Déficit Fiscal e Perspectivas Econômicas
O déficit fiscal do setor público consolidado superou 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e tende a permanecer elevado nos próximos anos, de acordo com uma análise divulgada pelo Goldman Sachs, após a publicação das estatísticas fiscais mais recentes pelo Banco Central, na terça-feira, dia 3 de fevereiro.
Dados Fiscais Recentes
Conforme informações do banco, o déficit fiscal total alcançou 8,34% do PIB no acumulado de 12 meses. Neste mesmo período, o resultado primário consolidado permaneceu negativo, atingindo 0,43% do PIB. Verificou-se que, em dezembro, o setor público apresentou um superávit de R$ 6,3 bilhões, superando as estimativas do mercado. Contudo, esse valor foi inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, o que, segundo os analistas, não altera o quadro estrutural das contas públicas.
Política Fiscal e Credibilidade
O relatório do Goldman Sachs é assinado pela equipe liderada pelo economista-chefe para a América Latina, Alberto Ramos. Ele destaca que a combinação de uma política fiscal, considerada pró-cíclica, e a dificuldade em conter o crescimento das despesas têm comprometido a credibilidade do regime fiscal. Para o banco, essa abordagem tem contribuído para um cenário econômico superaquecido e aumentado a percepção de risco entre investidores.
Expectativas de Inflação e Custos de Financiamento
Na análise do Goldman Sachs, a fragilidade do arcabouço fiscal compromete o ancoramento das expectativas de inflação tanto no curto quanto no médio prazos, além de elevar os prêmios exigidos nos ativos domésticos. O banco ressalta que, sem sinais claros de consolidação fiscal, o custo de financiamento do setor público deve continuar pressionado.
Dívida do Governo e Projeções Futuras
A dívida bruta do governo geral encerrou o ano de 2025 em 78,7% do PIB, um aumento em relação aos 71,7% registrados ao final de 2022. Segundo análises do Goldman Sachs, essa trajetória de alta deve continuar. Quando avaliada pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), que considera títulos públicos mantidos na carteira do Banco Central, essa relação atinge 93,4% do PIB.
O banco projeta que o resultado primário seguirá deficitário no horizonte previsível e que a dinâmica da dívida permanecerá desfavorável. De acordo com a instituição, a estabilização e eventual redução da dívida demandariam superávits primários superiores a 2% do PIB de forma recorrente, um cenário que, segundo o Goldman, é considerado altamente improvável a curto prazo, devido a restrições políticas e institucionais.
Mercado de Trabalho e Pressões de Custos
Além da análise fiscal, o relatório também aborda o mercado de trabalho. Para o Goldman Sachs, a taxa de desemprego, que se encontra em níveis historicamente baixos, em conjunto com o crescimento real dos salários, cria pressões de custos, especialmente no setor de serviços, que é mais intensivo em mão de obra. Esse cenário reforça, na perspectiva do banco, a necessidade de cautela por parte do Banco Central em sua condução da política monetária nos próximos meses.
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Fonte: br.-.com