De eleições a grandes riquezas: descubra quais foram os assuntos mais lidos pelos investidores na última semana.

De eleições a grandes riquezas: descubra quais foram os assuntos mais lidos pelos investidores na última semana.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Eleições de 2026

Estratégias de Investimento para Outubro

Com a aproximação das eleições de 2026, diversas instituições financeiras, incluindo bancos e casas de análise, começaram a ajustar suas carteiras de investimentos para lidar com diferentes cenários políticos e fiscais. A Petrobras (PETR3; PETR4) se destacou entre as ações recomendadas, refletindo uma mudança no foco dos investidores.

Os juros elevados no Brasil e nos Estados Unidos, a negociação de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) com desconto, estratégias para grandes patrimônios e oportunidades relacionadas à inteligência artificial foram temas de grande interesse para os leitores do E-Investidor na última semana de setembro.

A seguir, estão as matérias que mais atraíram a atenção.

Recomendações de Carteiras

Diversas instituições, como Itaú BBA, Genial, Monte Bravo e Planner, realizaram mudanças nas carteiras. A Ágora decidiu manter sua seleção atual. Um ponto comum nas recomendações foi a inclusão da Petrobras, com estratégias que buscam equilibrar oportunidades ligadas à queda dos juros, ao mesmo tempo em que oferecem proteção contra riscos fiscais, eleitorais, cambiais e de commodities.

O Itaú BBA trocou três das cinco ações recomendadas, passando a incluir empresas como XP, Sabesp e Petrobras. A Genial optou por uma carteira mais equilibrada, mesclando empresas do mercado doméstico com aquelas que possuem receitas no exterior. A Monte Bravo reduziu sua proteção em ativos externos e aumentou sua exposição em empresas brasileiras sensíveis à variação dos juros, como Localiza, Cyrela e BTG, também incluindo a Petrobras em suas recomendações. A Planner fez apenas duas alterações, adicionando Petrobras e Sabesp, enquanto a Ágora manteve sua lista de dez principais ativos inalterada.

Oportunidades e Desafios

A Visão de Diferentes Instituições

A proximidade das eleições também levou instituições financeiras a considerar os riscos do cenário atual e a montar carteiras para diferentes resultados políticos e fiscais. A Ágora e o Bradesco BBI segmentaram ações entre aquelas que historicamente se beneficiariam da continuidade do governo, papéis mais suscetíveis a uma mudança administrativa e empresas que se destacam pela resiliência. De acordo com o Citi e a Nomos, uma possível reeleição de Lula poderia favorecer empresas defensivas, exportadoras e aquelas expostas a programas públicos. Em contrapartida, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia ser vantajosa para ações cíclicas e estatais, assim como para empresas que se beneficiariam da expectativa de queda nos juros.

A Kinea adotou uma abordagem que é menos vinculada ao resultado eleitoral. A gestora buscou combinar empresas com crescimento previsível e setores defensivos, incluindo bancos, indústrias e varejo, que poderiam se beneficiar de uma melhora fiscal e redução das taxas de juros.

Gestão Patrimonial e Family Offices

A Disputa Entre Bancos e Family Offices

Grandes bancos têm intensificado a gestão de patrimônio para clientes de alta renda por meio do private banking, incorporando serviços típicos dos escritórios independentes de gestão patrimonial, conhecidos como multi-family offices (MFOs), na tentativa de captar esse público. Instituições como Santander e Bradesco criaram suas próprias MFOs, enquanto outros bancos ampliaram seus serviços para incluir planejamento tributário e sucessório, investimentos internacionais e gestão discricionária. Embora muitas instituições ainda exijam um patrimônio de R$ 10 milhões para esse serviço, bancos como BB e C6 Bank já atendem clientes com patrimônios a partir de R$ 5 milhões.

