Desempenho do Dólar
O dólar à vista encerrou o pregão da sexta-feira, dia 25 de setembro, cotado a R$ 5,1817, apresentando uma queda de 0,23%. Essa desvalorização da moeda norte-americana ocorreu após a perda de força nas últimas horas do pregão. Esse movimento foi amplamente influenciado por indícios de avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que criaram a possibilidade da reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de até sete dias. Contudo, no acumulado da semana, a moeda americana registrou uma alta de 0,73% em comparação ao real, evidenciando que o ambiente externo ainda exercia pressão sobre o câmbio. Em destaque, também contribuíram para a limitação de uma queda mais acentuada do dólar os juros nos Estados Unidos, além dos preços do petróleo Brent, que se mantiveram acima da marca de US$ 100.
Contexto Doméstico e IPCA-15
No cenário interno, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve sua importância reduzida, considerando as influências mais significativas dos fatores externos no câmbio. A prévia da inflação registrou um aumento de 0,70% em setembro, acumulando uma alta de 4,47% nos últimos 12 meses, valor que superou as expectativas, embora ainda permanecesse dentro do teto estipulado pela meta do Banco Central, que é de 4,5%. Lucas Xavier, head de mesa de renda variável e sócio da AW Capital, apontou que uma parte significativa do mercado já previa um resultado mais pressionado, o que contribuiu para limitar a reação na curva de juros futuros. No cenário internacional, o aumento dos rendimentos dos Treasuries e a expectativa de novas elevações nas taxas de juros pelo Federal Reserve mantiveram o dólar sob pressão por um período considerável durante o pregão. Próximo ao fechamento do dia, os participantes do mercado indicavam 64,2% de possibilidade de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros em Outubro e 91,3% de chance de outra elevação de pelo menos 25 pontos-base em dezembro.
Movimentação do Dólar no Exterior
Aos olhos do mercado exterior, o dólar acompanhou um contexto caracterizado por incertezas geopolíticas, juros nos Estados Unidos mais elevados e a busca por ativos que oferecem proteção. O índice DXY, que compara a moeda norte-americana com uma cesta de seis divisas globais, registrava uma queda de 0,30%, movimentando-se para 101.987 pontos, por volta das 17h, no horário de Brasília. Em momentos anteriores, a pressão sobre a curva de juros nos Estados Unidos manteve os rendimentos dos Treasuries em patamares elevados, refletindo a percepção de que o Federal Reserve poderá continuar a elevar os juros. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avaliou que a movimentação do dólar no Brasil esteve em sintonia com o comportamento do DXY, em meio a incertezas econômicas e geopolíticas, além do impacto dos juros de longo prazo nos Estados Unidos sobre o fluxo de capital global.
Mercado Futuro da B3
No mercado futuro da B3, os contratos de dólar futuro seguiram a tendência de pressão sobre a moeda americana. No entanto, é importante ressaltar que a dinâmica dos vencimentos futuros deve ser analisada separadamente do comportamento do dólar à vista. Enquanto a referência à vista fechou a sexta-feira com queda de 0,23%, a formação dos preços nos contratos futuros incorpora não apenas a cotação atual, mas também as expectativas relativas a juros, inflação, fluxo financeiro e o cenário externo ao longo dos próximos vencimentos. Além disso, o material disponível para essa data não apresenta os percentuais de variação de cada mês futuro, limitando a comparação entre os vencimentos ao movimento registrado para o dólar à vista, sem estimar números que não foram divulgados.
Fonte: br.advfn.com
