Do namoro ao testamento: especialistas orientam sobre a gestão financeira em relacionamentos e na criação dos filhos.

Do namoro ao testamento: especialistas orientam sobre a gestão financeira em relacionamentos e na criação dos filhos.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Conversa sobre Finanças e Filhos

Discutir questões financeiras com os filhos e planejar a gestão do patrimônio familiar são duas abordagens que frequentemente são postergadas pelas mulheres no Brasil. Embora esses assuntos possam parecer desconectados, há uma forte interligação entre eles. Este tema foi amplamente debatido no Women Invest Summit 2026.

No painel intitulado “Finanças e Filhos”, Mariana Oiticica, especialista em gestão patrimonial familiar no BTG Pactual, destacou que a abordagem de educação financeira varia significativamente de uma família para outra, independentemente do tamanho do patrimônio que cada uma possui.

Segundo Mariana, o ponto crucial da educação financeira reside no comportamento. Ela afirma: “É menos sobre o quanto você tem e mais sobre quais valores você quer passar”. Em vez de focar estritamente em dinheiro, o ideal é abordar hábitos financeiros, como evitar compras impulsivas, planejar gastos e combater o desperdício.

Experimentos e Educação Financeira

A analista Ana Luísa de Westphalen, integrante da equipe de análise de pessoa física do Itaú BBA, chegou a uma conclusão similar em seus estudos e experiências. Ela recorda do famoso experimento do marshmallow, realizado na Universidade de Stanford nos anos 1960. As crianças que tiveram a habilidade de esperar para ganhar um segundo doce obtiveram resultados acadêmicos, de saúde e profissionais mais satisfatórios anos depois. Para Ana Luísa, renunciar a uma recompensa imediata em troca de um benefício maior no futuro representa “a lição número 1” nas finanças pessoais. Ela exemplifica que isso pode ser colocado em prática em casa, como a decisão de assistir a um episódio de uma série por vez ou a escolha de economizar dinheiro durante 24 meses para realizar uma viagem escolhida pelo filho.

Mesada Não é Prêmio

Para crianças menores, Mariana recomenda trabalhar com escolhas concretas de curto prazo. Por exemplo, decidir entre comprar um sorvete agora ou aguardar para ter um lanche em outra ocasião ou, ainda, economizar dinheiro para datas específicas. Para ela, a concessão de mesada não é uma obrigatoriedade. No entanto, é importante que, caso os pais decidam oferecer mesada, esta não deve ser tratada como uma forma de punição ou recompensa por obrigações como estudar ou arrumar o quarto.

A especialista do BTG expressou também preocupação em relação a apostas e jogos de azar. Ela relata que alguns clientes com filhos adultos já enfrentaram sérios problemas devido a essa questão, observando um equívoco entre muitos adolescentes que consideram apostas como uma forma válida de investimento. Mariana menciona que até um bolão durante a Copa do Mundo pode ser uma oportunidade para explicar que apostas não se configuram como investimentos legítimos.

Educação Financeira na Adolescência

As especialistas enfatizam que, conforme os filhos começam a ganhar seu próprio dinheiro, seja por meio de estágios ou do primeiro emprego, a educação financeira deve estar direcionada para a importância de poupar e investir. Mariana aconselha que os jovens iniciem suas aplicações em empresas que já conhecem, como ações da Apple, da Microsoft e do Google. Elas também abordaram a relevância do conceito de juros compostos, onde os fatores disciplina e prazo têm um peso maior do que a própria rentabilidade.

Ana Luísa compartilha que contratou um plano de previdência para seu filho logo após seu nascimento e também formou uma carteira diversificada com diversas ações. De acordo com sua perspectiva, considerando que o horizonte até a aposentadoria de uma criança é bastante longo, o potencial de valorização compensa as oscilações de mercado mais significativas. Ana Luísa também utiliza contas voltadas para jovens, que permitem a separação do dinheiro em “caixinhas” com denominações de objetivos financeiros. “Se você espera até ele completar 18 anos para começar a falar sobre como guardar dinheiro, você estará desperdiçando 18 anos”, ressaltou.

