Decisão do Federal Reserve sobre Taxas de Juros
No dia 5 de janeiro, o Federal Reserve decidiu interromper uma sequência recente de cortes nas taxas de juros. Essa decisão ocorre em um momento de questionamentos sobre a autonomia do banco central e enquanto espera pela nomeação de um novo líder.
Atendendo às expectativas do mercado, o Comitê Federal de Mercado Aberto do banco central optou por manter a taxa de juros em uma faixa entre 3,5% e 3,75%. A medida interrompe três cortes consecutivos de um quarto de ponto percentual, considerados movimentos de manutenção para proteger o mercado de trabalho contra possíveis retrações.
Avaliação da Economia
Ao optar por manter a taxa, o comitê revisou para cima sua avaliação sobre o crescimento econômico. Além disso, aliviou suas preocupações em relação ao mercado de trabalho quando comparadas à inflação.
O comunicado após a reunião declarou: “Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica está se expandindo a um ritmo sólido. Os ganhos de empregos permaneceram baixos, e a taxa de desemprego mostrou alguns sinais de estabilização”. Em relação à inflação, a declaração acrescentou que “continua um tanto elevada”.
Importante ressaltar que o comunicado também removeu uma cláusula que indicava que o comitê via um risco maior da ameaça de um mercado de trabalho enfraquecido em comparação ao de uma inflação elevada. Isso sugere uma abordagem mais paciente em relação às políticas, já que os oficiais percebem que os duplos objetivos do Fed de baixa inflação e pleno emprego estão mais equilibrados.
Expectativas para o Futuro
As indicações sobre os próximos passos foram escassas, com os mercados esperando que o Fed aguarde até pelo menos junho para realizar um novo ajuste em sua taxa de referência.
O comunicado destacou: “Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na faixa-alvo para a taxa de fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, as perspectivas em evolução e o equilíbrio de riscos”. Essa linguagem foi repetida, trazendo à tona um movimento afastado do ciclo de flexibilização que começou em setembro de 2025.
Divisões Internas: Miran e Waller em Desacordo
Como vem ocorrendo nas reuniões recentes, houve dissensos na votação.
Os governadores Stephen Miran e Christopher Waller votaram contra a manutenção das taxas, ambos defendendo um novo corte de um quarto de ponto percentual. Ambos foram nomeados pelo presidente Donald Trump, com Miran ocupando um assento não expirado do conselho em setembro de 2025 e Waller nomeado durante o primeiro mandato de Trump. O mandato de Miran expira no próximo sábado, enquanto Waller entrevistou-se para o cargo de presidente do Fed, embora seja considerado uma escolha improvável.
A natureza rotineira da decisão acontece em um contexto em que nada tem sido rotineiro para o banco central.
Desafios Enfrentados por Jerome Powell
O presidente Jerome Powell tem apenas mais duas reuniões antes que seu mandato à frente do Fed chegue ao fim, marcando o término de oito anos tumultuados que envolveram uma pandemia global, uma recessão acentuada e uma série aparentemente interminável de conflitos com Trump. Powell responderá a perguntas da imprensa às 14h30 (horário de Brasília).
Recentemente, o Departamento de Justiça convocou Powell a prestar esclarecimentos sobre as extensas reformas na sede do Fed, localizada em Washington, D.C. Anteriormente, o presidente havia ameaçado demitir Powell em várias ocasiões e realmente tomou medidas para demitir a governadora Lisa Cook, caso cujo desfecho aguarda uma decisão da Suprema Corte dos EUA.
Pressões sobre a Independência do Fed
Todo esse clima de tensão destaca uma batalha pela independência do Fed, ou seja, sua capacidade de operar sem interferência política. Ao confirmar a investigação do Departamento de Justiça, Powell, de forma raramente aberta, atribuiu a ameaça aos esforços de Trump para controlar a política monetária. Presidentes anteriores também criticaram as decisões do Fed e tentaram coagir os formuladores de políticas a realizar cortes nas taxas, mas nenhum deles foi tão agressivo ou explícito como Trump.
Cenário Econômico Desafiador
O Fed enfrenta um contexto econômico desafiador. O crescimento, medido pelo produto interno bruto (PIB), tem sido robusto. O terceiro trimestre registrou um crescimento de 4,4%, e os três últimos meses do ano estão seguindo uma taxa de 5,4%, de acordo com o Fed de Atlanta.
Entretanto, o recrutamento está lento no mercado de trabalho, em meio à repressão da administração Trump à imigração ilegal. Contudo, os desligamentos têm se mantido baixos, com a tendência de pedidos de seguro-desemprego iniciais atingindo seu nível mais baixo em dois anos.
Inflação Persistente
A inflação, por outro lado, tem se mostrado mais problemática. Embora tenha diminuído desde os altos de 40 anos registrados em 2022, a taxa atual ainda se aproxima de 3%, distante da meta de 2% do Fed, o que gera preocupações entre alguns membros do Comitê Federal de Mercado Aberto que preferem uma pausa ou eliminação dos cortes nas taxas até que haja mais evidências de que os aumentos de preços estão se moderando.
As tarifas impostas por Trump também continuam a influenciar a inflação, com economistas do Fed geralmente considerando essas tarifas como fatores que acrescentarão pressões de curto prazo, as quais promete-se que diminuirão ao longo deste ano.
Expectativas do Mercado Futuro
Os mercados futuros projetam, no máximo, dois cortes nas taxas em 2026 e nenhum em 2027, independentemente de quem suceder Powell na presidência do Fed. As previsões também indicam que Rick Rieder, executivo da BlackRock, é o candidato mais provável para assumir o posto do líder do Fed.
Fonte: www.cnbc.com