Desempenho do Dólar
O dólar à vista (FX:USDBRL) fechou a quarta-feira, 30 de setembro, cotado a R$ 5,1750, apresentando uma queda de 0,81%. Essa redução ocorreu em um cenário de ajuste de posições e em resposta aos dados de inflação menos intensos divulgados nos Estados Unidos. Durante o mês, a moeda norte-americana acumulou uma desvalorização de 0,10% em relação ao real. No final da sessão, o desempenho do mercado brasileiro diferiu do observado no exterior, onde o DXY (CCOM:DXY), que acompanha o dólar em relação a uma cesta de seis moedas globais, operava em leve alta de 0,14%, marcando 101.508 pontos por volta das 17h (horário de Brasília). O clima no mercado brasileiro foi ainda influenciado pelas expectativas dos investidores, com a proximidade das eleições presidenciais, programadas para o primeiro turno no domingo, 4 de outubro.
Impacto da Inflação Norte-Americana
No Brasil, a principal razão para a queda do dólar foi a reação aos dados de inflação dos Estados Unidos. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) registrou um aumento de 0,3% em agosto quando comparado ao mês anterior. O acumulado do ano indicou uma elevação de 3,4%, abaixo da taxa de 3,7% previamente registrada e também aquém das expectativas do mercado. Embora o indicador ainda permaneça acima da meta de 2% que o Federal Reserve busca atingir, essa desaceleração na inflação contribuiu para uma mudança na percepção sobre a trajetória da taxa de juros nos Estados Unidos. Como resultado, os agentes do mercado ampliaram as expectativas de que as taxas se manterão inalteradas na decisão de outubro e passaram a focalizar suas apostas em uma possível alta para dezembro. Perto do fechamento do dia, as previsões do mercado indicavam uma probabilidade de 64,2% de elevarem os juros em 25 pontos-base em outubro, e de 91,3% para outra alta, possivelmente de pelo menos 25 pontos-base em dezembro. Esse movimento positivo favoreceu o apetite geral por ativos de maior risco, colaborando para um aumento nas compras no mercado brasileiro. Em relação ao cenário eleitoral, a competição entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se mantinha acirrada, de acordo com a Pesquisa Meio/Ideia, a qual indicava um empate triplo nas avaliações espontâneas, de primeiro turno e de segundo turno.
Comportamento do Dólar no Exterior
Enquanto no mercado brasileiro o dólar à vista teve uma queda de 0,81% em relação ao real, o DXY (CCOM:DXY) demonstrou uma tendência oposta, operando em alta de 0,14% e alcançando 101,508 pontos nas mesmas horas. A atenção no cenário internacional estava voltada principalmente para a inflação nos Estados Unidos e seus reflexos na política monetária do Federal Reserve. O PCE, que é considerado a medida de inflação de preferência do banco central americano, mostrou uma desaceleração no acumulado anual, caindo de 3,7% para 3,4%, embora ainda se mantivesse acima da meta de 2%. Essa leitura mais moderada trouxe um certo alívio aos mercados e incentivou o apetite por ativos de risco, sem, no entanto, eliminar completamente as apostas em juros mais elevados nos Estados Unidos. As projeções analisadas pelo FedWatch, próximo ao encerramento das negociações, sugeriam uma probabilidade de 64,2% para uma elevação de 25 pontos-base em outubro e de 91,3% para outra elevação de pelo menos 25 pontos-base em dezembro.
Mercado de Dólar Futuro
No que diz respeito ao mercado de dólar futuro da B3, os contratos refletiram o ambiente de ajuste provocado pelos dados de inflação dos Estados Unidos e pelas expectativas em relação à política de juros do Federal Reserve. Enquanto o dólar à vista (FX:USDBRL) fechou com uma queda de 0,81%, os contratos futuros podem sinalizar oscilações diferentes, à medida que os investidores incorporam suas expectativas em relação às decisões futuras da política monetária e ao cenário local. Essa discrepância de variabilidade entre o mercado à vista e os contratos futuros é crucial, pois destaca que os investidores não estão considerando apenas o preço atual da moeda, mas também os riscos e as expectativas que podem se concretizar nos meses seguintes. No cenário local, a fase eleitoral adiciona uma nova camada de incertezas às posições cambiais, especialmente a poucos dias do primeiro turno das eleições.
Fonte: br.advfn.com
