Conflito no Oriente Médio e seu Impacto no Mercado de Energia
O conflito no Oriente Médio já dura um mês. Embora esse período esteja dentro da estimativa de 4 a 6 semanas sugerida pelos Estados Unidos, a incerteza gerada por essa situação tem traduzido-se em impactos significativos no mercado de energia, com a elevação nos preços do petróleo sendo uma das principais consequências.
O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para o escoamento de aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo diariamente. O bloqueio dessa rota, em meio aos conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, tem fomentado incertezas sobre a resolução desse quadro e, consequentemente, elevado os preços da commodity.
O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, ressalta que o mercado de petróleo é sensível a choques de oferta. Essa sensibilidade, junto à dificuldade em prever a duração e a intensidade do conflito, gera um prêmio significativo nos preços. Episódios dessa natureza suscitam dúvidas sobre a questão de se o movimento observado nos mercados é conjuntural, ou seja, temporário e relacionado ao conflito, ou se representa um ciclo mais amplo de valorização.
É relevante recordar que, em crises anteriores, os preços do petróleo aumentaram significativamente, chegando a mais de 300%, enquanto outros ativos também superaram a marca. Na visão de Spiess, a situação atual pode iniciar um ciclo de valorização que se mostre mais estrutural do que meramente circunstancial.
Nesse contexto, existe um investimento que agrega ativos preparados para tirar proveito das movimentações geradas por esta fase de conflito geopolítico.
Qual o impacto do choque do petróleo?
A região do Estreito de Ormuz, que fica localizada no Oriente Médio, é responsável pelo escoamento de quase 20% do consumo global de petróleo e está no centro do atual conflito geopolítico. O efeito inicial decorrente dessa situação é imediato no mercado de energia, levando à ativação de mecanismos que visam compensar as perdas provocadas pelas interrupções no Estreito de Ormuz.
Certa parte do fluxo pode ser redirecionada por oleodutos alternativos, enquanto outra estratégia é a liberação de reservas estratégicas, apesar das limitações na velocidade de injeção no mercado. Adicionalmente, existe a possibilidade de incremento na produção, mas, mesmo com esses esforços, o analista da Empiricus aponta que a reposição é de apenas entre 7 e 7,8 milhões de barris por dia, quantidade que fica bem aquém dos cerca de 20 milhões que normalmente atravessam Ormuz.
“O resultado é um déficit estrutural significativo: o mundo permanece ‘short’ em algo entre 12,6 e 13,4 milhões de barris por dia, o que equivale a aproximadamente 13% do consumo global”, afirma Spiess. Além disso, o conflito acarreta riscos para a inflação de alimentos, particularmente no Brasil.
Isso ocorre porque as disrupções em Ormuz não afetam apenas o óleo, embora este seja um dos principais protagonistas da situação. O problema também impacta os fertilizantes, uma vez que cerca de metade dos fertilizantes importados pelo Brasil atravessa essa região em conflito. O Brasil depende de cerca de US$ 8 bilhões em importações oriundas dessa área, mas não é o único grande importador, já que Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã se estabeleceram como fornecedores de fertilizantes nitrogenados desde 2020, atendendo também a países como Índia, Estados Unidos e nações do Sudeste Asiático.
Nesse cenário, Matheus Spiess pondera que, além do petróleo, Ormuz pode sinalizar o início de um novo ciclo para as commodities. A dinâmica desses ciclos é bem conhecida, conforme destacado pelo analista. O movimento geralmente tem início com os metais preciosos, como o ouro, seguido pelos metais industriais, como o cobre, até chegar ao setor de energia. Até o momento, esse padrão já se concretizou, e as commodities agrícolas tendem a aparecer em uma fase posterior desse processo.
“A leitura central, portanto, é de que o rali atual não é um fenômeno isolado, mas parte de um ciclo mais amplo de valorização das commodities, onde diferentes classes de ativos avançam de maneira sequencial. Em outras palavras, os movimentos observados no setor de energia e, de forma incipiente, nas commodities agrícolas, podem ser apenas uma fase de um ciclo maior que começa a se desenhar”, conclui o analista da Empiricus Research.
Um novo ciclo para energia, mineração e agronegócio
O conflito atual, em todas as suas nuances e impactos, destaca um ambiente global mais fragmentado, caracterizado por situações recorrentes de conflitos geopolíticos. Nesse contexto, quando as potências mundiais enfrentam desafios, a forma de abordar a alocação de recursos e investimentos se transforma.
infraestrutura, energia e capacidade industrial”, afirma Spiess.
A combinação do aumento estrutural na demanda por commodities e um ambiente inflacionário mais persistente forma vetores que, juntos, tornam os ativos relacionados a recursos naturais cada vez mais atraentes. Acrescenta-se a isso o contexto, desde 2025, de um dólar globalmente mais fraco, que indica uma possível aproximação de um ponto de inflexão mais amplo nos mercados, conforme avalia o analista da Empiricus.
Em tempos de conflito, existem investimentos que abarcam empresas brasileiras relacionadas, incluindo aquelas do setor de petróleo, mineração e agronegócio, que posicionam os investidores para se beneficiar do novo cenário.
Para adquirir uma compreensão mais abrangente sobre como aproveitar as oportunidades que surgem em decorrência das crises, é importante considerar qual investimento pode ser crucial em tempos de conflito.
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Fonte: www.moneytimes.com.br