Mariana sugere que os pais abram contas e iniciem os investimentos junto com seus filhos. Em famílias de maior patrimônio, ela destaca que a percepção de que o dinheiro é inesgotável pode desestimular os jovens a buscarem a realização de seus próprios sonhos. Além disso, a especialista mencionou a importância de estabelecer limites, citando o exemplo de uma cliente de 50 anos que ainda recebe mesada. “É fundamental que os filhos tenham a liberdade de tomar decisões e cometer erros”, destacou. Sua recomendação é que se guarde entre 10% e 30% da renda para situações de emergência.

Sucessão Patrimonial desde o Namoro

No painel sobre Sucessão Patrimonial, Carolina Chao, chefe de planejamento patrimonial do BTG Pactual, explicou detalhes sobre os instrumentos de sucessão e os riscos associados à falta de um planejamento adequado, mesmo em situações que possam parecer simples, como um namoro.

Ela enfatizou que, embora um namoro não gere consequências patrimoniais diretas, uma união estável, definida como uma relação duradoura cujo propósito é constituir uma família, não requer necessariamente um período mínimo de convivência ou a presença de filhos.

Na ausência de um contrato de união estável, a regra da comunhão parcial de bens se aplica, assim como acontece em um casamento. Isso implica que o parceiro tem direito à metade dos bens adquiridos durante a relação, e em caso de falecimento do(a) companheiro(a), ele também é considerado herdeiro.

Carolina ainda ressaltou que a união estável não se baseia em mérito, ou seja, não leva em conta quem trabalhou mais ou menos, assim como ocorre na sucessão de bens. “Tudo se mescla, o carro, a casa, e muitos clientes se veem numa situação em que acabaram de descobrir que viviam uma união estável ao serem confrontados por um ex-parceiro que deseja metade do patrimônio”, alertou.

Entre as evidências utilizadas para reconhecer um vínculo estão fotos em redes sociais, convites dirigidos ao casal e sinais de dependência financeira, como incluir o parceiro como dependente em um plano de saúde ou em clubes.

O Contrato de Namoro

Um instrumento que tem sido cada vez mais utilizado por alguns casais é o contrato de namoro, que normalmente estabelece a separação total de bens no caso de a relação evoluir. No entanto, esse contrato pode não ter validade se houver a configuração de uma união estável. Carolina exemplifica que, em um eventual litígio, o juiz avaliará a realidade da convivência, como se a pessoa tem chave da casa, se possui roupas no armário, se o casal celebra festas juntos e até como se apresentam um ao outro para seus círculos familiares e sociais.

Para garantir uma segurança patrimonial, a especialista recomenda que seja elaborado um contrato de união estável com separação total de bens ou que seja feito um pacto antenupcial quando ocorre o casamento. Ela também ressalta que é possível alterar o regime de divisão de bens posteriormente. Por exemplo, um casal pode levantar todos os bens que possuem e realizar a divisão, e, ao alterar o regime, começa a operar sob a separação total de bens. “Essa alternativa é especialmente relevante para aqueles que têm negócios de risco. Embora não seja uma medida romântica, ela protege o patrimônio”, destacou.

Testamento

Apesar de a morte ser uma realidade que muitas pessoas preferem não encarar, a especialista também menciona a importância do testamento, que não é um documento caro, tampouco reservado a poucos. Para Carolina, uma decisão crucial diz respeito à escolha do inventariante. “Por padrão, essa função recai sobre o cônjuge, que nem sempre representa a melhor opção, especialmente se não é o pai dos filhos. É possível indicar outra pessoa de confiança, como uma irmã”, comentou.

O testamento permite que a pessoa disponha da parte disponível de seu patrimônio. De acordo com a legislação, metade dos bens deve ser destinada aos herdeiros necessários, enquanto a outra metade pode ser destinada a quem o testador desejar. Uma prática comum é a destinação da parte disponível somente aos filhos, considerando que o cônjuge pode se casar novamente. Em contextos de empresas familiares, pode-se determinar que o cônjuge receba uma quantia em dinheiro, enquanto as ações sejam legadas aos filhos, evitando assim que irmãos que são sócios enfrentem tomadas de decisão em conjunto com alguém que não pertence à família.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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