Dólar sobe e encerra a R$ 5,38 com dados de emprego que atrasam expectativas de corte nas taxas de juros dos EUA

Movimento do Dólar em Quarta-feira (7)

O dólar interrompeu sua sequência de perdas, influenciado pelo aumento das incertezas geopolíticas e pelo receio de uma possível redução da autonomia do Banco Central em relação ao Caso Master. Nesta quarta-feira (7), o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,3870, com uma leve alta de 0,13%.

O movimento do câmbio acompanhou a tendência observada em mercados internacionais. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, que é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo euro e libra, apresentava uma alta de 0,10%, atingindo 98.677 pontos.

Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje

As expectativas em relação à trajetória dos juros nos Estados Unidos foram determinantes para as movimentações do mercado de câmbio nesta quarta-feira (7). A divulgação de dados relacionados ao emprego nos EUA contribuiu para adiar as expectativas de novos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central americano.

De acordo com o relatório nacional de emprego da ADP, o setor privado dos EUA criou menos vagas do que o inicialmente previsto para dezembro. Foram registradas a abertura de apenas 41.000 novas posições, em contraste com a expectativa de criação de 47.000 postos, além de uma revisão para baixo no fechamento de novembro, que passou de 32.000 para 29.000.

Outro dado relevante foi o relatório Jolts, fornecido pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que apontou uma redução de 303.000 vagas de emprego em aberto, totalizando 7,146 milhões em novembro. Os analistas consultados pela Reuters previam que o número de empregos não preenchidos ficaria em 7,60 milhões neste período.

Após a divulgação destes dados, o mercado elevou suas expectativas de que o Fed manterá os juros, que estão atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%, inalterados até março. As previsões agora indicam uma possível redução nas taxas somente em abril.

Os investidores aguardam o relatório oficial de empregos, conhecido como payroll, referente ao mês de dezembro, que será divulgado na sexta-feira, dia 9. Este documento é considerado uma referência importante para o Fed no que diz respeito ao mercado de trabalho.

Incertezas Geopolíticas e seu Impacto no Câmbio

A situação geopolítica também contribuiu para a valorização do dólar. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que autoridades interinas da Venezuela se comprometeriam a entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade e sancionado” aos EUA.

Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que “esse petróleo será vendido ao seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos, para garantir que seja utilizado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.

Nesta quarta-feira, a Casa Branca declarou que ainda é muito cedo para traçar um cronograma para as eleições na Venezuela, poucos dias após a deposição do líder Nicolás Maduro em uma ação militar dos EUA. “É muito prematuro e muito cedo para ditar um cronograma para as eleições na Venezuela neste momento”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, durante uma coletiva de imprensa.

Como resultado das declarações, o preço do petróleo registrou uma queda significativa. O contrato futuro mais negociado do Brent, com vencimento em março, teve uma redução de 1,22%, chegando a US$ 59,96 o barril na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres. Essa movimentação também influenciou negativamente o real, uma vez que o Brasil é um país exportador de commodities.

Contexto Doméstico: O Caso Master

No cenário econômico interno, o Caso Master voltou a ocupar destaque, trazendo mais cautela ao mercado. O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou que a eventual reversão da liquidação do Banco Master não é uma atribuição da corte de contas, mas sim do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O processo de ‘desliquidação’ do Master não cabe ao TCU, cabe ao STF, pois existe um processo aberto lá”, declarou ele em uma entrevista exclusiva à Reuters. O ministro ressaltou que, até o momento, não há informações suficientes para determinar se a liquidação do Banco Master, que foi decretada em novembro pelo Banco Central, foi precipitada. Essa conclusão dependerá da análise das informações que estão sendo coletadas por técnicos do TCU em uma inspeção dos documentos do Banco Central. A estimativa é que esse trabalho dure cerca de 30 dias.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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