Dólar em Alta no Brasil: Tensão no Oriente Médio, Aumento do Petróleo e Intervenção do Banco Central

Avaliação do Dólar Comercial no Brasil

O dólar comercial encerrou a sexta-feira, dia 13 de março, apresentando uma significativa alta no Brasil. Esse movimento é um reflexo do aumento da aversão ao risco nos mercados globais e a crescente busca por proteção em ativos considerados mais seguros. A paridade entre o dólar e o real, representada pela sigla USDBRL, avançou 1,34% no dia, fechando cotada a R$5,3166. Essa valorização fez com que a moeda superasse novamente o nível de R$5,30.

Contexto Internacional

Esse comportamento do câmbio está em linha com a valorização global da moeda norte-americana em relação a diversas outras divisas, em um contexto de cautela nos mercados internacionais. Essa cautela é amplamente influenciada pela escalada das tensões no Oriente Médio, além do aumento expressivo nos preços do petróleo. Embora tenha havido pressão no pregão de sexta-feira, o dólar acumulou uma alta de 1,43% ao longo da semana. No entanto, no acumulado do ano, que se refere a 2026, a moeda ainda registra uma queda de 3,14% em comparação com o real.

Intervenções do Banco Central

No contexto brasileiro, o desempenho do câmbio foi principalmente impactado pelo cenário externo mais turbulento e por intervenções pontuais realizadas pelo Banco Central do Brasil. Durante a manhã, a autoridade monetária executou dois leilões simultâneos. O primeiro foi uma venda de US$1 bilhão no mercado à vista, enquanto o segundo consistiu na oferta de 20 mil contratos de swap cambial reverso, também correspondentes a US$1 bilhão. Essas operações são conhecidas como “casadão”. Essa estratégia tem como objetivo aumentar a liquidez em períodos de estresse no mercado, mas tende a apresentar um efeito neutro sobre a cotação, uma vez que envolve a venda e a recompra de dólares em diferentes pontas.

Além dessas ações, o Banco Central realizou sua operação regular de rolagem de swaps cambiais tradicionais, vendendo 50 mil contratos, totalizando US$2,5 bilhões, com vencimento programado para o dia 1º de abril. Apesar das intervenções técnicas, o fluxo cambial ainda se mantém pressionado pela cautela dos investidores diante de um cenário externo menos estável.

Valorização Global do Dólar

A valorização da moeda norte-americana no exterior foi impulsionada principalmente pela deterioração das condições geopolíticas e pela disparada dos preços das commodities energéticas. O petróleo Brent, por exemplo, ultrapassou novamente o patamar de US$100 por barril na bolsa de Londres, gerando preocupações de que a guerra no Oriente Médio possa acarretar novos impactos inflacionários globais.

Em um contexto crítico, o Irã informou que as embarcações devem coordenar suas atividades com a Marinha iraniana para atravessar o Estreito de Ormuz, que é uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Isso intensifica ainda mais a tensão na região. Simultaneamente, os Estados Unidos anunciaram uma isenção temporária de 30 dias para compras de produtos petrolíferos russos que já estivessem em trânsito, com o intuito de aliviar a pressão sobre os preços da energia. Nesse cenário complexo, o índice do dólar, conhecido como U.S. Dollar Index (DXY), ganhou força em relação a diversas moedas globais.

Contratos Futuros de Dólar na B3

Dentro do mercado de derivativos na B3, os contratos futuros de dólar também seguiram a tendência de alta que foi observada no mercado à vista. Contudo, essa alta se deu de maneira um pouco menos pronunciada. O contrato futuro mais negociado, com vencimento marcado para abril, e que é negociado como Dólar Futuro B3 (DOLFUT/WDOFUT), avançou 1,15% por volta das 17h06, sendo cotado a R$5,3420.

A diferença de desempenho entre o mercado à vista e os contratos futuros pode ser atribuída, principalmente, a ajustes técnicos de posições e expectativas de curto prazo com relação ao câmbio. Em períodos de alta volatilidade global, como o que se observa atualmente, é comum que os contratos futuros incorporam prêmios adicionais que estão relacionados aos riscos envolvidos e à liquidez, o que acaba por ampliar a disparidade em relação ao dólar comercial que é negociado no mercado interbancário.

Fonte: br.-.com

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