandez Santos, que havia vindo dos Estados Unidos para a ilha a fim de receber os infiltradores.
Informações sobre as Vítimas
Um dos mortos foi identificado como Michel Ortega Casanova, enquanto os outros três ainda não haviam sido identificados, conforme reportou Cuba. O barco a motor se aproximou a uma milha náutica de um canal em Cay Falcone, na costa norte de Cuba, cerca de 200 km (120 milhas) a leste de Havana, quando foi abordado por cinco membros de uma unidade de patrulha de fronteira cubana. O barco, então, abriu fogo, ferindo o comandante da embarcação cubana.
Reações das Autoridades da Flórida
Políticos da Flórida pediram investigações separadas, expressando desconfiança em relação ao relato cubano sobre os eventos. O Procurador-Geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou que está ordenando aos promotores que iniciem uma investigação em conjunto com outros parceiros da aplicação da lei a nível estadual e federal.
O Representante dos EUA, Carlos Gimenez, um republicano cujo distrito inclui o extremo sul da Flórida, pediu uma investigação federal, declarando que havia solicitado ao Departamento de Estado dos EUA e ao exército que investigassem o caso.
"É essencial que as autoridades dos Estados Unidos determinem se alguma das vítimas eram cidadãos americanos ou residentes legais e estabeleçam exatamente o que ocorreu", afirmou Gimenez.
Fonte: www.cnbc.com