O financiamento climático se apresenta como um dos principais desafios nas conferências dedicadas às mudanças climáticas, especialmente quando se trata da origem dos recursos destinados à transição energética e ao combate ao desmatamento. Durante a COP30, realizada em Belém, Luciana Nicola, a diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Itaú Unibanco, ressaltou que os investimentos em projetos sustentáveis já estão gerando retornos financeiros significativos.
A participação do setor privado na conferência em Belém tem sido uma presença notável, com uma destacada participação de líderes empresariais. De acordo com Nicola, essa situação se deve à localização do evento no Brasil e também ao aumento da compreensão do setor privado sobre as oportunidades de negócios que estão associadas à agenda climática.
O papel dos bancos na transição verde
O setor bancário do Brasil tem exercido um papel fundamental como catalisador de recursos para projetos de transição sustentável. As instituições financeiras têm se mobilizado para oferecer produtos tradicionais, além de linhas específicas dedicadas a projetos ambientais, e têm buscado atrair capital estrangeiro para iniciativas sustentáveis que estão sendo desenvolvidas no país.
Um exemplo prático é a colaboração entre Itaú, Syngenta e The Nature Conservancy (TNC) para a recuperação de áreas degradadas, convertendo-as em áreas agricultáveis. Este programa implementado oferece taxas de juros diferenciadas e prazos estendidos, acompanhado de um monitoramento técnico que garante maior segurança ao crédito que é concedido para esses projetos.
Desafios e oportunidades
Para conseguir ampliar o direcionamento de recursos financeiros para projetos sustentáveis, Nicola enfatiza a necessidade de melhorias em várias frentes. Entre os pontos destacados, está a importância de tornar os projetos mais viáveis para o setor bancário, aprimorar os mecanismos de garantias e estabelecer uma taxonomia sustentável no Brasil, que permita a padronização dentro do setor.
A executiva ainda ressalta que investir em sustentabilidade não implica necessariamente abrir mão de retornos financeiros. Além dos resultados competitivos obtidos no curto prazo, a crescente ocorrência de eventos climáticos extremos tem evidenciado os riscos associados à falta de adoção de práticas sustentáveis, reforçando assim a importância dessa transição para o setor financeiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br