Fechamento do Dólar
O dólar à vista encerrou o pregão de sexta-feira (09/01) com uma queda de 0,42%, sendo cotado a R$ 5,3664. Este movimento ocorreu em um dia caracterizado por elevada volatilidade e uma leitura cautelosa dos indicadores econômicos. Apesar do fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional ao longo da tarde, o real conseguiu se valorizar, apoiado por fatores internos significativos. Durante a sessão, a cotação do câmbio atingiu a mínima de R$ 5,3529, refletindo um ambiente mais favorável ao Brasil e ajustes de posição após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos. No acumulado da semana, o dólar apresentou um recuo de 1,06%, evidenciando um viés mais defensivo para a moeda no mercado brasileiro.
Impacto do Acordo Mercosul-União Europeia
No cenário interno, um dos principais fatores que catalisaram a queda do dólar foi a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que foi anunciada no início da tarde e recebeu uma recepção bastante positiva por parte dos investidores. Este acordo prevê a eliminação progressiva de tarifas sobre mais de 90% das exportações entre os dois blocos, o que poderá ampliar o potencial exportador brasileiro e melhorar a percepção de risco do país em termos de investimento a longo prazo.
Índices de Inflação e Expectativas
Adicionalmente, dados referentes ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro mostraram uma alta de 0,33%, valor que se encontra ligeiramente abaixo das projeções do mercado. Dessa forma, o ano de 2025 foi encerrado com uma alta acumulada de 4,26%. Apesar das pressões registradas no setor de serviços, esses dados reforçaram as expectativas de que a taxa Selic deverá ser mantida no curto prazo, o que ajuda a preservar o diferencial de juros favorável ao Brasil e sustenta a entrada de capital estrangeiro no país.
Reação Internacional ao Relatório de Emprego dos EUA
No cenário externo, os mercados reagiram ao relatório de emprego dos Estados Unidos, o qual indicou a criação de 50 mil novas vagas em dezembro, número que ficou abaixo da projeção de 60 mil. Essa informação, a princípio, fez com que o dólar se enfraquecesse e pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos para baixo. No entanto, uma análise mais detalhada dos dados trouxe à tona a taxa de desemprego, que caiu para 4,4%, resultado que também ficou abaixo das expectativas. Esse desempenho reduziu as apostas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve já nas reuniões programadas para janeiro e março, contribuindo para um fortalecimento do dólar frente a várias moedas globais, um movimento que se refletiu no índice DXY (CCOM:DXY).
Comportamento do Dólar no Mercado Futuro
No mercado futuro da B3, o dólar com vencimento mais líquido, correspondente a fevereiro, apresentou uma queda ainda mais acentuada em comparação ao dólar à vista. Às 17h04, o contrato de dólar futuro (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) recuava 0,48%, sendo cotado a R$ 5,3940. A diferença de desempenho entre o mercado à vista e os contratos futuros indica uma cautela significativa por parte dos investidores, que permanecem atentos tanto ao cenário externo, que é caracterizado por juros elevados, quanto à sustentação interna proporcionada pelo diferencial de taxas e um fluxo comercial favorável.
Fonte: br.-.com