Dólar avança e se aproxima de R$ 5,40 em meio a incertezas fiscais e expectativa para o Copom

Movimento do Dólar

O dólar teve um aumento em relação a moedas fortes e, como consequência, também em relação a moedas de países emergentes, devido à intensificação da aversão ao risco. Esse movimento foi impulsionado pelo enfraquecimento das commodities e pelas expectativas em relação à trajetória das taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Nesta terça-feira (4), o dólar à vista (USDBRL) fechou o dia cotado a R$ 5,3989, com uma alta de 0,77%.

Esse comportamento acompanhou a tendência do mercado externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como o euro e a libra, apresentava uma alta de 0,35%, marcando 100,225 pontos.

Fatores que Influenciaram o Dólar

A expectativa em torno da decisão sobre a política monetária do Brasil foi um fator que movimentou o mercado cambial. Amanhã (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar a manutenção da taxa Selic, taxa básica de juros, em 15% ao ano.

Na manhã de hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que, apesar das pressões sobre o Banco Central para não reduzir as taxas de juros, ele acredita que a taxa deveria ser diminuída, e que, se ele fosse o presidente do Banco Central, essa redução já estaria ocorrendo a partir de amanhã. Para embasar suas declarações, Haddad mencionou uma melhora nas expectativas do mercado e nos dados de inflação.

Durante um evento promovido pela Bloomberg em São Paulo, Haddad afirmou que ter uma taxa real de juros de 10% no Brasil não é uma situação razoável.

Além disso, o cenário fiscal recebeu atenção especial. No final da manhã, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado decidiu adiar a votação de um projeto de lei que visa aumentar a tributação sobre apostas online e fintechs.

Esse projeto possui tramitação terminativa, o que significa que, se for aprovado na CAE, poderá ser enviado diretamente para a Câmara dos Deputados, sem a necessidade de votação em plenário no Senado. A nova votação está agendada para amanhã (5).

O relator do projeto, senador Eduardo Braga (MDB-AM), estimou que as mudanças propostas poderão resultar em uma arrecadação adicional de R$ 5 bilhões em 2026, R$ 6,4 bilhões em 2027 e R$ 6,7 bilhões em 2028.

A CAE também adiou a análise de outra proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5 mil mensais e concede desconto parcial para os que têm renda de até R$ 7.350 ao mês.

O relator dessa proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou um parecer que não sofreu alterações em relação à versão aprovada pela Câmara em outubro. Após isso, ele solicitou vista aos senadores, prolongando a análise da medida.

A expectativa é que este projeto também seja votado amanhã (5) na CAE e, na sequência, apresentado ao plenário do Senado. Se o texto permanecer inalterado, seguirá imediatamente para a sanção presidencial, sem a necessidade de nova avaliação pelos deputados.

Desempenho da Produção Industrial

Os dados econômicos ocupam uma posição secundária nas atenções do mercado. A produzão industrial brasileira novamente apresentou sinais de fraqueza em setembro, após um breve período de recuperação no mês anterior, em função das tarifas impostas pelos EUA, mantendo a ausência de tração que tem caracterizado grande parte do ano para esse setor.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria registrou em setembro uma queda de 0,4% na produção em relação ao mês anterior.

Contexto Internacional e Juros nos EUA

No cenário externo, as declarações de diretores do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, com um tom ‘hawkish’, sobre a futura trajetória dos juros no país, continuaram a influenciar o mercado de câmbio.

Adicionalmente, presidentes de grandes instituições financeiras em Wall Street, como Morgan Stanley e Goldman Sachs, alertaram que os mercados acionários podem estar se dirigindo para uma queda, enfatizando as crescentes preocupações relacionadas às avaliações extremamente elevadas. Essas preocupações aumentaram a aversão ao risco no mercado.

O cenário fiscal nos Estados Unidos também atraiu a atenção. A paralisação do governo americano (shutdown) completou, nesta terça-feira (4), seu 35º dia, tornando-se a mais longa da história dos Estados Unidos.

Durante a tarde, o DXY manteve-se em alta, impulsionado pela valorização da libra esterlina, recuperando níveis observados em agosto, em meio a notícias sobre as questões fiscais no Reino Unido.

Os rendimentos dos títulos do governo britânico, conhecidos como gilts, de referência com vencimento em 10 anos, tiveram uma queda de 2 pontos base, alcançando 4,419%, após a ministra das Finanças, Rachel Reeves, afirmar que o governo tomaria “decisões difíceis” antes da apresentação do orçamento, programada para 26 de novembro.

Em resposta a essas declarações, a libra esterlina se desvalorizou e atingiu a sua mínima desde abril, o que fez com que o DXY, índice que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas, voltasse a alcançar a marca de 100 pontos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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