Dólar se valoriza após alteração nas expectativas de juros nos EUA e encerra a semana em alta.

Dólar se valoriza após alteração nas expectativas de juros nos EUA e encerra a semana em alta.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Mercado Cambial: Análise do Dólar

O dólar à vista encerrou esta sexta-feira, 28 de agosto, com uma alta de 0,67%, cotado a R$ 5,1965. Esse aumento acompanha a pressão externa e resulta em uma valorização acumulada de 1% ao longo da semana. Durante o pregão, a moeda chegou a atingir R$ 5,2308, representando uma alta de 1,33%, antes de reverter parte dos ganhos. Tal movimento reflete uma sessão marcada pela cautela dos investidores, especialmente em razão da modificação nas expectativas relacionadas aos juros nos Estados Unidos. Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, analisou que o saldo dos últimos dias demonstra um mercado dividido entre o otimismo com a economia nacional e os desafios que surgem no cenário global.

Influências do Câmbio no Brasil

No Brasil, o câmbio foi afetado por dois sinais de direções opostas. De um lado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelou a criação de 58.568 novas vagas de trabalho com carteira assinada em julho, um número que ficou abaixo das expectativas do mercado. Essa situação reforçou a percepção de uma moderação na atividade econômica, abrindo espaço para possíveis cortes na taxa Selic, que atualmente se encontra em 14% ao ano. Como resultado, a ponta curta dos juros futuros reagiu de forma imediata, com o contrato de Depósitos Interfinanceiros (DI) para janeiro de 2027 alcançando 13,615%, em comparação a 13,630% ao fechamento anterior. Por outro lado, a pressão externa prevaleceu sobre o real, com as declarações de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, elevando a percepção de que os juros nos Estados Unidos podem aumentar antes do esperado. André Valério, economista sênior do Inter, acredita que a desaceleração da economia brasileira favorece a continuidade da redução da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), podendo a taxa básica cair para 13,25% até dezembro.

Pressão Externa e Expectativas nos EUA

No contexto internacional, o discurso de Kevin Warsh durante o simpósio de Jackson Hole foi considerado um importante fator para a valorização do dólar. Warsh salientou que o banco central norte-americano terá “trabalho a fazer” caso a inflação não avance rapidamente em direção à meta de 2%. Ele enfatizou que o progresso observado nos últimos dois anos foi modesto. Esta declaração ganhou ainda mais relevância após o Índice de Preços dos Consumidores Pessoal (PCE), que é o indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve, apontar uma alta de 3,7% em agosto, superando tanto a meta quanto as previsões do mercado. Em função disso, os agentes financeiros passaram a antecipar a possibilidade de alta nos juros, de outubro para setembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch sinalizava uma probabilidade de 57,5% para um aumento de 25 pontos-base, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, em comparação com 35,7% antes do discurso. Nesse mesmo instante, o índice DXY, que comparam o dólar com uma cesta de seis moedas, registrava um aumento de 0,50%, alcançando 99,655 pontos.

Mercados Futuros e Expectativas na B3

Na B3, o mercado de contratos futuros de dólar refletiu a combinação da pressão externa com as expectativas em relação à política monetária brasileira. Enquanto o dólar à vista encerrou a sexta-feira com uma alta de 0,67%, a dinâmica dos contratos futuros foi também influenciada pela leitura de que o desempenho do Caged, considerado fraco, pode promover novos cortes na Selic. Esta diferença é relevante, pois o dólar futuro leva em conta não apenas a cotação atual da moeda, mas também as expectativas sobre a taxa de juros, a inflação, a atividade econômica e o cenário internacional para os meses seguintes. Assim, mesmo que o dólar à vista esteja sob pressão devido às mudanças nas expectativas para os juros nos Estados Unidos, os contratos futuros podem apresentar variações distintas, especialmente em meses mais distantes, em razão das perspectivas para a política monetária brasileira.

Fonte: br.advfn.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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