Movimento do Dólar em Relação ao Real
O dólar à vista apresentou um aumento em relação ao real nesta quarta-feira, dia 26 de agosto, em uma sessão que foi marcada em grande parte pela resposta dos mercados a um novo dado de inflação dos Estados Unidos. A divisa americana encerrou o dia com uma alta de 0,22%, alcançando o valor de R$ 5,1518. Isso ocorreu após a divulgação do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE) norte-americano, que apresentou resultados ligeiramente acima das expectativas. Essa situação reacendeu as projeções de aumento na taxa de juros já em outubro, conforme indicado pela ferramenta FedWatch, do CME Group.
O movimento nos mercados externos teve um impacto mais forte do que a leitura positiva da inflação no Brasil, levando o mercado de câmbio a acompanhar simultaneamente a alta dos Treasuries e o fortalecimento global da moeda dos Estados Unidos. No Brasil, o IPCA-15 indicou uma deflação de 0,40% em agosto, enquanto a inflação acumulada em doze meses ficou em 4,24%, dentro do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Contudo, o alívio observado no cenário doméstico não foi suficiente para neutralizar a pressão externa sobre a moeda.
Cenário Doméstico e o Impacto do IPCA-15
No que diz respeito ao mercado de câmbio no Brasil, a divulgação do IPCA-15 de agosto foi recebida de forma positiva, embora esse dado não tenha se convertido em um grande motor para a queda do dólar. A prévia da inflação registrou deflação de 0,40%, superando a deflação de 0,30% prevista na pesquisa Projeções Broadcast. Com relação ao acumulado em doze meses, a inflação se estabeleceu em 4,24%, posicionando-se dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação do Banco Central. Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, disse que parte do resultado foi influenciada por fatores pontuais, como uma deflação nos preços de alimentos que superou as expectativas, além do efeito do bônus de Itaipu sobre as tarifas de energia elétrica. Este efeito é visto como temporário, levando à expectativa de que uma parte do alívio possa ser revertida em setembro. Assim, a inflação brasileira conseguiu oferecer um pequeno alívio, mas o câmbio permaneceu bastante sensível às movimentações do mercado norte-americano. Outro fator que ganhou atenção no mercado foi o acordo anunciado pelo Irã para compartilhar receitas com Omã no Estreito de Ormuz.
Destaques no Cenário Externo
No cenário internacional, o destaque ficou por conta do PCE dos Estados Unidos, um indicador que recebe atenção especial do Federal Reserve. O índice subiu 0,2% no mês de julho, acumulando uma alta de 3,7% no ano, o que ultrapassa a meta de 2% que o banco central norte-americano busca alcançar. Essa alta também superou as estimativas da FactSet, que previam uma alta mensal de 0,1% e um avanço anual de 3,6%. Apesar do núcleo do PCE ter ficado dentro das expectativas, a surpresa em relação ao índice total foi suficiente para alterar o sentimento dos mercados, de acordo com Rachel de Sá. Como resultado, as taxas de juros nos Estados Unidos se ajustaram e a curva de juros apresentou uma reabertura. Os Treasuries também se valorizaram, o que reforçou o fortalecimento do dólar globalmente. Às 17 horas, o índice DXY (CCOM), que compara a moeda norte-americana com uma cesta de seis outras divisas, registrava uma alta de 0,25%, alcançando 99,163 pontos. Esse movimento ajudou a explicar por que a pressão externa foi suficiente para superar os dados mais favoráveis do IPCA-15 no Brasil. No mercado de petróleo, o contrato do Brent para novembro estava em queda de 0,37%, cotado a US$ 86,94 por barril em Londres.
Mercado de Dólar Futuro na B3
No mercado de dólar futuro da B3, a leitura do dia foi diretamente relacionada à mudança de percepção sobre a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos. Os contratos futuros de dólar atuam como uma referência para as expectativas do mercado quanto ao câmbio em datas futuras, ao passo que o dólar à vista reflete o preço efetivamente negociado no mercado à vista. Assim, a cotação do dólar à vista terminou a quarta-feira, dia 26 de agosto, em alta de 0,22%, registrando R$ 5,1518. A diferença observada entre os comportamentos dos vencimentos futuros e a variação da moeda à vista é um dos pontos que merece destaque: enquanto os contratos futuros antecipam expectativas em relação a juros, fluxo cambial, cenário internacional e riscos, a cotação à vista responde de forma imediata às condições do pregão. Neste dia, a reabertura da curva de juros nos Estados Unidos e o avanço dos Treasuries foram elementos significativos na formação das expectativas cambiais. Como o material de referência não apresenta as cotações individuais dos vencimentos futuros, a análise se concentra na influência do cenário de juros e na comparação com a alta de 0,22% registrada pelo dólar à vista.
Fonte: br.advfn.com
