Análise de Fundo Imobiliário e Expectativas do Mercado
Ao destacar um histórico de performances atraentes, somado ao trabalho técnico de gestão e ao significativo desconto em relação à cota patrimonial, a corretora XP expressa cautela em relação a um fundo imobiliário específico. Apesar de um dividend yield (DY) elevado, que chega a 16,3%, a avaliação sugere que esse retorno não compensa de forma adequada os riscos envolvidos em comparação a outras alternativas disponíveis no setor.
“Entendemos que o cenário de juros elevados persistindo por um período extenso, combinado com a desaceleração da atividade econômica, exige uma visão cuidadosa em relação a créditos high yield”, afirma a corretora em relatório.
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Retornos e Volatilidade
Desde seu lançamento, o HABT11 acumulou um retorno de 78,3%, que considera tanto a valorização das cotas quanto os rendimentos distribuídos. Essa taxa é equivalente a IPCA +9,4% ao ano.
“Esse resultado supera referencial importante e outros fundos high yield, o que evidencia o trabalho técnico e diligente da gestão em comparação com seus pares, mesmo diante de condições adversas. Contudo, esse retorno vem acompanhado de maior volatilidade”, ressalta a XP.
A corretora também destaca que, apesar de uma parte significativa dos empreendimentos relacionados aos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) mostrar um progresso médio de 83% nas obras e 79% nas vendas, o fundo está exposto a operações de multipropriedade (46%), loteamentos (31%) e incorporações verticais (20%). Essa distribuição de investimentos confere ao portfólio um perfil considerado arrojado.
Adicionalmente, aproximadamente 15,6% do patrimônio líquido (PL) está alocado em séries subordinadas de CRIs e 2,9% em mezaninos, que são estruturas inerentemente mais arriscadas.
Dados sobre Cotistas e Liquidez
Atualmente, o HABT11 conta com cerca de 60 mil cotistas e um patrimônio líquido de R$ 768 milhões. Apesar da base de investidores ser ampla, o tamanho relativamente pequeno comparado aos principais fundos imobiliários do mercado limita a liquidez, com uma média diária de transações em torno de R$ 780 mil. Segundo a XP, essa situação pode impactar os preços de compra e venda das cotas, dependendo do volume das ordens efetuadas.
Medidas de Gestão e Desafios
Entre as iniciativas implementadas pela gestão do fundo, destaca-se o encerramento de posições em CRIs Lugano (representando 4,8% do PL) e Allure (0,62%) no início de 2025, bem como em Natural Ville e Cumaru SP (1,94%) em abril do mesmo ano.
Apesar dessas decisões, a XP aponta que 15,2% do PL continua exposto a operações que estão desenquadradas em relação às métricas de controle, as quais estão sendo monitoradas, mas ainda não mostram a recuperação esperada, embora com uma tendência positiva identificável.
Além disso, 1,7% do patrimônio líquido está alocado em CRIs que enfrentam situação creditícia mais delicada, adicionando mais uma camada de risco à carteira do fundo.
Essa análise ressalta a necessidade de uma atenção constante por parte dos investidores, uma vez que o ambiente econômico e as particularidades do mercado imobiliário exigem uma avaliação criteriosa dos ativos disponíveis.
Fonte: www.moneytimes.com.br