Para os investidores, esse aumento na concorrência deve resultar em ampliação dos serviços e também na pressão sobre os custos. Os bancos começaram a adotar a cobrança de taxas sobre o patrimônio, prática mais comum entre os MFOs, com taxas médias que caíram para aproximadamente 0,75%, podendo chegar a 0,3% ou 0,4% em algumas gestoras. A diferenciação entre bancos e MFOs é buscada através de um atendimento mais personalizado, uma visão integrada de patrimônio, além de um forte relacionamento com os clientes.

Simulações de Rendimento

Nas últimas semanas, as simulações de rendimento para patrimônios milionários se tornaram foco de atenção entre os leitores. Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, um patrimônios dessa magnitude pode gerar altos rendimentos, embora o valor disponível para gastos sustentáveis seja bem menor devido à tributação. Em uma aplicação que sofre incidência de imposto de renda de 15%, um patrimônio de R$ 1 milhão renderia cerca de R$ 9,7 mil líquidos por mês. Patrimônios de R$ 5 milhões, R$ 10 milhões e R$ 20 milhões teriam rendimentos líquidos de aproximadamente R$ 48,7 mil, quase R$ 100 mil e R$ 194,8 mil, respectivamente.

No entanto, para preservar o poder de compra do patrimônio, uma parte desse rendimento precisaria permanecer investida. Considerando um retorno real entre 3% e 4% ao ano, R$ 5 milhões poderiam permitir retiradas mensais variando de R$ 12,5 mil a R$ 16,7 mil. Para R$ 10 milhões, as retiradas poderiam variar de R$ 25 mil a R$ 33,3 mil, enquanto para R$ 20 milhões, o valor poderia ser de R$ 50 mil a R$ 66,7 mil. Portanto, mesmo com patrimônios elevados, é essencial um controle rigoroso dos gastos para manter uma renda sustentável ao longo do tempo.

Tendências do Mercado e Oportunidades

Estratégia de Investimentos da Franklin Templeton

A gestora Franklin Templeton, com R$ 49 bilhões sob sua gestão, decidiu reduzir sua exposição ao risco em crédito privado. A casa de investimento vendeu aproximadamente R$ 200 milhões em ativos de infraestrutura, zerando essa exposição onde foi possível. Além disso, a gestora não possui Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) em suas carteiras devido à cautela relacionada a riscos climáticos, de produtividade, commodities e insegurança jurídica.

Por outro lado, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) aumentaram sua presença nas carteiras de crédito privado, passando de cerca de 8% para quase 13%. A gestora acredita que essas estruturas oferecem maior proteção contra inadimplência, com preferência por operações de consignados públicos, operações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e financiamento de veículos. A postura conservadora da gestora deve permanecer, pelo menos, até que haja mais clareza sobre a curva de juros, o cenário fiscal e a atividade econômica prevista para 2027.

Fundos Imobiliários e Oportunidades no Mercado de Ações

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) estão atualmente negociando com descontos significativos. De acordo com a Rio Bravo, os FIIs do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da B3 (Ifix) estão, em média, 16% abaixo do valor patrimonial, enquanto os fundos investidos em imóveis físicos apresentam um desconto médio de 17%. No segmento corporativo, essa diferença chega a cerca de 30%. Essa queda nos preços segue a tendência de alta das taxas de juros, mas pode abrir oportunidades de valorização caso a curva de juros se estabilize ou recue.

Contudo, o desconto não implica automaticamente em uma oportunidade de compra. Com a Selic alcançando 13,75%, a renda fixa continua atraente, e dividendos elevados podem ocultar perdas nas cotas dos fundos. Especialistas recomendam uma análise cuidadosa do retorno total e uma seleção criteriosa dos fundos, levando em consideração a qualidade dos ativos, o risco de crédito, o endividamento e a gestão.

