Valorização do Dólar
O dólar à vista fechou a quarta-feira (17/12) com uma alta significativa de 1,07%, atingindo o valor de R$ 5,5223. Este resultado marca a quarta valorização consecutiva do dólar no Brasil e ultrapassa novamente o nível psicológico de R$ 5,50. Esse movimento foi influenciado por um dia de intensa cautela no mercado cambial, com investidores reagindo a incertezas políticas internas e a um ambiente externo que ainda se mostra favorável à moeda norte-americana. Apesar dessa sequência recente de aumentos, no acumulado do ano de 2025, o dólar ainda apresenta uma queda de 10,63%, o que sugere que a pressão atual no câmbio é mais uma característica conjuntural, em vez de uma tendência estrutural. Durante o pregão, o par dólar/real (FX:USDBRL) atingiu uma máxima intradia de R$ 5,5320, acompanhando a queda do Ibovespa e o aumento das taxas de juros.
Fatores Políticos e Pressão no Mercado Doméstico
No cenário interno, o câmbio se mantém pressionado por fatores políticos, particularmente após a divulgação de uma pesquisa eleitoral que reacendeu as preocupações do mercado relacionadas à eleição presidencial de 2026. A interpretação predominante sugere que uma possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro poderia enfraquecer o campo considerado mais favorável ao mercado, o que, por sua vez, elevava as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse clima de incerteza foi intensificado por informações de bastidores que envolvem lideranças partidárias e encontros de Flávio com representantes do mercado financeiro, numa tentativa de aproximação com a área conhecida como Faria Lima. Com a ausência de indicadores econômicos relevantes, o dólar se fortaleceu, em meio à queda da bolsa e ao aumento das taxas dos Depósitos Interfinanceiros, resultando na busca por proteção cambial por parte dos investidores.
Dólar no Mundo e Política Monetária dos EUA
No cenário internacional, o dólar também demonstrou força, sustentado pelas expectativas a respeito das futuras diretrizes da política monetária do Federal Reserve, além das declarações recentes de autoridades dos Estados Unidos. O mercado continua a acompanhar atentamente quaisquer indícios sobre a velocidade potencial de cortes de juros, o que mantém a moeda americana bem demandada em comparação a outras divisas. Ademais, o dólar avançou com maior intensidade em relação à libra, em função da expectativa de um possível corte de juros pelo Banco da Inglaterra, que está previsto para ocorrer nesta quinta-feira (18/12). Esse movimento se refletiu no índice do dólar (CCOM:DXY), que apresentava um aumento de 0,17% no final da tarde, alcançando 98,382 pontos, o que indica um fortalecimento moderado, embora consistente, da moeda no panorama global.
Dólar Futuro e Expectativas do Mercado
No mercado futuro da B3, o comportamento foi mais contido em comparação ao dólar à vista. Às 17h07, o contrato de dólar futuro mais negociado, com vencimento em janeiro, foi transacionado na BMF com uma alta de apenas 0,13%, valendo R$ 5,5350. A diferença na variação entre essas duas modalidades sugere que, apesar da pressão imediata no câmbio à vista, os investidores ainda não estão precificando um estresse prolongado nos meses vindouros. A desconexão entre o dólar à vista e os contratos futuros (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) reflete um cenário de cautela e ajustes pontuais nas posições dos investidores, em vez de uma transformação estrutural nas expectativas para o câmbio no curto prazo.
Fonte: br.-.com