Muitas pessoas aspiram a se tornar milionárias, mas não possuem clareza sobre como alcançar a marca de R$ 1 milhão. Para aqueles que não são herdeiros e precisam lutar para acumular esse patrimônio, a recomendação é investir uma parte da renda ao longo dos anos. Embora o processo possa ser demorado, a persistência pode levar ao alcance desse objetivo a longo prazo.
Ao investir R$ 500 mensais, é viável atingir a marca de R$ 1 milhão em um período que varia entre 21 a 24 anos, dependendo da escolha do produto de investimento. Para aqueles que podem ajustar seu orçamento e investir R$ 700 por mês, esse tempo se reduziria para uma faixa de 19 a 22 anos. O perfil do investidor — que pode ser classificado como agressivo ou conservador — influenciará a seleção do produto e o tempo necessário para atingir a meta.
Quanto tempo leva para chegar a R$ 1 milhão
A pedido do site Bora Investir, o planejador financeiro Jeff Patzlaff, certificado como CFP e especialista em finanças comportamentais, realizou cálculos para mostrar em quanto tempo é possível atingir a marca de R$ 1 milhão a partir de investimentos mensais de valores variados, como R$ 500, R$ 700, R$ 900, R$ 1.100, R$ 1.200 e R$ 1.500.
As projeções têm como objetivo demonstrar como o tempo necessário para chegar a R$ 1 milhão diminui ao se aumentar o valor aplicado mensalmente. Por exemplo, um investidor que pode investir R$ 500 poderia observar uma redução significativa no tempo para atingir R$ 1 milhão ao aumentar sua aplicação para R$ 700 mensais. Esse princípio se aplica de forma similar para os demais montantes sugeridos.
A simulação considerou dois produtos de renda fixa: um CDB que rende 100% do CDI, e um Tesouro Prefixado, que oferece um rendimento de 13,55% ao ano.
Além disso, Patzlaff também fez estimativas sobre o tempo necessário para alcançar R$ 1 milhão caso o investidor decida optar por ações na Bolsa de Valores americana. Neste cenário, foi considerado um rendimento de 17,53% ao ano, que é a média das empresas inscritas no índice S&P 500.
| Quanto tempo leva para acumular R$ 1 milhão | |||
| Aporte mensal | CDB* | Tesouro Pré-Fixado 2027** | S&P 500*** |
| R$ 500 | 23 anos | 24 anos | 21 anos |
| R$ 700 | 21 anos | 22 anos | 19 anos |
| R$ 900 | 19 anos | 20 anos | 17 anos |
| R$ 1.100 | 18 anos | 19 anos | 16 anos |
| R$ 1.300 | 17 anos | 18 anos | 16 anos |
| R$ 1.500 | 16 anos | 16 anos | 14 anos |
| *Rendimento do CDB a 100% do CDI, estimado em 14,90% ao ano | |||
| **Produto com rendimento de 13,55% ao ano, resultando em 1,2% ao mês | |||
| ***Investimento em ações na Bolsa americana, apresentando média de 17,53% ao ano | |||
| Fonte: Jeff Patzlaff, Planejador Financeiro CFP® e Especialista em Finanças Comportamentais | |||
Conforme informa o planejador financeiro, os cálculos foram realizados com a estimativa de uma taxa Selic correspondente a 1% ao mês. Os CDBs oferecidos por grandes instituições bancárias provavelmente proporcionarão uma rentabilidade próxima a essa. A primeira simulação considera um CDB deste tipo. Com um investimento mensal de R$ 500, levaria cerca de 23 anos para atingir a meta de R$ 1 milhão. Com um aporte de R$ 700 mensal, o prazo se reduziria para 21 anos. Com R$ 1.500 mensais, o tempo necessário caí para 16 anos.
Por outro lado, ao optar pelo Tesouro Prefixado 2027 — que oferece uma taxa de 13,55% ao ano — e investindo os mesmos R$ 500 mensalmente, seriam necessários 24 anos para se atingir o mesmo objetivo. Caso a aplicação mensal fosse de R$ 1.500, o prazo seria de 16 anos. Jeff Patzlaff afirma que essa projeção é feita com base na taxa atual projetada até o vencimento, reinvestindo o rendimento na mesma taxa até alcançar R$ 1 milhão.
Se o investidor escolher alocar R$ 500 por mês em ações da Bolsa americana, o prazo para atingir a marca de R$ 1 milhão reduz para 21 anos.
Para aqueles que se sentem desmotivados com o prazo apresentado, uma sugestão é fragmentar a jornada em metas menores para manter a motivação. Patzlaff enfatiza que “investir é um ato de persistência e consistência, visando alcançar a liberdade de não depender de ninguém, nem mesmo do dinheiro dos filhos”.
Renda fixa ou variável? Depende do investidor
Jeff Patzlaff salienta a importância de compreender o perfil do investidor para que sejam feitas escolhas que estejam de acordo com os riscos que estão dispostos a assumir. É fundamental ter em mente que, embora o investimento possa render, também existe a possibilidade de não haver retorno satisfatório em caso de mudança no cenário econômico.
Os produtos de renda fixa tendem a oferecer maior segurança, embora a rentabilidade seja, em geral, inferior. Entre as opções disponíveis, estão o Tesouro Direto, CDBs, Letras de Crédito Imobiliário/Rural (LCI/LCA), debêntures incentivadas e fundos de renda fixa, que combinam os produtos acima com uma gestão especializada. Essa combinação ajuda a diversificar os riscos associados a um único emissor.
Para aqueles que aceitam maior risco em busca de maior rentabilidade, ou que pretendem compor uma carteira diversificada, é possível optar por debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), além de ações, ETFs, Fundos Multimercados (que misturam renda fixa, variável, dólar e diversas estratégias), Fundos Imobiliários (FIIs), Venture Capital ou Private Equity, e até uma parte em criptomoedas, visando a diversificação.
“Essas opções podem apresentar maior volatilidade, mas também têm o potencial de gerar retornos superiores no longo prazo. Manter um equilíbrio na diversificação e respeitar o próprio perfil de risco são fundamentais para garantir bons resultados”, recomenda o planejador financeiro.
Após um longo período acumulando patrimônio, é possível chegar à quantia de R$ 1 milhão e viver sem a necessidade de trabalhar, segundo Jeff Patzlaff. No entanto, ele alerta para não se fixar a estereótipos: pode não ser viável financiar mansões e iates, ou manter um estilo de vida de viagens constantes. Contudo, é possível ter uma vida confortável e, se escolher viver em cidades com baixo custo de vida, o dinheiro pode ter um valor de compra ainda maior.
Com base nas projeções de Patzlaff, se o R$ 1 milhão fosse reinvestido em um CDB que rendesse 1% ao mês, seria viável viver com R$ 7.750 líquidos mensais. Ao optar pelo Tesouro Prefixado 2027, o valor líquido mensal poderia chegar a R$ 9.300, caso fosse mantida essa taxa para sempre, conforme explica o especialista.
“Investir é um processo de construção de liberdade, que requer disciplina e paciência. O tempo torna-se um aliado poderoso, especialmente em virtude dos juros compostos, que se demonstram mais eficazes com prazos mais longos”, afirma Patzlaff.
Para os que desejam alcançar esse objetivo, a principal recomendação é iniciar o investimento e manter a disciplina ao longo do tempo, permitindo que o dinheiro acumule e renda juros sobre juros. Com essa abordagem, o valor acumulado pode contribuir para uma aposentadoria mais tranquila e a realização de sonhos futuros.
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Fonte: borainvestir.b3.com.br