Bradesco e Oportunidades de Ação com Desconto

A recente estratégia de aumento de capital do Bradesco, que pode chegar até R$ 10 bilhões, chamou a atenção dos investidores. A medida visa fortalecer a estrutura financeira do banco e financiar um plano de transformação. Com as ações BBDC3 e BBDC4 valorizadas, as sobras permitiram que investidores comprassem ações com desconto em relação ao preço de mercado. O UBS BB prevê que essa operação pode elevar o índice de capital principal do Bradesco em aproximadamente 70 a 90 pontos base, melhorando sua capacidade de absorver perdas e crescer.

Para os investidores, o desconto deve ser considerado juntamente com o nível de exposição ao banco e a confiança na estratégia adotada.

Leilão de Ações e Composição do Aumento de Capital

Na sequência dessa operação, o Bradesco já captou R$ 9,7 bilhões, quase atingindo o limite de R$ 10 bilhões. Desse total, R$ 6,5 bilhões foram captados na fase inicial e R$ 3,2 bilhões foram arrecadados na alocação de sobras. As ações restantes, que correspondem a 2,65% dos papéis emitidos, foram leiloadas na B3, com preços mínimos estabelecidos em R$ 15,43 para BBDC3 e R$ 17,64 para BBDC4. Essa fase final do aumento de capital antecede a conversão dos recibos em ações, a qual ainda aguarda a aprovação do Banco Central.

Impacto dos Juros Altos nas Carteiras

Influência dos Juros nas Alternativas de Investimento

Nos Estados Unidos, a elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve tornou a renda fixa americana mais atrativa, reforçando o papel dos Treasuries como uma alternativa segura e de alta liquidez. Simultaneamente, as taxas elevadas naquele país tendem a pressionar a curva de juros brasileira, dificultando a possibilidade de cortes mais rápidos na taxa Selic brasileira.

Dessa forma, especialistas sugerem que os investidores adotem uma carteira mais diversificada. No Brasil, as opções pós-fixadas, cujos rendimentos acompanham as taxas Selic ou CDI, devem continuar sendo a base, com espaço para investimentos em títulos atrelados ao IPCA e prefixados de maneira seletiva. No mercado internacional, recomenda-se uma combinação de renda fixa e ações, com uma ênfase especial nos EUA, particularmente em Treasuries e ações de tecnologia, evitando depender apenas do dólar ou de uma única economia.

Oportunidades em Inteligência Artificial

Perspectivas da IA em Setores Menos Famosos

O EFG, um banco suíço que administra mais de R$ 1,2 trilhão, identificou oportunidades no crescimento da inteligência artificial fora do setor das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. A ênfase está na identificação de pequenas e médias empresas suíças que fornecem componentes e infraestrutura crítico para chips, data centers e geração de energia, como VAT Group e Accelleron.

A estratégia está voltada para investir na base da IA, ou seja, em companhias menos conhecidas, mas cujo papel é essencial para a expansão de gigantes como Nvidia, Amazon e Apple. Além dos indicadores financeiros, o EFG considera também aspectos como inovação, patentes e investimentos em pesquisas e desenvolvimento.

Regulação e O Mercado de Valores

Pressão sobre a CVM

João Pedro Nascimento, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), expressou sua visão de que o aumento de recursos garantido pelo STF poderia inaugurar uma nova fase para o órgão, desde que isso se traduza em processos mais céleres, regras mais simples e uma fiscalização mais eficiente. Esse debate ganhou notoriedade após o caso do Banco Master, que elevou a pressão sobre a CVM por respostas mais ágeis e uma diminuição no acúmulo de processos.

Nascimento defende ainda a necessidade de uma CVM mais robusta para tornar o mercado de capitais brasileiro mais competitivo, prevenindo a migração de empresas e investidores para o exterior. Entre as sugestões de mudanças estão revisões nas regras que regulam os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), recibos que representam ativos emitidos no exterior, a simplificação da regulamentação para investidores estrangeiros, o Regime Fácil para empresas menores e a ampliação de produtos regulados relacionados a criptoativos.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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